Rio Branco, AC 1 de abril de 2026 16:07
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Cheia do Rio Juruá desabriga duas famílias em Cruzeiro do Sul

Três famílias foram retiradas de casa, sendo que duas estão na Escola Municipal Rita de Cássia e outra está na casa de parentes. Manancial teve aumento de 24 centímetros nesta quarta-feira (1º) em Cruzeiro do Sul

Com a constante subida do nível do Rio Juruá, que registrou 13,85 metros nesta quarta-feira (1º), as primeiras famílias atingidas pelas águas do manancial já começaram a ser levadas para os abrigos montados pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Em comparação com o dia anterior, houve um aumento de 24 centímetros.

O nível de alerta máximo do manancial é de 13 metros, marca esta ultrapassada na segunda-feira (30). Ao todo, 1.650 famílias e 6,6 mil pessoas estão afetadas pela cheia que atinge, direta ou indiretamente, 11 bairros da cidade, outras 12 comunidades rurais e três vilas que estão sendo monitoradas pela Defesa Civil municipal.

Três famílias da comunidade Boca do Moa e bairro da Várzea foram retiradas de suas casas devido a cheia do rio. Duas destas estão abrigadas na Escola Municipal Rita de Cássia, localizada no bairro do Cruzeirão. Já a outra foi para casa de parentes. Ao todo, 15 pessoas já estão no local disponibilizado pela gestão municipal, com capacidade para receber sete famílias.

A remoção das famílias teve início na tarde dessa segunda-feira (31). No abrigo serão fornecidos café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção das famílias para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica em 30 residências.

Além da escola Rita de Cássia, também foram definidos como abrigos pela prefeitura, caso o número de desabrigados continue subindo:

  • Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves;
  • Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças;
  • Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo; e
  • Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal.


As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas.

A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também estão afetados pelo aumento das águas.

  • Os locais atingidos pelas águas na zona urbana são: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro Centro.
  • Já as comunidades rurais afetadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia e Ramal do Escondido.
  • As vilas afetadas são: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Rio Juruá em Cruzeiro do Sul transborda pela 4ª vez em 3 meses — Foto: Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul

Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.

Cheias recentes

No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.

Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal.

Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia. Ao todo, 1.650 famílias enfrentaram prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município.

Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.

A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.