As reiteradas declarações do governador Gladson Cameli (PP) e coordenadores políticos do seu governo, dando conta que no futuro mandato de Mailza Assis (PP) frente ao Palácio Rio Branco secretários que hoje respondem por pastas estratégicas permanecerão no cargo, enfraquecem politicamente a futura governadora diante da opinião pública, vez que as escolhas não partem do seu anúncio e, portanto, resta patenteado que a indicação foi feita a sua revelia. Ao menos é assim que interpretam àqueles que estão longe do centro do poder.
Escalação
Em entrevista concedida ao programa ‘Bar do Vaz’, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz, do site Ac24horas, e veiculada na data de ontem, quarta-feira, 04, Cameli garantiu a continuidade no cargo dos atuais secretários Aberson (Educação), Pedro Pascoal (Saúde), Amarísio (Sefaz), Sula (Deracre) e Ricardo Brandão (Planejamento), caracterizando de forma enfática que a futura gestão, em seus postos estratégicos, será moldada ao gosto de Gladson, alheia as escolhas de Mailza.
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O que está em voga não é a competência dos citados assessores de Gladson, mas o direito de escolha que deve e deverá ser auferido a futura governadora em escalar seu time, o que marcará o rosto de sua administração. A impressão que resta é que em abril, quando a sucessão chegar, Ela (Mailza) não terá autonomia para formatar sua equipe com as peças que lhes aprouverem, ficando a reboque das decisões de terceiros.
Prerrogativas
Para quem tenciona concorrer ao governo em 2026 para renovar o mandato e necessita mostrar ao eleitorado discernimento e competência para formatar grupo de assessores político/técnicos, as sucessivas escalações de sua entourage, partindo de outras vozes, colam na futura candidata uma imagem de tibieza, insegurança e desconhecimento.

Reação
Em meio à pressão por um código de conduta no Supremo Tribunal Federal (STF), ministros da Corte defenderam que os magistrados devem ter direito a atuar fora dos tribunais para ampliar suas rendas, hoje fixadas pelo teto salarial do serviço público em R$ 46.366.
Álibi
Alexandre de Moraes criticou o que chamou de “demonização das palestras”, uma das poucas atividades externas remuneradas que são permitidas à magistratura. A fala ocorre no momento de maior pressão na história recente do STF por conta da crise envolvendo o Banco Master, que expôs relações familiares de ministros com a instituição. O escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato com o Master no valor total de R$ 129 milhões.
Precipitação
O episódio acelerou a articulação do presidente da Corte, Edson Fachin, pela criação de um código de ética para ministros, com relatoria da ministra Cármen Lúcia. Após a reação de Moraes, porém, como conta Mônica Bergamo, no jornal Folha de São Paulo de hoje, quinta-feira, 05, Fachin cancelou um almoço que teria com os colegas para tratar do código.
Causa própria
Dias Toffoli, o criticado relator do caso Master, também defendeu maneiras de os juízes ampliarem seus ganhos. Segundo ele, magistrados devem poder ser sócios de empresas ou proprietários rurais, desde que não exerçam funções de administração. “Vários juízes são fazendeiros, são donos de empresas”, disse Toffoli, em aparte a Moraes. Fundos ligados ao Master compraram participação em um resort dos irmãos de Toffoli no Paraná, onde o ministro já recebeu diversos empresários ligados ao setor financeiro.
Onda
Na onda de questionamento de membros de alto coturno ligados ao judiciário, no STJ a corte vive uma crise criminal envolvendo o ministro Marco Buzzi. Uma jovem de 18 anos o denunciou por suposto assédio sexual durante uma viagem de férias ao litoral de Santa Catarina em janeiro.
Brucutu
Em depoimento à polícia, ela acusou Buzzi de tentar agarrá-la repetidamente enquanto se banhava em uma praia de Balneário Camboriú. A família deixou o local e registrou boletim de ocorrência em São Paulo. O Conselho Nacional de Justiça apenas informou que o procedimento está sob análise da Corregedoria Nacional e tramita em sigilo.

Esquiva
O Planalto está fazendo o que pode e o que não pode para se desvincular da aprovação do projeto que reestrutura carreiras do Legislativo e cria gratificações que podem dobrar o salário-base de servidores da Câmara e do Senado. Ministros e secretários foram escalados para dizer que o Executivo não participou de negociações nem firmou acordo para levar a proposta ao plenário.
Rastros
A versão, no entanto, foi contestada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ele, líderes governistas participaram da reunião que definiu a pauta e deram aval ao encaminhamento. A aprovação unânime, diz Motta, refletiu o consenso entre as lideranças.
Dissenso
Embora o reajuste tenha sido aprovado por unanimidade, deputados criticaram o dispositivo que permite furar o teto salarial do serviço público. O texto cria uma licença compensatória, mas permite que o servidor faça a opção por receber em dinheiro. Essa verba é classificada como indenizatória, por isso, ficaria fora do limite salarial atrelado ao vencimento dos ministros do STF.
Custos
Aliás, os reajustes aprovados para servidores do Legislativo terão impacto estimado de R$ 790 milhões até o fim de 2025 — R$ 592 milhões na Câmara e R$ 198 milhões no Senado. O valor é maior que o orçamento anual de 95% dos municípios brasileiros, segundo dados do Tesouro Nacional.
Efeitos
E a coisa não para por aí. O reajuste deve provocar pressão por aumento da verba de gabinete dos parlamentares. Hoje, cada deputado dispõe de R$ 133,1 mil por mês para pagar até 25 assessores. Com a alta salarial prevista — entre 8% e 9,28%, de acordo com Hugo Motta — dirigentes da Câmara defendem que o limite também seja reajustado. Caso contrário, afirmam, será necessário cortar funcionários para manter os gastos dentro do teto atual.

Pressão
Na corrida eleitoral aumentam as pressões no entorno petista para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aceite se candidatar ao governo de São Paulo para que o partido tenha um palanque forte no mais populoso estado do país. Dessa vez, a artilharia veio da ministra do Planejamento, Simone Tebet, cotada para disputar o senado por São Paulo.
Destaques
De acordo com ela, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin são os nomes mais fortes do governo Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo paulista. “Se estamos falando em puxar votos para a majoritária federal, Haddad e Alckmin no governo do estado têm mais força”, disse ela, após evento no Palácio do Planalto.
Balbúrdia
E candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) para o Senado por Santa Catarina provocou um novo racha familiar. Nesta quarta-feira a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou apoio público à candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni (PL), que lidera as pesquisas e disputava uma vaga com Carlos.
Contramão
Em postagens nas redes sociais, Michelle compartilhou fotos ao lado de Caroline e também do ex-presidente Jair Bolsonaro com a deputada, sinalizando respaldo político. “Estaremos com você”, escreveu. O esforço, porém, não deu resultado. Ao ouvir do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que uma vaga iria para Carlos e outra para um partido aliado, a deputada anunciou sua saída da legenda.