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Especial

Viagem ao passado: um breve histórico da Família Mesquita do Bosque, relatado por Claudionor Mesquita

Como eu não achei na internet de onde vieram os Mesquitas para o Acre e em particular para Rio Branco, resolvi tomar este partido para desfiar o relato da família, já que nenhum outro Mesquita teve esta audácia. Resolvi fazer um breve histórico sobre o patriarca Florêncio Rodrigues de Mesquita. 

Cearense de nascimento, Florêncio estreou em 08 de outubro de 1886, na pequena cidade de Santa Quitéria, terra que quando era anunciado a seca no Ceará, Santa Quitéria já vivenciava seca há meio ano. 

No início do século passado, Florêncio e seu irmão Nelson não aguentaram as constantes secas e se mandaram para o Amazonas, como assim rotulavam o Norte brasileiro, e se interessaram pelo Acre. Foi exatamente na época em que estava eclodindo a conquista do território acreano, movimento que engrossaram. Como Florêncio e seu irmão eram alfabetizados, pegaram um lugar de destaque junto aos desbravadores: ficavam controlando o rancho e o armamento.

Este movimento incorporado pelos irmãos Mesquita não foi no Rio Acre, foi no Alto Rio Purús. A luta deu-se contra os peruanos que queriam tomar o Acre pelo Purús. Então, os seringalistas da região fizeram um levante e dominaram os invasores.

Nesta época, Florêncio se apaixonou por uma jovem de 13 (treze) anos chamada Maria José do Vale. Se casaram e ela passou a chamar-se Maria José de Mesquita, mais conhecida no meio familiar e da vizinhança como a dona Maria Flor. O casal fixou residência no Seringal Beija Flor onde tiveram 13 filhos: 8 homens e 5 mulheres, assim chamados: Antônio, Albano, Milton, Iracema, Jorge, meu pai, Tobias, Dionisia, Maria, Carolina, Acreano, Geni, Luis Joventino, todos casados, nenhum amigado. Seu Flor, como era apelidado meu avô Florêncio por alguns, era de uma moral invejável. Bastava um olhar dele que os filhos já sabiam do que se tratava. É de se perguntar como era que esta mulher, dona Maria Flor, se atava no dia em que ia dar a luz. Sua parteira era a tia Chaga, mulher do tio Nelson, irmão do Vovô, que sempre moravam próximos. E moraram também no seringal Beija Flor até o ano de 1939, ano em que meu pai casou com uma jovem vizinha de nome Ermelinda, conhecida por dona Nalinda. Casaram-se dia 20 de maio de 1939 e eu, como primeiro filho, nasci em 25 de março de 1940, 10 meses depois do casamento, Portanto sou de tempo certo.

Vovô resolveu deixar o Beija Flor e Baixar para Boca do Acre, onde se fixou no seringal Bem Posta. 

Vovô era um homem que carregava a família, mas teve um dos filhos, o Milton, o mais aventureiro, que veio primeiro para Rio Branco, e isso já era próximo final do ano de 1940, quando Vovô recebeu uma correspondência do tio Milton, dizendo que aqui em Rio branco era bom e que já estava estabilizado num lugar chamado Vila Ivonete. O Vovô animou-se e veio também para Rio Branco, numa viagem que do seringal Bem Posta para Rio Branco durou quase uma semana. 

O dono do barco que nos trouxe era o seu Cajazeiras, ele pegava um rapé botava um pouquinho no nariz e dizia: rapé do cajazeira; põe um pouco nesta venta que fede e na outra que cheira. 

Pena que eu não tenho vivos todos os tios, mas apenas um, para provar estas passagens. O trajeto do porto do rio até a Vila Ivonete, cujo proprietário era o senhor Pocidonio Cunha, foi feito de carroça de bois, o local onde fomos nos instalar, que  era um sapezal enorme; hoje neste lugar está situado o Bairro da Paz. 

A Vila Ivonete era uma fazenda de bom tamanho. Lembro –me que além do gado, tinha a budega que o tio Nelson tomava de conta. Havia uma padaria, uma olaria, tinha serraria, açougue e mais algumas coisas que não lembro, porque eu deveria ter uns 4 anos, mas vejam quantas lembranças tenho.

Quando viemos do seringal Bem Posta, mamãe já trazia Zeli, nascida neste sapezal da Vila Ivonte. Era um lugar muito doentio. Me lembro que mamãe só vivia com impaludismo, doença que vem a ser o mesmo que malária e ela só ficou boa depois que saímos de lá para um lugar do qual falarei mais à frente.

Aquí na cidade, fomos morar no bosque e logo abaixo de onde nos instalamos tem o igarapé da maternidade. Era a área dos Mesquitas, e logo acima ficava o alto do bode, onde moravam os Birícos. Eram nossos rivais políticos. Eles eram do partido do Guiomard Santos e nós do Oscar Passos. No Bosque, os filhos e filhas do casal Florêncio, foram casando e morando todos nas cercanias do Vovô. 

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Vovô não era homem letrado até porque naquela época o curso mais avançado era o Colégio Acreano, que teve dois nomes antes: Instituto Nossa Senhora de Nazaré e o Getúlio Vargas. Após, foi renomeado de Colégio Acreano.

Vovô, no outono da vida, contraiu uma doença que debilitou sua saúde: era um câncer na próstata.  Na época, nós, os Mesquitas, éramos muito ligados ao deputado Oscar Passos, e este viabilizou a ida do Vovô para o Rio de Janeiro, que era o maior centro de saúde do Brasil. 

Internou-se na Santa Casa, Hospital de referência na capital da República.  Foi operado, teve alta e voltou, mas ele não teve sucesso. A partir de sua chegada, ficava um ou dois irmãos fazendo plantão porque ele não chegou bem. Isto era por volta do ano 1953, até que em 04 de fevereiro de 1954 Vovô faleceu. 

Foi um enterro de muita comoção, porque Vovô era um homem de respeito e toda a vizinhança os conheciam por seu Flor. Ai Vovô ainda tinha um filho solteiro, o tio Luis, que com pouco tempo ficou morando com a Vovó. 

Depois de algum tempo ele fez a casa dele, mas morando sempre perto da Vovó. Como a casa da Vovó era grande, alguns netos, inclusive eu, passamos a frequentar a casa dela. Vovó nos tratava com carinho e ela veio a falecer em 1965; e quando isto aconteceu ela tinha 99 netos e 101 bisnetos, cuja maioria era filhos do meu papai, o Jorge.

Papai e mamãe tiveram 25 filhos ao todo, mas destes 4 faleceram ainda criança sem muitas explicações sobre os motivos e mais quatro natimortos, num total de 25 filhos. 

Hoje os descendentes do casal Florêncio Rodrigues de Mesquita e Maria José de Mesquita, já beiram os 806 descendentes.

Enfim, finalizo dizendo que isso é tudo o de que lembra o neto número 6, que sou eu, Claudionor Carvalho de Mesquita. 

Espero que de hoje em diante, com este texto, os cidadãos acreanos conheçam a história de nossa família Mesquitas de Rio Branco e que residem e residiram no Bosque.


Rio Branco, 22 de abril de 2021

Filho de Jorge e Ermelinda Mesquita e o sexto neto de Florênçio Mesqauita. 

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