Rio Branco, AC 2 de março de 2026 17:42
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Cobrança

O senador Alan Rick (Rep) recrudesceu o discurso de contestação ao governo de Gladson Cameli (PP). No final de semana, em agenda que cumpria no Juruá, externou à imprensa que o secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, não respondeu de forma objetiva ao principal questionamento feito por seu mandato: a execução detalhada dos recursos já pagos para a realização de cirurgias eletivas no Vale do Juruá e o impacto real na redução da fila de pacientes que aguardam procedimentos.

Recursos

De acordo com o parlamentar, somente de emendas alocadas por seu mandato, foram pagos R$ 12 milhões no dia 18 de novembro de 2025 e outros R$ 5,7 milhões em 16 de dezembro de 2025, totalizando R$ 17,7 milhões destinados exclusivamente à realização de cirurgias eletivas. O objetivo, segundo ele, era reduzir uma fila que já ultrapassa duas mil pessoas, conforme solicitação feita pela própria direção do hospital da região ao seu gabinete.

Transparência

Alan Rick reclama da falta de transparência por parte da gestão de saúde estadual. Destaca que, até o momento, não foram apresentados dados objetivos sobre metas cumpridas, número de procedimentos realizados ou redução efetiva da fila. Para o senador, em vez de prestar contas com clareza, o secretário tenta justificar a situação sem apresentar informações detalhadas à população.

Realocação

O parlamentar afirma ainda que teve acesso ao Despacho nº 15102/2025/SESACRE, assinado pelo próprio secretário, autorizando a utilização de R$ 12 milhões da emenda para quitar pendências financeiras mensais da Secretaria de Estado de Saúde, no caso o desvio de recursos para o custeio, rubrica que não foi objeto de suas emendas. Segundo ele, a medida levanta questionamentos, já que dívidas correntes deveriam ser custeadas pelo orçamento regular da pasta, e não por recursos destinados especificamente à realização de cirurgias.

Indagação

“A pergunta que a população faz é simples: pagam dívidas, que são obrigação do orçamento próprio, e as pessoas doentes continuam esperando? Morrem na fila?”, declarou o senador, ao cobrar explicações mais transparentes sobre a aplicação dos valores.

Desvios de finalidade

Alan Rick reforçou que a emenda parlamentar teve finalidade definida e pactuada: a realização de cirurgias eletivas no Vale do Juruá. “Recurso público tem finalidade. E a finalidade dessa emenda era realizar cirurgias na região. Seguiremos exercendo nosso dever constitucional de fiscalizar a aplicação de cada centavo do recurso público, como sempre fizemos”, concluiu.

Laços

Após negar qualquer relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu a interlocutores que o lobista pagou sua passagem e estadia em Portugal. Os dois viajaram juntos para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de cannabis, mas o negócio não foi adiante. Lulinha é investigado pela PF e teve os sigilos quebrados pela CPMI no INSS por suspeita de envolvimento em fraudes no instituto. (Estadão)

Benfeitora

Ainda sobre o clã Silva, a primeira dama Janja da Silva operou como intermediadora entre empresas e a escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula neste ano na Sapucaí. Só de um empresário mineiro do setor de mineração, Janja conseguiu captar pessoalmente R$ 2,5 milhões. (Globo)

Manifesto

Convocados pelo deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram neste domingo na avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pano de fundo

O ato, no entanto, teve forte tom eleitoral, com manifestações de apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Os manifestantes também defenderam a liberdade do ex-presidente e a anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Flávio Bolsonaro chegou ao local usando colete à prova de balas e foi recebido com gritos de apoiadores. (Folha)

Revogação

O ministro do STF Gilmar Mendes anulou a decisão da CPI do Crime Organizado que determinava a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, da qual o ministro Dias Toffoli e seus irmãos são sócios. A medida abrangia o período de 2022 a 2026.

Extensão

Para recordar, na mesma sessão, a CPI também autorizou a quebra de sigilos do Banco Master e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Na decisão, Gilmar afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder por parte da CPI, ao incluir “circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração” da comissão. (Estadão)

Incógnitas

A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã entra no terceiro dia deixando um rastro de mortes e destruição no Oriente Médio e sem indicativos claros de um desfecho a curto prazo.

