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Artistas reforçam pedido de ajuda para famílias atingidas pela cheia dos rios: ‘SOS Acre’

‘O Acre precisa ser visto’, diz Glória Perez. O governador do estado diz que o cenário é de guerra

O Acre enfrenta, simultaneamente, o alto número de casos de Covid-19, surto de dengue, crise migratória na fronteira e agora a cheia dos rios do estado que já atinge mais de 118 mil pessoas. Pensando nisso, artistas reforçaram o pedido de ajuda para o Acre.

A movimentação começou ainda no sábado (20), quando imagens de cidades inundadas ganharam força na internet. Das dez cidades acreanas atingidas pela cheia, oito começaram a apresentar vazante do rio - quando o nível começa a baixar. Mas, o cenário ainda é preocupante.

A escritora Glória Perez, em um vídeo enviado à Rede Amazônica, diz que reforçou o pedido de ajuda para que mais pessoas pudessem ter acesso.

“Difícil demais olhar essas imagens, difícil demais olhar sua terra sendo engolida pelas águas. Como se não bastasse a expansão da Covid, ainda sendo atingida por um surto de dengue e uma crise migratória. O que nós esperamos é que o país olhe para o Acre e contribua, na medida do possível, com os movimentos solidários que estão se organizando para socorrer essa população atingida: socorram os brasileiros do Acre, SOS Acre”, frisa.

A acreana Gleici Damasceno, vencedora do BBB18,também tem usado a sua influência nas redes sociais para encabeçar o movimento.

artistas webGleici, Renê e Glória reforçam pedidos de ajuda para o Acre — Foto: Reprodução

“Infelizmente, meu estado passa por um momento difícil, um dos mais difíceis da história com certeza e eu estou aqui para fazer um apelo a vocês, pra vocês ajudarem. O Acre precisa da ajuda agora, as pessoas estão precisando de comida, colchões, sacolões, roupas, então quem puder ajudar, ajuda. Vai dar tudo certo, meu coração está cheio de esperança, mas o Acre precisa ser visto”, destaca.

Renê Silva, do Voz das Comunidades no Rio de Janeiro, disse que ficou sabendo da situação do estado pelo Twitter e logo fez contato com Glória e Gleici para saber como podia ajudar. Uma equipe deve chegar ao Acre na terça-feira (23), segundo ele.

“Surgiu de mobilização maior de tentar outras pessoas, artistas, empresas e empresários para que possam ajudar, contribuir de alguma forma nessa situação terrível que os acreanos estão vivendo neste momento. O que mais me impressionou foi as ruas alagadas”, disse.

Ele disse que conseguiu contato com a Cruz Vermelha, que deve fazer atendimento nas cidades atingidas também na próxima semana.

O DJ Alok, através do instituto que leva seu nome, também anunciou ajuda e compartilhou a campanha na sua página oficial do estado. Preta Gil, a blogueira Gkay, Patricia Pillar e Luciano Huck foam alguns dos artistas que reforçaram a hashtag SOSAcre.

artistas01 webHashtag SOSAcre foi compartilhada por diversos artistas — Foto: Reprodução

'Como se fosse uma guerra'

O governador do Acre, Gladson Cameli, diz que o cenário no estado não é fácil.

“O estado é pequeno, pobre e precisa-se do apoio das pessoas, principalmente do governo federal e unificar as instituições para que a gente chegue com atendimento imediato à população. Nós fizemos toda uma estrutura de abrigos para os atingidos cumprindo as regras da Covid-19, que tem que ter distanciamento, para que a gente possa dar uma tranquilidade e segurança às pessoas que estão sem sua moradia e ao mesmo tempo alimentação, remédios e também kit de limpeza. Estamos vivenciando uma situação como se fosse uma guerra”, desabafa.

Sobre a mobilização na internet, ele diz que toda ajuda ao estado é bem-vinda e que chegou a se emocionar com a mobilização.

“Isso nos orgulha, são milhares de homens e mulheres que têm esse olhar, esse carinho especial pelo estado do Acre. Somos um estado pequeno na Amazônia, que faz fronteira com dois países, que tem 92% do sistema de saúde que é público e que a gente precisa desse olhar das pessoas em prol da enchente, dengue, crise na fronteira e também Covid-19”, destaca.

O governador destacou ainda que tem acompanhado o drama das famílias e que não tem sido fácil.

“Que Deus nos proteja e nos abençoe e que a gente possa virar logo essa página, porque eu tô firme e forte porque tenho Deus, mas sou ser humano. Lagrimei quando vi a situação das pessoas, elas querem tão pouco”, finaliza.

As campanhas em canais oficiais estão sendo feitas pelo:

imi6 webImigrantes ainda ocupam ponte em Assis Brasil, no Acre — Foto: Raylanderson Frota/Arquivo pessoal

Pandemia, enchente, surto de dengue e crise migratória

O Acre segue registrado alto número de casos de Covid. O Acre registrou mais 43 novos casos de Covid-19 neste domingo (21), de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). O número de pessoas infectadas passou de 54.743 para 54.786 nas últimas 24 horas. O total de mortes no estado agora é de 963, porque o Estado confirmou mais seis mortes.

Também nesta semana, alguns rios ultrapassaram a cota de transbordo atingindo milhares de família. A cidade de Tarauacá, no interior do Acre, chegou a ficar com 90% do território tomado pela água. Em número atualizados neste domingo, a Defesa Civil estima ainda 118.496 pessoas atingidas pelas enchentes, mas o Acre chegou a ter 130 mil pessoas atingidas de alguma forma pela cheia dos rios na capital e no interior do estado. A Defesa Civil considera atingidas pela cheia casas onde a água chegou, desabrigando ou não os moradores.

O Acre também registrou 8,6 mil casos suspeitos de dengue em menos de dois meses de 2021.Outro dado que chama atenção é que dos 22 municípios do Acre 20 estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti. A capital acreana já declarou situação de emergência devido o aumento no casos de dengue.

Também nesta semana se agravou o cenário dos imigrantes que estão retidos na fronteira do Acre com o Peru desde o ano passado, quando o país vizinho decidiu fechar as fronteiras e impedir a passagem deles para o lado peruano. Os imigrantes já estavam sendo atendidos pela prefeitura de Assis Brasil, mas no último domingo (14) se rebelaram e ocuparam a ponte da cidade.

Pelo menos 60 imigrantes que fazem rota reversa pelo Acre e tentam entrar no Peru continuam a acampados na Ponte da Integração, uma semana depois de ocuparem o local. Ao todo a cidade ainda tem quase 300 imigrantes depois de ter mais de 500.

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