Rio Branco, AC 14 de março de 2026 14:41
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Continuação

Está previsto para o dia 17, próxima terça-feira, a apresentação do voto do ministro João Otávio Noronha, no Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no processo que ele pediu vistas em 17 de dezembro de 2025, que apreciava a Ação Penal 1.076, que julga o governador Gladson Cameli, no que ficou conhecido como ‘Operação Ptolomeu’ ou ‘Caso Murano’.

Remember

Para rememorar, após a apresentação do voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, na data citada na nota anterior, o ministro João Otávio de Noronha, que também é revisor do caso, suspendeu o julgamento ao pedir vistas. De acordo com o Regimento Interno do STJ, o ministro tinha um prazo de 60 dias, prorrogável por mais 30, para devolver os autos. Esse rito foi percorrido, transcorrendo 90 dias no próximo 17 de março.

Voto

Em dezembro, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação do governador a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado, além de multa, indenização de cerca de R$ 11 milhões e perda do cargo.

Mérito

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), pesa contra o governador a acusação dos crimes de organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Após o voto da ministra relatora, o ministro João Otávio de Noronha pediu vista, suspendendo o julgamento por até 90 dias.

Expectativa

O processo gera expectativa no meio político local porque pode resultar na suspensão dos direitos políticos do governador, que, ao ser condenado por uma corte colegiada, terá suspenso seus direitos políticos, inabilitando-o a concorrer no pleito de outubro próximo. Mudando, por conseguinte, boa parte da configuração ´do cenário político atual.

Palpitação

Conta Robson Bonin, colunista da revista Veja, edição deste final de semana, que no mesmo dia em que a maioria dos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu manter a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Vorcaro precisou receber atendimento médico no presídio federal da Papuda, em Brasília, onde ocupa sozinho e sem regalias uma cela de seis metros quadrados.

Comparativo

Nada se comparado com os 64,83 metros quadrados da cela de Bolsonaro na Papudinha, uma espécie de ala VIP do Complexo Penitenciário da Papuda e sede do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. A área total reservada a Bolsonaro é quase dez vezes superior ao mínimo previsto na Lei de Execução Penal, e bem acima dos padrões internacionais mínimos.

Transe

Vorcaro surtou ao receber a notícia de que seguirá preso. Assim decidiram os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, os dois primeiros nomeados para seus cargos por Bolsonaro. Fux votou pela absolvição de Bolsonaro no processo que condenou os golpistas do 8 de janeiro de 2023. No caso de Vorcaro, ainda falta votar o ministro Gilmar Mendes.

Acusações

O banqueiro é acusado de liderar uma organização criminosa que realizava fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores do Banco Central e uso de uma “milícia privada” para ameaçar jornalistas, ex-empregados e concorrentes. A milícia era chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, que se matou tão logo foi preso.

Reação

Vorcaro esmurrou as paredes da cela e chegou a gritar nomes de políticos e autoridades que tiveram relacionamento financeiro com ele e, neste momento, não estariam atuando em seu favor para tirá-lo da prisão. Ao recuperar-se do surto, a primeira coisa que ele fez foi trocar de advogado. Dispensou Pierpaolo Bottini e contratou o também criminalista José Luís Oliveira Lima, o Juca.

Pânico

Oliveira Lima tem larga experiência na negociação de grandes acordos de delação premiada. Os atuais advogados de Vorcaro já atuam para clientes que podem vir a figurar como delatados em um futuro acordo, o que configuraria conflito de interesses, caso os defensores continuassem o trabalho. A banda podre da República foi dormir, ontem, aflita sem saber que nomes Vorcaro gritou.

Palpos de aranha

Da memória do celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal já brotaram nomes de gente muito importante ligada a ele. Antonio Rueda, presidente do União-Brasil, foi um. Outro: Ciro Nogueira, senador e presidente do PP, “um grande amigo da vida”, segundo Vorcaro. E mais: Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, que negociou a compra do Master pelo Banco de Brasília.

Protagonismo

Uma eventual delação de Vorcaro poderá manchar a reputação de pessoas famosas, tais como os governadores Cláudio Castro (Rio) e Tarcísio de Freitas (SP), o presidente do Senado, David Acolumbre, o chefe da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa, o deputado Nikolas Ferreira, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. A Vorcaro parece estar reservado o papel de grande eleitor em outubro próximo. Só depende dele.

Enfermaria

O ex-presidente Jair Bolsonaro continua internado na UTI no hospital particular DF Star, em Brasília, para tratar uma pneumonia bacteriana. Segundo o boletim médico divulgado neste sábado, 14, Bolsonaro teve uma piora da função renal e elevação de marcadores inflamatórios. Não há previsão de alta.

Indicadores

Os marcadores inflamatórios, como ferritina, são usados para acompanhar a efetividade do tratamento. A redução indica que o paciente está respondendo bem ao protocolo. O aumento, como no caso de Bolsonaro, é um sinal negativo.

Medicação

O ex-presidente está fazendo tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa, fisioterapia respiratória e motora, além das medidas de prevenção de trombose. Ele é acompanhado por um cirurgião, dois cardiologistas e um médico intensivista.

Comparativos

Bolsonaro deu entrada no hospital na sexta, 13, depois de apresentar vômitos e falta de ar durante a noite na prisão. O caso é considerado grave, segundo o cardiologista Bruno Caiado. De acordo com o médico, o quadro atual que culminou na internação do ex-presidente é o “maior” e “mais acentuado” em relação às complicações passadas.