Desfecho

Os bombardeios americanos e israelenses começaram na manhã de sábado, com ataques que mataram, entre outras autoridades, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, líder supremo do país. No domingo violento, o Irã lançou ofensivas de retaliação contra Israel e países do Golfo Pérsico, enquanto Washington afirmou ter atingido mais de dois mil alvos em território iraniano.

Alvos

O Comando Central dos EUA declarou que continuou a ofensiva contra o programa iraniano de mísseis balísticos e contra a Marinha do país, destruindo o quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica e afundando ao menos um navio de guerra iraniano.

Insanidade

As Forças Armadas israelenses informaram que voltaram a bombardear “o coração de Teerã”, atingindo lançadores de mísseis, sistemas de defesa aérea, centros de comando e prédios do governo. Nesta madrugada, o Hezbollah atacou Israel, que respondeu bombardeando Beirute, matando ao menos 31 pessoas.

Vítimas

No Irã, dezenas já morreram desde o início dos ataques. De acordo com o governo, uma escola exclusiva para meninas foi atingida por um míssil, deixando mais de 160 crianças mortas. Outras dezenas de soldados, líderes do regime e civis foram mortos nos últimos dois dias. Em Israel, um míssil iraniano atingiu o abrigo antiaéreo de uma sinagoga nos arredores de Jerusalém, matando nove pessoas e deixando outras 60 feridas.

Baixas

Os Estados Unidos registraram as primeiras mortes entre suas tropas neste domingo, após ataques iranianos contra bases militares americanas em diferentes países do Oriente Médio. Segundo comunicado oficial do Pentágono, ao menos três soldados morreram e oito ficaram feridos por estilhaços. Sem aparecer publicamente desde o início da ofensiva, o presidente Donald Trump afirmou que novas mortes de militares americanos são “prováveis” durante a missão de combate no Irã. Ele também declarou nas redes sociais que a guerra pode durar até quatro semanas.

Surreal

Um clima de incredulidade tomou conta de Teerã neste domingo, enquanto o Irã tentava assimilar a nova realidade após a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Nas primeiras horas da manhã, multidões foram às ruas da capital e de outras cidades para celebrar a morte do líder. Horas depois, novos grupos — desta vez de apoiadores — também ocuparam as ruas para lamentar a morte, exibindo bandeiras iranianas e fotos de Khamenei.

Um comitê interino governará o país até que um novo líder supremo seja escolhido. Segundo Trump, os novos líderes iranianos já o procuraram para negociar, informação não confirmada por Teerã.

Contendores

Enquanto o Irã parece cada vez mais isolado, França, Alemanha e Reino Unido afirmaram neste domingo, em comunicado conjunto, que estão preparados para adotar “as ações defensivas necessárias e proporcionais” para destruir as capacidades militares do Irã. Na Inglaterra, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que o Reino Unido não participou dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel. Ele afirmou, no entanto, que o Irã está “atingindo interesses britânicos e colocando em risco cidadãos do Reino Unido e nossos aliados na região”.

Álibi

Para justificar o ataque ao Irã sem autorização prévia do Congresso, Donald Trump afirma que o regime de Teerã representa uma ameaça iminente aos Estados Unidos. Entretanto, até o momento, a Casa Branca vem apresentando explicações diferentes e sem provas do perigo imediato. Trump precisa de uma justificativa sólida diante da reação do Legislativo por ter sido ignorado e de pesquisas indicando que boa parte de seu eleitorado é contra o conflito.

Rescaldo

Em decorrência dos ataques perpetrados pelos EUA e Israel ao Irã, o preço do petróleo disparou nesta segunda-feira com o fechamento efetivo do estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia por onde passam 20% do petróleo consumido anualmente no mundo.

Mercado

O preço do brent cru saltou 13% na abertura dos negócios, chegando a US$ 82 o barril, a maior alta em 14 meses. Analistas afirmam que, se o conflito não apresentar sinais de solução nos próximos dias, o petróleo poderá ultrapassar novamente a barreira de US$ 100 por barril. Neste domingo, um navio petroleiro foi atacado no estreito de Ormuz.

Leitura

O cálculo de Trump combina objetivos estratégicos amplos e ambição política, mas os ataques também podem fracassar de forma mais estrutural. O regime iraniano já vinha se preparando há anos para a sucessão de Khamenei, líder idoso e com problemas de saúde. O resultado é absolutamente incerto.