Manifestações entram na terceira semana, com mais de 100 mortos e milhares de presos, segundo ONG Human Rights Activists
O governo do Irã ameaçou retaliar os Estados Unidos e a Israel contra qualquer tipo de intervenção externa, em meio à intensificação dos protestos que se espalham pelo país há três semanas. As manifestações, motivadas inicialmente por uma grave crise cambial, têm registrado um número crescente de mortos e detenções.
Segundo a agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, ao menos 116 pessoas morreram desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. A maioria das vítimas teria sido atingida por disparos de munição real ou balas de chumbo. Apenas neste sábado, os atos entraram na terceira noite consecutiva de mobilizações intensas em diversas cidades iranianas.
As manifestações ganharam força após apelos de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e hoje exilado, para que manifestantes ocupem centros urbanos e promovam greves em setores estratégicos da economia.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a se manifestar publicamente sobre a situação, advertindo o regime iraniano a não reprimir os protestos. No sábado, afirmou que os EUA “estão prontos para ajudar”. De acordo com o New York Times, Trump foi informado nos últimos dias sobre novas opções de ataques militares, segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal.
Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, em caso de um ataque militar dos EUA, alvos israelenses e bases militares e centros de transporte americanos seriam considerados “alvos legítimos”. Ele reiterou que o Irã pode agir de forma preventiva. “No âmbito da legítima defesa, não nos limitamos a responder apenas depois de um ataque”, declarou à televisão estatal.
Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Estados Unidos e Israel de estimularem a violência no país e voltou a alertar contra qualquer ação contra Teerã. “O único aspecto ‘ilusório’ da situação atual é acreditar que o fogo não acaba atingindo quem o provoca”, afirmou.
Além das mortes, a ONG informou que pelo menos 2.638 pessoas foram detidas desde o início dos protestos. Entre as vítimas fatais, há profissionais da área da saúde, e sete dos mortos tinham menos de 18 anos.