O prefeito Tião Bocalom (PL) antecipou o anúncio de sua candidatura ao governo do Acre para a próxima segunda feira, 19. A assessoria de comunicação do prefeito lançou convite à imprensa para o ato de divulgação da candidatura a partir da 09:00 hs, na sede da Acisa, ali na avenida Ceará, próximo ao Cine e Hotel João Paulo.
Estratégia
A antecipação do intento de Bocalom reside na tática de estabelecer um fato consumado conquanto a sua candidatura no âmbito do Partido Liberal (PL). Originalmente, a anuncio da disposição de concorrer ao Palácio Rio Branco seguia um roteiro diferente. Coisa para ser anunciada só em data futura.
Tão perto, tão longe
Ocorre que incentivadores e estrategista da candidatura de Bocalom perceberam que a tática do senador Márcio Bittar (PL) em, desde logo, afirmar no âmbito político local que a deliberação sobre candidaturas aos governos nos diversos estados caberia à Executiva Nacional do PL, deixa o prefeito em desvantagem, posto que essa (a executiva) prioriza a formação de quadros no Senado em detrimento de governos estaduais.
Variáveis
Nesse sentido, para Bittar seria desvantajoso abdicar de apoiadores que caminharão atrelados às candidaturas de Mailza Assis (PP) ou Alan Rick (Rep), potencializando uma candidatura solteira, sem atrelamento à governadoria. Numa carreira solo, Bittar poderia ainda optar, é claro, com uma adesão informal a estrutura da governista Mailza e, então, disporia do apoio da maioria dos prefeitos do estado.
Revês
Por esse viés, dentro do PL, a chancela da candidatura de Bocalom pelo PL corre perigo, de cima para baixo, antes mesmo da convenção partidária estadual que decidirá sobre àquele que concorrerá em nome da sigla ao Palácio Rio Branco, vez que a candidatura à reeleição de Bittar será prioritária.
Diferencial
Alguém pode argumentar que os dois pertencem ao mesmo partido, mas resta lembrar que Bocalom foi levado ao PL pelas mãos de Bittar e é ele que guarda da direção nacional e de Jair Bolsonaro e filhos os votos de consideração, a ponto de indicarem-no à relatoria do Orçamento Geral da União em 2021, no penúltimo ano da gestão do ex-presidente.
Sinopse
Bocalom, sentindo o cheiro de queimado, lançará seu nome ao governo na segunda feira, 19, criando um fato consumado. Jogará nas costas de Bittar um eventual desvio de roteiro e este (Bittar), esquivando-se da celeuma, argumentará que a decisão veio da Executiva Nacional.
Resiliência
Não se pode, contudo, considerar que Bocalom esteja fora do pleito, posto que poderá concorrer por outra sigla. Quem conhece o prefeito sabe que ele não costuma abrir mão de suas convicções. Ao lançar a candidatura, Bocalom já é sabedor que junto a executiva nacional os interesses de Bittar prevalecerão, dada a proximidade que o senador guarda com os expoentes da direção central, no entanto, poderá escolher outro partido para concorrer ao governo.

Desenlace
Após seguidos pedidos da defesa de Jair Bolsonaro de ida para prisão domiciliar e autorizações concedidas para atendimento médico, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira a transferência do ex-presidente para uma sala no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) conhecido como “Papudinha”.
Considerações
Ao ordenar a mudança da custódia, Moraes afirmou que o espaço permitirá condições “ainda mais favoráveis”, com ampliação do tempo de visitas de familiares e a realização livre de banho de sol e de exercícios em qualquer horário do dia.
Companhias
No local estão o ex-ministro Anderson Torres (Justiça) e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, também condenados no núcleo crucial da trama golpista. O batalhão ganhou o apelido de “Papudinha” por ser anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Rigor
As condições da superintendência da PF eram alvo de reclamações de familiares e aliados de Bolsonaro. Uma das críticas era sobre o barulho do ar-condicionado. Em sua decisão, Moraes afirmou que “as condições absolutamente excepcionais e privilegiadas” não transformam o cumprimento da pena do ex-presidente “em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”.
Restrições
Na mesma decisão, Moraes autorizou que Bolsonaro receba assistência religiosa na prisão e participe de um programa de redução da pena por meio da leitura. Por outro lado, o ministro negou a solicitação feita pela defesa de acesso a uma televisão com acesso à internet (Smart TV) para assistir a vídeos no YouTube.
Avaliação
Moraes também determinou que o ex-presidente passe por um exame médico, feito por peritos da PF, que devem avaliar seu estado clínico e a “necessidade de transferência para o hospital penitenciário”. Depois dessa avaliação, o ministro decidirá sobre um pedido da defesa de concessão de prisão domiciliar humanitária, por questões de saúde.
Entendimento
Moraes afirmou que o cumprimento da pena de Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal já vinha ocorrendo com o “absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”. O ministro considerou, contudo, que a “total ausência de veracidade nas reclamações” não impede a transferência “para uma Sala de Estado Maior com condições ainda mais favoráveis”.
Assistência
Moraes citou que o batalhão da PM-DF permitirá, por exemplo, o uso de “aparelhos para fisioterapia, tais como esteira e bicicleta”. O ministro incluiu na decisão uma tabela comparando as condições da superintendência e do batalhão, em categorias como metragem, acomodações, banho de sol e local para receber visitas.
Comparativo
Ainda na decisão, Moraes passou o recado de que as condições em que Bolsonaro foi encarcerado são melhores do que as verificadas para presos comuns. O ministro destacou que há um “déficit estrutural de vagas, o que resulta em índices persistentes de superlotação e péssimas condições estruturais”. “A excepcional concessão do cumprimento da pena definitiva em Sala de Estado Maior diferencia, independentemente de idade ou condição de saúde dos demais, o custodiado Jair Messias Bolsonaro dos 384.586 condenados que cumprem pena privativa de liberdade em regime fechado”, escreveu.
Privilégios
Moraes elencou, então, “privilégios” que o ex-presidente recebeu já na superintendência da PF, como sala de Estado-Maior individual, televisão a cores, ar-condicionado, frigobar, médico da Polícia Federal de plantão 24 horas e autorização permanente de acesso de médico particular, entre outros. O ministro considerou que há uma “sistemática tentativa de deslegitimar” a forma de cumprimento da pena e citou críticas de dois filhos de Bolsonaro, o senador Flávio e o ex-vereador Carlos.