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Economia

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Argentina estuda queimar cédulas para conter excesso de papel

Argentina estuda queimar cédulas para conter excesso de papel

Banco Central enfrenta dificuldades para destruir bilhões de notas deterioradas acumuladas em meio à inflação

O presidente do Banco Central da Argentina, Santiago Bausili, afirmou que a instituição estuda a possibilidade de incinerar cédulas para lidar com o excesso de papel-moeda em circulação. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo no programa Carajo, ao lado do ministro da Economia, Luis Caputo, e do secretário de Política Econômica, José Luis Daza. As informações são do Clarín.

Segundo Bausili, o método tradicional de destruição de notas não é mais suficiente para dar conta do volume acumulado de cédulas danificadas ou fora de circulação.

“Os bilhetes têm uma vida útil. Depois de passar por muitas mãos, deixam de ser legíveis e precisam ser destruídos”, afirmou.

De acordo com o Banco Central, a durabilidade média das notas argentinas varia conforme a denominação. Cédulas de valor médio costumam durar entre 20 e 30 meses, enquanto as de valor mais alto chegam a 40 meses. O cenário se agravou após a inflação de 2023 e início de 2024, que aumentou a velocidade de circulação das notas e, consequentemente, o desgaste do papel.

Apesar da entrada em circulação das novas cédulas de $10.000 (R$ 47,34) e $20.000 (R$ 94,68) em 2024, importadas da China, o problema persiste. Em maio de 2025, havia mais de 8,7 bilhões de cédulas em circulação na Argentina, totalizando cerca de 8 mil toneladas de papel. Só as notas de $1.000 (R$ 4,73) representavam 43,4% do total.

Hoje, são cerca de 185 cédulas por habitante no país, um número superior ao registrado nos Estados Unidos (163) e no Brasil (36). Apesar de uma redução de 24% no volume total de cédulas no último ano, o ritmo de destruição ainda é insuficiente. Nos primeiros cinco meses de 2025, as cédulas de $500 tiveram queda de mais de 40% e as de $1.000, de quase 29%. Por outro lado, as de $20.000 aumentaram 129%, e as de $10.000, 10%.

Mesmo com a destruição de 2,4 bilhões de notas no último ano, o Banco Central ainda enfrenta dificuldades para lidar com as cédulas deterioradas. Bausili afirmou que a Argentina pretende se inspirar no modelo brasileiro de destruição por incineração.

Modelo brasileiro é exemplo

Desde 2017, o Banco Central do Brasil utiliza um sistema em que os bancos identificam notas desgastadas e as enviam para serem trituradas e compactadas em blocos de R$ 50 mil. Esses “tijolos” são usados como combustível em fábricas de cimento, em um processo chamado de coprocessamento.

A prática é considerada ambientalmente sustentável. Em 2023, cerca de 1.500 toneladas de resíduos foram utilizadas dessa forma, evitando a emissão de quase 2 mil toneladas de CO₂, caso fossem descartadas em aterros sanitários.

Na Argentina, por enquanto, a destruição ocorre por meio de máquinas que trituram as notas, transformando-as em briquetes, que depois são descartados em aterros sanitários. Os bancos comerciais são responsáveis por classificar as cédulas, com base em um sistema de cinco níveis de qualidade definido pelo BCRA.

Notas seriamente danificadas com valor superior a $1.000 precisam ser perfuradas antes de serem enviadas ao Banco Central. As demais podem ser encaminhadas diretamente, desde que em pacotes termoselados com mil unidades de mesma denominação. A destruição é realizada em dois centros especializados: um em Buenos Aires e outro em Santiago del Estero.

Cofres lotados e pressão logística

Em julho de 2024, a Argentina atingiu um recorde de 11,8 bilhões de cédulas em circulação. A situação gerou uma crise logística para os bancos, que ficaram sem espaço físico e precisaram construir novas bóvedas. Como o próprio Banco Central também não dispunha de espaço suficiente, as instituições financeiras passaram a armazenar grandes volumes em depósitos próprios, apelidados de “sarcófagos”.

A situação começou a melhorar nos últimos quatro meses, com o Banco Central intensificando a retirada de notas danificadas. No entanto, o estoque acumulado ainda é alto, e muitos bancos continuam com cofres lotados.

“Conseguimos aliviar a situação emergencial, mas ainda há muito papel armazenado e sem uso, esperando para ser destruído”, relatou uma fonte do setor bancário ao jornal Clarín. Diante disso, o Banco Central confirmou que estuda novas formas de destruição, incluindo a queima de cédulas.