Rio Branco, AC 18 de fevereiro de 2026 17:33
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Crime e castigo

As reiteradas condenações dos órgãos de controle contra Mazinho Serafim (Podemos), ex-prefeito de Sena Madureira (2017/2024), já o credenciam a pedir música no Fantástico. A referência ao programa dominical da Rede Globo remete às prerrogativas que o jornalístico oferece aos futebolistas quando estes consignam numa só partida 03 gols. O ex-administrador da capital do Iaco foi condenado, mais uma vez, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em uma decisão publicada na última segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026.

Motivação

A condenação sobreveio por Irregularidades na compra de testes rápidos IgG/IgM e de antígeno para detecção do coronavírus durante a pandemia da Covid-19. A decisão consta no Acórdão nº 397/2026, da 1ª Câmara do TCU e no Diário Oficial da União. Para situar o marco temporal, o fato gerador da condenação ocorreu no ano de 2021, período em que a pandemia da doença atingiu seu ápice em todo o território nacional.

Penalidades

O caso envolve dois contratos firmados com a empresa B&F Brasil Ltda, que somaram R$ 2.502.550,00. O TCU aplicou uma multa individual de R$ 20 mil tanto a Mazinho quanto à ex-secretária municipal de saúde, Nildete Lira do Nascimento.

Fundamento

O tribunal identificou fragilidades na contratação e na escolha do fornecedor. Mazinho foi considerado revel no processo por não apresentar defesa dentro do prazo estabelecido.

Esta nova sanção soma-se a outras investigações e cobranças recentes, como uma ação da prefeitura para recuperar R$ 3,6 milhões decorrentes de condenações anteriores do TCE e operações da Polícia Federal relacionadas ao uso de “Emendas Pix”.

Formalização

A Comissão Eleitoral da Universidade Federal do Acre (Ufac) tornou públicas na segunda-feira, 16, as chapas registradas na consulta eleitoral para os cargos de reitor e vice-reitor referentes ao quadriênio 2026–2030.

Oposição

Três movimentos formalizaram candidatura para a disputa. Pelo grupo “Radical é a mudança”, incorporando a direção contrária a atual gestão, concorre ao cargo de reitora Raquel Alves Ishii, tendo Sureda Mara Monteiro Vital como candidata a vice-reitora.

Terceira via

Já o movimento “Dialogando com as pessoas e construindo o futuro” lançou Josimar Batista Ferreira, atual vice-reitor, como candidato a reitor. A chapa é completada por Marco Antonio Amaro na candidatura a vice-reitor.

Continuidade

Completa a lista o movimento apoiado pela ala situacionista “Juntos pela Ufac”, que apresenta Carlos Paula de Moraes para reitor e Almecina Balbino Ferreira para vice-reitora. A consulta definirá a escolha da nova gestão que estará à frente da universidade no período de 2026 a 2030.

Largada

Depois de um início de ano morno em função do carnaval, propostas mais relevantes devem ser apreciadas nas próximas semanas pelo Congresso. O ano mais curto, por causa das eleições de outubro, deve fazer com quem os parlamentares ativem o modo turbo e operem de forma mais intensa até julho, quando os parlamentares retornarão para suas bases eleitorais em função do recesso do meio do ano.

Desafios

Com o escândalo do Banco Master tendo novos desdobramentos e a crise moral no STF, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, terão a missão difícil de se esquivar de proposições de CPIs e e CPMIs e de matérias que busquem esvaziar o Supremo.

Tudo isso para evitar que pautas prioritárias sejam contaminadas e não consigam avançar.

Prioridade

Prioridade do governo Lula, a PEC da Segurança Pública deve estar no centro das atenções dos deputados nas próximas semanas. O relator Mendonça Filho se reuniu com representantes do Executivo e ajustes podem ser feitos no texto para que o projeto seja votado entre o fim de fevereiro e o início de março.

Reavaliação

Após passar por alterações no Senado, o PL Antifacção será apreciado novamente na Câmara, onde o relator Guilherme Derrite, aliado de Jair Bolsonaro, deve tentar emplacar um parecer que desagrade a gestão petista.

Crivo

Já no Senado, a indicação de Jorge Messias ao STF finalmente deve ser apreciada. O titular da AGU ainda tem algumas conversas pendentes, mas há o entendimento, nos bastidores, que o ambiente político está mais favorável para a aprovação do nome escolhido por Lula para compor a Corte no lugar de Luís Roberto Barroso.

Cenário

Alcolumbre e boa parte dos senadores se sentiram desprestigiados, porque trabalharam pelo nome de Rodrigo Pacheco. Ao que parece, Lula teria conduzido bem a situação e o clima para a análise está muito melhor.

Polêmica à vista

Outro tema espinhoso que deve mexer com os ânimos do Congresso é a análise do veto do presidente ao PL da Dosimetria, que reduziria a pena de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O chefe do Congresso ainda não convocou sessão, mas a expectativa é que o veto seja derrubado por deputados e senadores. A base de Lula ainda tentará reverter o placar nas próximas semanas.

Efeito cascata

O Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. As duas instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

Motivação

Segundo o BC, a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.

Fundamentação

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, aponta o documento do BC que justifica a liquidação.

Fatiamento

Desde novembro de 2025, o Banco Central vem desmontando, em etapas, o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, após identificar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio para outras instituições.

Desossando o gorila

Na primeira fase, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais empresas do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora do conglomerado. Em janeiro de 2026, o BC ampliou a intervenção para a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo usado para ocultar prejuízos. No dia 21 de janeiro, foi decretada também a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após o fracasso da tentativa de venda e o bloqueio das operações com cartões da Mastercard.