Rio Branco, AC 12 de março de 2026 13:34
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Líder do governo do DF é alvo de operação do Gaeco

Ação batizada de Blackboard, deflagrada nesta quinta (12), cumpre 31 mandados de busca e apreensão no Palácio do Buriti e gabinete do deputado

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e Polícia Civil deflagraram uma operação nesta quinta-feira (12) na sede do governo do DF em Brasília, na residência oficial e gabinete da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) do deputado distrital Hermeto Neto (MDB), principal alvo das diligências.

A suspeita é que R$ 50 milhões de recursos públicos destinados para a educação foram desviados. Segundo o MPDFT, grande parte dos recursos vem de emendas parlamentares. Segundo as investigações, o deputado Hermeto seria figura decisiva na articulação do suposto esquema.

A atual secretária de educação do DF não está na mira da operação. No entanto, ex-gestores e servidores da pasta estão sob vista dos investigadores.

Posiocionamento do parlamentar

Em nota oficial enviada ao iG, o parlamentar, que também é lider do governo do Distrito Federal, nega as acusações e afirma ainda que não possui “qualquer gestão ou participação em contratos administratios da Secretaria de Educação” e que isso é papel do Executivo do Distrito Federal – Governo de Brasília.

“Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. É importante destacar que o PDAF não pode ser utilizado para pagamento de aluguel, portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade”, afirmou Hermeto Neto (MDB).

O que se sabe sobre o suposto esquema

As investigações são conduzidas diretamente pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime ( Gaeco), que atua no núcleo da suposta trama de desvio: tudo teria começado na locação de um imóvel privado para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01. Essa locação teria sido feita no Setor de Motéis da Candangolândia – região administrativa do DF e base eleitoral de Hermeto Neto, que também já foi administrador regional.

As investigações apontam que o prédio foi alugado indevidamente, com dispensa de licitação. A justificativa para a mudança teria sido baseada numa alegação falsa de que o prédio público atual estava com sua estrutura condenada e que seria demolido. O local “novo” ia cediar também a Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.

Porém, o Ministério Público identificou que o edifício original permanece em pé e que o GDF já teria gasto R$ 19 milhões em aluguéis em vez de reformar o prédio original para uso por um valor bem inferior. Outro ponto levantado foi que um contrato de reforma de cerca de R$ 12 milhões foi firmado em 2025 para reforma.

Posicionamento do governo do DF

“Cada um que tenha seus problemas que responda perante a justiça”, afirmou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em entrevista no Palácio do Buriti.

Ele disse ainda que não sabe de nada e que não tem informações do que aconteceu. Comentou que se os envolvidos quiserem apresentar alguma coisa a ele, será declinado. “Não tenho interesse nenhum, que não cita meu nome, não tenho nada a ver com isso”, afirmou Ibaneis Rocha.

O iG tenta um retorno do Governo do Distrito Federal. O espaço segue aberto.

Em contato com a Secretaria de Educação do DF, o iG foi informado que as informações são sigilosas e que estão sendo investigadas. Em nota emitida a outros veículos de imprensa, a Secretaria afirma que permanece integralmente disponível para investigações e que está “pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários, com o propósito de colaborar de forma plena e institucional com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela condução das investigações e pela adequada elucidação dos fatos.”

A Operação BlackBoard está cumprindo 31 mandados de busca e apreensão e investiga crimes de peculato, fraude à licitação, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.