Rio Branco, AC 27 de fevereiro de 2026 17:19
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Day after

O desastre do episódio da escola de samba Acadêmicos de Niterói e a consolidação de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado de centro-direita, mais consistente e rápida do que o entorno de Lula esperava, acenderam a famosa luz vermelha no Planalto e no PT. A volta de Lula vai ditar uma aceleração das definições de campanha e uma mudança de rumos na estratégia que vinha sendo traçada.

Consenso

É consenso que o desgaste causado pelo enredo do Carnaval junto a evangélicos e conservadores foi grande. Na exumação dos erros, aliados de Lula veem com certo alívio o fato de ter-se evitado que ele, Janja ou ministros desfilassem, o que evidenciaria crime eleitoral, mas o erro político é admitido e creditado ao próprio presidente, que tomou a decisão de ir ao Rio.

Arrumação

A ordem é, com a volta de Lula da Coreia, acelerar as definições da chapa presidencial e dos palanques nos Estados, sobretudo São Paulo e Minas, os mais intrincados e estratégicos. A possibilidade de Geraldo Alckmin perder seu lugar como vice é bem menos ventilada em Brasília que nas elucubrações que dirigentes partidários fazem em conversas com jornalistas. A parceria entre os dois é vista como sólida por quem acompanha o dia a dia do governo, e a aposta é que Lula não fará nada que o vice não queira.

Visão

Também a hesitação de Fernando Haddad de aceitar a missão de ser candidato a governador de São Paulo é minimizada no núcleo que pilota mais de perto a estratégia da campanha. O ministro da Fazenda terá de aceitar que vem sendo preparado para ser o sucessor de Lula, e que existe um caminho até lá que inclui ajudar na disputa do presidente no Estado mais decisivo da eleição, a base eleitoral de ambos.

Erro de cálculo

Na avaliação dos estrategista do PT foi um erro a ideia de deixar Flávio Bolsonaro correr solto, sem confrontação, enquanto ainda persistia alguma dúvida sobre se Tarcísio de Freitas seria candidato. O raciocínio segundo o qual o filho de Bolsonaro seria mais fácil de derrubar lá na frente, com munição estocada até meados do ano, não levou em conta que ele seria rapidamente aceito pelo eleitorado de direita, o que deve facilitar também sua metabolização pela classe política, facilitando alianças.

Decidido

A propósito da disputa em território paulista o abacaxi foi descascado: Fernando Haddad será o candidato do PT ao governo de São Paulo. Haddad teve ontem, 26, à noite uma conversa com Lula e, finalmente, disse “sim” ao pedido do presidente.

Convescote

Foram vários encontros entre os dois para discutir o assunto desde dezembro de 2025. O mais recente deles, na viagem de Lula à Ásia. Haddad insistia desde sempre— inclusive publicamente, como deixou claro em diversas entrevistas — que o seu projeto para 2026 era atuar na coordenação da campanha de Lula à reeleição.

Uníssono

O PT em peso, Lula à frente, nem queria ouvir nada diferente do que o ministro estava deixando a Fazenda para disputar o governo paulista contra Tarcísio de Freitas. A expressão que mais se ouvia de dirigentes do partido era “missão”.

Inesperado

O “sim” de Haddad acontece no momento mais delicado para Lula desde o ano passado: as recentes pesquisas mostram que Flávio Bolsonaro, lançado pelo pai em dezembro, como o candidato da direita, cresceria como vem crescendo.

Muleta

Uma das ideias para a campanha em que Haddad entra como azarão, ninguém discute que o favorito é Tarcísio, é lançar Geraldo Alckmin (que deve concorrer novamente a vice-presidente) para correr o interior paulista ajudando o petista e reativando seu espaço político.

Foco

O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz, conhecido pelo apelido de Lulinha, voltou à berlinda. Acusado por diversas vezes de usar o nome do pai em operações pouco ortodoxas, Lulinha teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI do INSS.

Barraco

A sessão que aprovou a quebra dos sigilos de outras 86 pessoas, incluindo a do ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi tumultuada. Após o requerimento ser aprovado, parlamentares trocaram socos e ao menos dois deles, Rogério Correia (PT-MG) e Luiz Lima (Novo-RJ), foram retirados da sessão pela Polícia Parlamentar.

Suspeição

Lulinha já havia tido seus sigilos quebrados pelo ministro do STF André Mendonça em janeiro, bem antes do pedido da CPI. O pedido foi feito ao Supremo pela Polícia Federal, que suspeita do envolvimento de Lulinha no esquema de desvio dos benefícios pagos a aposentados.

Ilações

A Polícia Federal havia pedido a quebra do sigilo de Lulinha ao STF por conta das referências ao filho do presidente Lula em mensagens de WhatsApp, passagens aéreas e no depoimento de uma testemunha. A suspeita é que Lulinha teria atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A defesa de Lulinha negou qualquer vínculo com o instituto e classificou as citações como “ilações”.

Reação

E o governo reagiu a quebra do sigilo de Lulinha. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como “golpe” a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho de Lula na CPI do INSS. Segundo Gleisi, a deliberação foi conduzida de forma irregular pelo presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Roldão

“Foi uma votação simbólica, sem contagem individual de votos. Consideramos que é nula”, afirmou. Governistas articulam junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a tentativa de anular o ato. Aliados do Planalto alegam que detinham maioria entre os titulares presentes, mas não puderam solicitar nova verificação nominal porque o instrumento já havia sido usado anteriormente pela oposição na mesma sessão.

Esquiva

Em meio à confusão no Congresso, o ministro André Mendonça autorizou que José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli não compareçam à CPI do Crime Organizado no Senado. Os dois são irmãos do ministro Dias Toffoli.

Demanda

A decisão atende a pedido da defesa, que argumentou que ambos foram convocados na condição de investigados e, portanto, não são obrigados a prestar depoimento. Mendonça aceitou o pedido afirmando que, como são investigados, os irmãos de Toffoli têm assegurado o direito constitucional de não produzir prova contra si mesmos.

Adiamento

O presidente do STF, Edson Fachin, adiou para 25 de março a conclusão do julgamento das ações que discutem o pagamento dos chamados “penduricalhos” — verbas indenizatórias que permitem a algumas categorias receber acima do teto constitucional.

Mérito

O plenário analisa decisões individuais dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes em processos distintos. Dino determinou a revisão e suspensão de parcelas acima do teto que não estejam previstas em lei, além de proibir novos atos ou normas que autorizem pagamentos considerados ilegais.

Respaldo

Mendes, por sua vez, estabeleceu que Judiciário e Ministério Público só podem pagar verbas indenizatórias previstas em lei federal. A análise teve início na quarta-feira, com sustentações orais. A expectativa era de que os votos começassem nesta quinta-feira, mas a conclusão foi remarcada.