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Rio Acre sai da cota de transbordo, mas famílias só podem voltar quando nível ficar abaixo de 10 metros

Rio Acre sai da cota de transbordo, mas famílias só podem voltar quando nível ficar abaixo de 10 metros

Segundo a Defesa Civil de Rio Branco, famílias desabrigadas devem permanecer nos abrigos até que todos os protocolos de retorno sejam cumpridos. Rio Acre ficou duas semanas em situação de transbordo e nesta segunda (24), nove bairros recebem limpeza

O nível do Rio Acre, em Rio Branco, saiu da cota de transbordamento na última medição desse domingo (23), às 21h. Por conta da redução, a Defesa Civil municipal inicia a limpeza de nove bairros e famílias precisam aguardar protocolos para voltar para casa, o que inclui o manancial ficar abaixo dos 10 metros.

Na manhã desta segunda-feira (24), o rio continuou baixando e apresentou 13,72 às 5h14, se aproximando da cota de alerta, que é de 13,50 metros. A tendência ainda é de vazante.

No entanto, ainda que esteja em vazante, as famílias desabrigadas seguem no Parque de Exposições Wildy Viana, no 2º Distrito de Rio Branco. Apesar do otimismo, o coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, ressalta que as famílias levadas a abrigos ainda precisarão permanecer nos locais até que todos os protocolos de retorno sejam cumpridos, sendo um destes que a cota fique abaixo dos 10 metros.

“Então, nós vamos trabalhar essa semana nessa fase de restabelecimento. E em relação às famílias, nenhuma família deve sair do abrigo sem que a Defesa Civil autorize. E a gente só autoriza com a segurança. Qual é a segurança? Primeiro que a cota do rio esteja de 10 metros a menos. Claro, não é uma prisão, as famílias podem sair, caso queiram, mas não pelo nosso protocolo”, explicou.

Por conta da redução, a Defesa Civil de Rio Branco indicou que foram feitos estudos para verificar a possibilidade de o rio não retornar mais para a cota de transbordo.

Ainda segundo o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, a operação de limpeza pós-alagação inicia nesta segunda (24). Para o trabalho, serão mobilizadas 150 pessoas e 55 equipamentos.

“A gente vai entrar agora nesta semana, já a partir de hoje [24], com vistoria de edificações, já começar a conversar com as famílias que estão nos abrigos para que, na cota certa, a gente dê material para que façam limpeza nas suas casas, pedir para o Saerb entrar com apoio de água para poder limpar”, destacou.

Contexto: A cota de alerta do Rio Acre na capital é de 13,50 metros e a de transbordo é de 14 metros. O manancial na capital esteve acima desta marca desde o último dia 10 e o nível tem baixado desde a terça (18). A maior cota atingida pelo manancial este ano foi de 15,88 metros, marcada às 15h de 17 de março.

Conforme o último boletim da Defesa Civil de Rio Branco, a cheia deste ano afetou:

  • Mais de 8,6 mil famílias diretamente, o equivalente a 31.318 pessoas;
  • Há pelo menos 171 famílias em abrigos, cerca de 547 pessoas;
  • Outras 598 famílias ficaram desalojadas, ou seja, foram para casa de parentes ou amigos;
  • 19 comunidades rurais afetadas, dentre elas três são isoladas, e 2.198 famílias rurais atingidas;
  • 43 bairros da capital atingidos.

Para agilizar o retorno das famílias para suas casas, foi solicitado à Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade a limpeza imediata de nove bairros, sendo eles:

  • Base
  • Seis de Agosto
  • Baixada da Habitasa
  • Baixa da Cadeira Velha
  • Triângulo Novo
  • Taquari
  • Cidade Nova
  • Alzira Cruz
  • Ayrton Sena

Os abrigados também irão receber kits de limpeza para utilizar em suas residências. A previsão é de que permaneçam nos abrigos pelo menos até o fim do mês de março.

O rio esteve em intensa redução no volume na última semana. O nível chegou a 14,35 metros às 6h deste domingo (23), porém ainda continuava acima da cota de transbordo. Durante o dia, o nível continuou baixando. Às 9h, estava com 14,28 metros, às 15h com 14,13 metros, às 18h com 14,02 metros e finalizou o dia com a última medição às 21h com 13,97 metros.

Situação de emergência

O prefeito Tião Bocalom decretou, no último dia 14, situação de emergência devido à enchente. Já o governador Gladson Cameli decretou situação de emergência diante do aumento do nível dos rios Acre, Juruá, Purus e Envira, no dia 10 de março. Na última terça (18), após uma semana, governo do estado alterou o decreto e acrescentou os rios Tarauacá, Abunã e Moa.

As famílias desabrigadas começaram a ser levadas ao abrigo montado no Parque de Exposições Wildy Viana dia 14 de março. Ao chegarem no Parque de Exposições, as famílias fizeram um cadastro e direcionadas aos boxes.