Rio Branco, AC 3 de abril de 2026 16:20
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Mãe diz que criança de 7 anos foi mantida mais de 2h em delegacia no AC: ‘Nunca tinha pegado nada de ninguém’

Mulher disse que os filhos foram deixados em uma sala junto com suspeitos de crimes na Defla e ofendidos por seguranças do supermercado após furto de chocolate. Ela confirmou que menino pegou o doce, mas que o filho mais velho havia acabado de fazer compra

A mãe do menino de 7 anos que foi encaminhado à Delegacia de Flagrantes (Defla) junto ao irmão, de 13, após denúncia de furto de chocolate em um supermercado nessa terça-feira (31) em Rio Branco, contou ao g1 que os filhos ficaram mais de duas horas na unidade até serem liberados. A identidade da mulher não será divulgada para preservar as crianças. Além disso, ela afirmou que precisou esperar a troca de plantão na unidade para poder levar os filhos embora.

A empresa negou suposta má conduta e se colocou à disposição das autoridades. “A empresa reafirma seu compromisso com o respeito, a dignidade e a inclusão, e lamenta a tentativa de difamar sua imagem com informações que não encontram respaldo nos fatos apurados até aqui”, enfatiza a publicação. (Veja nota mais abaixo)

💡 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) classifica possíveis infrações cometidas por adolescentes como ato infracional, não como crime. Além disso, o código não prevê condução de crianças a delegacias.

Conforme a Polícia Militar (PM-AC), funcionários do estabelecimento perceberam, por meio do monitoramento de segurança, que o adolescente consumiu o item sem pagar. Em nota divulgada nesta quinta, a corporação voltou a afirmar que o adolescente foi o responsável pelo furto e destacou que todos os protocolos legais foram seguidos. (Confira a nota mais abaixo)

Contudo, a mulher contesta essa versão e alega que, na verdade, foi a criança de 7 anos quem pegou o doce após o irmão, de 13, fazer uma compra no valor de R$ 12,64 na loja. O chocolate que não estava na compra tinha valor de R$ 4,49.

“Quando eu cheguei lá, as crianças já estavam detidas. Soube de uma pessoa lá no local que eles [filhos] estavam na mesma sala que os outros presos estavam. Antes, o policial já tinha dito para mim que eles estavam lá dentro, e que seriam liberados no intervalo de troca de delegado”, relatou.

A mulher ouviu do filho mais velho que, após serem abordados por seguranças do supermercado por conta do chocolate, um cliente que estava no local se ofereceu para pagar pelo doce e resolver a situação, mas que os funcionários não aceitaram.

“Ele fala que disseram: ‘Você é um neguinho sem vergonha, deixe de mentira, isso é costume de vocês fazerem isso no mercado’. Meu filho nunca tinha pegado nada de ninguém, foi a primeira vez que ele fez isso. Eu não tô passando a mão, porque sei que o que ele fez foi errado, pegou o chocolate, foi roubo, isso tá errado”, denunciou.

Por conta do caso, a mulher também afirmou que a criança está assustada e que não quer ir à escola por temer constrangimentos. Ela procurou auxílio jurídico e pretende pedir, na Justiça, as imagens da abordagem aos filhos no supermercado.

“Eu já entrei com ação, já fui com a advogada, que vai entrar com ação, porque pelo que tá passando, uma criança de sete anos não vai poder ficar sem estudar, e ele não quer mais ir pra escola. Não quer de jeito nenhum”, disse.

Nota da empresa

A Empresa informa que tomou conhecimento das alegações divulgadas e rechaça, de forma categórica, qualquer imputação de conduta racista, ofensiva ou discriminatória por parte de seus colaboradores.

Diante da gravidade do tema, a empresa instaurou imediatamente procedimento interno de apuração e, até o presente momento, não foi constatada qualquer evidência que confirme as acusações suscitadas.

Ressalta, ainda, que a atuação da equipe ocorreu dentro dos protocolos internos, com acionamento das autoridades competentes em razão de os menores estarem desacompanhados de responsáveis, sempre com foco na proteção e no encaminhamento adequado da situação.

A empresa reafirma seu compromisso com o respeito, a dignidade e a inclusão, e lamenta a tentativa de difamar sua imagem com informações que não encontram respaldo nos fatos apurados até aqui.

Reforçamos que seguimos à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários, certos de que os fatos serão devidamente apurados.

A Direção

Nota da Polícia Militar

A Polícia Militar do Estado do Acre informa que, na tarde do dia 31 de março de 2026, foi acionada via COPOM para atender a uma ocorrência de furto em um estabelecimento comercial localizado na Estrada do Calafate, em Rio Branco.

No local, a guarnição constatou que um adolescente havia sido detido por seguranças do supermercado após subtrair um produto alimentício (chocolate), conforme registrado no boletim de ocorrência . O adolescente estava acompanhado de uma criança, posteriormente identificada como tendo 7 anos de idade.

Diante da situação, e considerando que não havia responsável presente no momento, a equipe policial realizou contato com o COPOM, sendo informada de que a delegacia especializada encontrava-se fechada. Assim, foi orientada a condução do adolescente à Delegacia de Flagrantes (DEFLA).

Ressalta-se que a criança não era autora de ato infracional. Por esse motivo, a guarnição realizou tentativas de contato com seus responsáveis, inicialmente sem êxito, a fim de evitar que ela permanecesse desacompanhada. Diante disso, a criança foi levada junto aos policiais militares até a delegacia de flagrantes, onde permaneceu sob acompanhamento até que fosse possível o contato com a responsável legal.

Na unidade policial, a criança permaneceu em área restrita aos policiais militares, destinada à confecção de registros e procedimentos administrativos, não sendo colocada em contato com pessoas detidas ou em situação de custódia. Durante todo o período, a criança não foi tratada como autora de infração nem submetida a qualquer condição semelhante à de detidos.

Posteriormente, foi possível estabelecer contato com a responsável legal, que compareceu à delegacia, ocasião em que a criança lhe foi devidamente entregue. Quanto ao adolescente, este foi apresentado à autoridade policial competente, que adotou as providências de responsabilidade da Polícia Judiciária.

A Polícia Militar informa, ainda, que as circunstâncias do atendimento serão apuradas internamente, a fim de assegurar a legalidade dos procedimentos adotados.

Polícia Militar do Estado do Acre