Durante a sessão ordinária desta terça-feira (01) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) fez um discurso contra o governador Gladson Cameli (PP), relembrando o que classificou como “a maior injustiça da história da educação no Estado”. O parlamentar destacou que, há três anos, a base governista foi pressionada a aprovar uma medida que prejudicou diretamente os trabalhadores da educação, especialmente aposentados, ao reduzir os valores das tabelas salariais.
“Senhor presidente, hoje, exatamente no dia da mentira, completam-se três anos da pressão extraordinária exercida pelo governador Gladson Cameli sobre sua base nesta Casa para que se cometesse a maior injustiça da história da educação no Estado. Eu lembro muito bem daquele dia”, declarou Magalhães. Ele recordou ainda que, na época, o deputado Chico Viga contrariou a orientação do governo e votou contra a medida. “Vossa Excelência rompeu com a orientação do Palácio e não assinou embaixo dessa injustiça. Pagou um preço alto por isso, perdeu cargos e foi perseguido, mas manteve sua coerência”, ressaltou.
O parlamentar reforçou que a medida adotada pelo governo reduziu os valores da tabela salarial de 10 para 7, atingindo diretamente milhares de trabalhadores da Educação. “Foi uma punhalada nas costas dos servidores, que passaram a perder valores expressivos. Teve gente que perdeu R$ 23 mil, outros R$ 24 mil, outros até R$ 25 mil por ano com essa medida covarde”, denunciou.
Magalhães também criticou a postura do governador durante a campanha de reeleição, quando, segundo ele, Gladson Cameli tentou reverter a rejeição dos servidores prometendo corrigir o erro no início do novo mandato. “Na campanha, o governador disse que, na primeira oportunidade, enviaria um projeto de lei à Assembleia para restabelecer o equilíbrio. Mas isso nunca aconteceu. Ele sabia que os números apresentados à Aleac pelo então secretário estavam furados, que o estudo era equivocado, mas nada foi feito”, pontuou.
O deputado relembrou ainda os debates realizados nas comissões da Casa e afirmou que, já no primeiro ano após a aprovação da medida, ficou comprovado que não havia necessidade do corte salarial. “Quando chegou no final do ano, a arrecadação do FUNDEB comprovou que essa medida era desnecessária. Mas a promessa do governador ficou só no discurso”, afirmou.
Magalhães destacou que, mesmo após dois anos sem qualquer ação para corrigir o erro, os servidores ainda aguardavam uma solução. “Passou o primeiro ano e nada. Passou o segundo ano e a promessa continuou no papel. Agora estamos no terceiro ano. E se não for resolvido agora, não adianta achar que será no quarto, porque aí a Educação levará outra rasteira”, alertou.
Diante desse cenário, o deputado fez um apelo direto aos trabalhadores da Educação, pedindo mobilização para garantir que o governo cumpra o compromisso assumido. “De promessa o inferno está cheio! Quero sugerir ao movimento dos ‘Cabeça Branca’, quero sugerir ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação: no dia que for publicado o relatório fiscal que comprova a viabilidade dessa correção, venham para esta Casa, acampem neste auditório e só saiam daqui com a lei aprovada! Chega de esperar, é hora de agir”, concluiu.