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Cheia do Rio Juruá afeta mais de 6 mil pessoas e interrompe ano letivo em creche do AC: ‘sem condições de funcionar’

Cheia do Rio Juruá afeta mais de 6 mil pessoas e interrompe ano letivo em creche do AC: ‘sem condições de funcionar’

Nível do Rio Juruá chegou a 13,55 metros ao meio-dia desta terça-feira (18) e está acima da cota de transbordamento há uma semana. Ainda não há desabrigados, segundo a Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, mas três famílias já acionaram o órgão nesta terça

Após uma semana, a cheia do Rio Juruá já afetou mais de 6 mil famílias no município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O nível chegou a 13,55 metros ao meio-dia desta terça-feira (18) e provocou a interrupção do ano letivo em escolas e creches afetadas pelas águas do rio. O número total não foi divulgado. Já são 12 bairros atingidos pela inundação, totalizando cerca de 6,6 mil moradores.

Uma das unidades que tiveram as aulas interrompidas foi a creche Bom Jesus. A gestora da creche, Rosali Albano, explicou que a proximidade das águas do rio impede o funcionamento do local, e pode comprometer a segurança dos estudantes.

A creche também está em uma das áreas que tiveram a rede de energia elétrica desativada por conta da elevação do Rio Juruá.

“Fica sem condições da gente funcionar aqui devido à enchente, até porque fica perigoso, o barco está transportando as crianças. E sem energia também não tem como a gente trabalhar. Tem que fazer documentação e tudo, então não tem nem como a gente continuar aqui. Então, a gente suspendeu as aulas. A gente soube que a secretaria também já nos orientou a isso, que é muito perigoso para as crianças”, disse.

O Rio Juruá está a menos de um metro da cota histórica de 14,36 metros, atingida em 2021. Além da cidade, o manancial também corta Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves, todas do Vale do Juruá.

Conforme a Defesa Civil Municipal, ainda não há desabrigados. Porém, o órgão recebeu chamados de três famílias na manhã desta terça. A coordenação ainda não confirmou se essas famílias foram levadas a abrigos.

O número de famílias que tiveram a energia elétrica suspensa por conta da cheia subiu para 140, em três localidades: comunidade Florianópolis, bairro Beira Rio e ramal Boca do Môa.

“A escola não tem como funcionar sem energia. Tem a merenda escolar para estragar, tem a parte burocrática, têm uma série também de itens de segurança, porque o acesso fica muito mais difícil. E se a cheia continuar do jeito que está, daqui a pouco tempo vai chegar aqui dentro da escola também. Então, por questões de segurança também, a escola definiu suspender temporariamente as aulas”, completou o prefeito Zequinha Lima (PP).

rio jurua 002Ainda não há famílias desabrigadas pela cheia do Rio Juruá, segundo a Defesa Civil de Cruzeiro do Sul — Foto: Arquivo/Prefeitura de Cruzeiro do Sul

Interrupção da energia elétrica

Por conta do aumento do nível do Rio Juruá a transmissão de energia elétrica foi interrompida no município de Cruzeiro do Sul nesta sexta-feira (14) em alguns locais.

Conforme a Defesa Civil do Município, o desligamento ocorreu na região conhecida como Boca do Moa até a sexta-feira (14). A empresa de energia ressalta ainda que nos demais municípios ainda não ocorreram desligamentos por conta de enchentes.

Sobre a suspensão da energia elétrica, de acordo com a concessionária Energisa, trata-se de uma medida de segurança, necessária para evitar acidentes tanto com moradores dos locais atingidos pelas águas do manancial, quanto para as equipes que precisem atender o público desses locais.

“Esses desligamentos são necessários por questões de segurança. Tanto para garantir a segurança dos moradores que estão passando por esse momento de alagação, quanto das pessoas, os órgãos que estão trabalhando para retirar e apoiar essas famílias. É importante que a população tenha isso em mente, porque isso garante que não tenhamos nenhum acidente com a rede elétrica”, explicou a coordenadora de segurança Gabriella Mendes.

Dicas de segurança

A Energisa também alerta que moradores de regiões que podem ser alcançadas pelas águas de rios e igarapés devem ficar atentas. A orientação é que, caso as cheias comecem a atingir casas, o disjuntor deve ser desativado. Para fazer esse desligamento, o morador deve estar calçado e enxuto.

Outra recomendação é de que, caso a água alcance o medidor de consumo, é preciso acionar a empresa, para que então seja feito o desligamento da rede.

“Infelizmente, a gente vê muita gente durante a alagação próxima a poste, próxima ao medidor. Às vezes, as crianças ficam brincando na água e podem receber algum choque. Então, por isso que a gente faz esse desligamento, para que isso não aconteça. De antemão, a gente aconselha que não cheguem perto dos medidores, não encostem em postes. Se ver alguma fiação caída, informe a Energisa, mantenha a distância. Se possível, isole o local para que ninguém chegue perto e evitar ficar pegando nos postes, nos medidores”, acrescenta Gabriella Mendes.