Rio Branco, AC 28 de março de 2026 05:29
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CPMI do INSS indica prisão preventiva de Lulinha a autoridades

Fábio Luís Lula da Silva é indiciado por crimes como organização criminosa e tráfico de influência; prisão foi indicada pela relatoria em sessão

A manhã desta sexta-feira (27) começou com corrida contra o relógio para os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito ( CPMI), que investigam fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social ( INSS). O colegiado está reunido no Senado e o relatório final 4,4 mil páginas, começou a ser lido pelo relator da comissão que está listando os indicados para serem investigados pelo Ministério Público da União (MP) e autoridades competentes.

Dentre os indiciados estão o empresário Fábio Luís Lula da Silva ( “Lulinha”), que foi apontado pela relatoria na qualidade de investigado por crimes crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro.

“Lulinha” na mira

As investigações sustentam que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT) teria atuado como facilitador estratégico no suposto grupo criminoso, se valendo do seu “prestígio familiar” e “capacidade de trânsito” para abrir portas em órgãos públicos e garantir a manutenção do esquema.

Além do indiciamento, o deputado federal e relator, Alfredo Gaspar (União) sugeriu a prisão de Lulinha, justificando que há risco real de fuga para inviabilizar a aplicação da lei penal.

Segundo o texto da CPMI do INSS, Fábio recebeu mesadas gordas de aproximadamente R$ 300 mil por mês e fez viagens de luxo À Europa custeadas pelo lobista Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, apontado nas investigações tanto da comissão quanto da Polícia Federal como operador central do esquema.

Demais indiciados

Além dessas personas indicadas para investigação do MPU e autoridades competentes, a comissão anunciou o nome do deputado federal Euclydes Pettersen Neto ( Republicanos), que é apontado em integrar o esquema e de receber vantagens indevidas pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares ( Conafer).

Segundo o relator, “o parlamentar era identificado pelo codinome de herói e segundo a Polícia Federal era a pessoa melhor paga com propina no grupo, recebendo repasses mensais fixos” com recebimentos de cerca de de R$ 30 milhões.

Também constam no rol o ex-ministro da previdência Carlos Lupi e o ex-presidente do INSS, José Carlos Oliveira, a deputada federal Gorete Pereira (MDB) alvo de Operação recente da PF a pedido do STF – está usando tornozeleira eletrônica e teve prisão preventiva relaxada pelo MP -, apontados por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e ocultação de bens.

Início da sessão da reta final

Após breve leitura inicial das considerações, alertado pelo tamanho do relatório final, o senador Carlos Viana ( Podemos) determinou a leitura de pontos importantes e julgados essenciais pelo relator que elegeu as partes relevantes e iniciou pelos indiciamentos, que na conta da CPMI do INSS, passa de 200 indicados.

Há pressa entre os parlamentares, já que eles têm até sábado (28) para concluir tudo: leitura e votação. Isso após o Supremo Tribunal Federal ( STF) colocar um ponto final na expectativa de prorrogação dos trabalhos. O relatório sob a responsabilidade do senador e relato conta com mais de cinco mil páginas e mais de 220 indiciados indicados.

“Espero que nosso trabalho seja reconhecido pela PGR e que os indicados sejam indiciados”, declarou o presidente da CPMI do INSS, após a decisão do Supremo Tribunal nesta quinta (26).

Parlamentares da base do governo afirmaram nos bastidores da sessão final desta manhã que vão apresentar relatório paralelo, alternativo e com visão contrária à relatoria. Segundo o senador Rogério Correia (PT), o relatório conta com mais de 170 indiciamentos e com responsabilização direta de mais de 50 pessoas focando em dez núcleos de atuação.

“O nosso relatório pede aprofundamento pela Polícia Federal. Nele colocamos nove grupos que atuaram nesse rombo e mais um grupo de agentes políticos e servidores que se corromperam no processo”.

Comissão: rito final

Durante a abertura da sessão, Viana explicou qual será o rito final da CPMI do INSS e itinerário que segue uma ordem legislativa:

  • Iniciada a sessão com informes e falas pela ordem;
  • Leitura do relatório pelo relator;
  • Intervalo no meio do dia para almoço;
  • Retomada da leitura;
  • Espaço de pedido de vistas de até 1 hora;
  • Abertura para “questão de ordem” para apresentação de possível relatório paralelo;
  • Abertura para destaques dos parlamentares;
  • Debate sobre o relatório com previsão de até cinco horas;
  • Votação do relatório.

Segundo relatos a pouco do presidente da comissão, o objetivo é fazer a leitura do relatório e seguir para os votos, sem intervalos, podendo “durar quantas horas for”.