O agravamento da crise no transporte público de Rio Branco escancarou, mais uma vez, um sistema que opera no limite — ou abaixo dele. Nesta terça-feira (17), o vereador André Kamai foi incisivo ao falar sobre o tema na Câmara Municipal e apontar o que considera um cenário insustentável, marcado por pressão empresarial, fragilidade institucional e ausência de transparência.
Para o parlamentar, a recente suspensão de linhas por parte da Ricco Transportes não pode ser tratada como fato isolado, mas como parte de uma dinâmica que penaliza diretamente a população. “É uma chantagem clara”, afirmou, ao criticar a forma como o serviço vem sendo conduzido.
Kamai contestou a versão de dificuldades financeiras apresentada pela empresa e descreveu um sistema que, segundo ele, opera com o mínimo: linhas com apenas um ônibus, falhas diárias e manutenção precária. “Não é um serviço excepcional mal pago. É um serviço ruim, caro e mal explicado”, resumiu.
O vereador também questionou o discurso da gestão do prefeito Tião Bocalom sobre o valor da tarifa. Segundo ele, o custo real do transporte ultrapassa os R$ 7 quando considerados os subsídios públicos, o que, em sua avaliação, torna ainda mais grave a baixa qualidade da operação.
Diante do descaso da gestão com a situação, Kamai cobrou transparência e anunciou medidas para ampliar o controle sobre o sistema. Segundo ele, protocolou requerimento de informações e informou que acionará órgãos de controle para auditar contratos, repasses e a execução do serviço.
“Não dá para aceitar uma relação às escuras”, disse, ao defender que a população tenha acesso aos números e entenda por que paga caro por um serviço que não atende. Para o vereador, o momento exige mais que discursos: exige respostas concretas para um problema que afeta diariamente milhares de usuários.


