O protesto seria contra a alta do óleo diesel, que subiu cerca de 19% desde o fim de fevereiro, marcado pelo início do conflito no Oriente Médio
Após adiar o início da greve, prevista para a última sexta-feira (20), representantes dos caminhoneiros afirmam que, por ora, não há previsão para a paralisação. O protesto seria contra a alta do óleo diesel, que subiu cerca de 19% desde o fim de fevereiro. Conforme a categoria, o índice, sob influência do mercado internacional do petróleo, torna o transporte de cargas caro e difícil de sustentar.
Ao iG, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) , Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, aponta que as lideranças da categoria se reunirão em Brasília, a partir da segunda-feira (20), para propor emendas fundamentais sobre seguros e limites de carga. O objetivo central é garantir que a nova legislação atenda plenamente aos interesses e à segurança dos motoristas.
“Agora, a gente vai trabalhar junto com todas as lideranças, a partir de segunda-feira (20), em uma reunião em Brasília para a gente colocar as emendas dentro da MP [Medida Provisória nº 1.343/2026] para proteger a categoria (…) Mas, a gente continua em estado de alerta”.
Wallace Landim
Para Wagner Jones de Almeida, presidente da Federação dos Transportadores Autônomos de Cargas do Estado de Minas Gerais e membro da Confederação Nacional do Transporte Autônomo (CNTA), uma paralisação não deve ocorrer. À reportagem, ele reconhece a dificuldade em importar o diesel no contexto atual, mas também alerta sobre a alta do combustível.
Sobre a reunião com as lideranças, Almeida salienta que a CNTA levará algumas pautas que possam ser incluídas na MP. “Eu creio que não será muita coisa [para acrescentar]”. Apesar de, em um primeiro momento, descartar a possibilidade de uma paralisação, ele observa que a categoria pode parar diante de uma possível falta de diesel.
“Não será uma paralisação da categoria, mas pela falta do combustível. Nesse cenário, não será possível rodar, além de impactar o setor rodoviário”.
Wagner Jones de Almeida
Regulamentação da MP
O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, detalharam, durante coletiva de imprensa, em Brasília, na sexta-feira (20), a resolução que regulamenta a Medida Provisória nº 1.343/2026. A normativa visa estabelecer novas regras para o transporte rodoviário de cargas no país.
As novas determinações estabelecidas pela MP trazem mudanças significativas para a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, focando na fiscalização mais rigorosa e aplicação de penalidades para o descumprimento dos valores estabelecidos.
Confira os principais pontos discutidos na normativa:
“Com essa medida provisória, teremos instrumentos mais efetivos para fazer uma fiscalização firme em cima de quem descumpre a tabela do frete, o que vai ajudar o caminhoneiro nesse momento de alta do preço internacional do petróleo, é mais uma demanda da categoria que o governo atendeu”, afirmou o ministro dos Transportes Renan Filho.
Conforme salientado pela pasta, a Medida Provisória está válida por 60 dias até a aprovação do Congresso Nacional. “Cuidar do preço mínimo do frete, nesse momento, é ajudar o caminhoneiro, sobretudo o autônomo”, ressalta Filho.
Nesta sexta-feira (20), o Ministério da Justiça e Segurança Pública realizará uma coletiva para apresentar mais medidas de combate ao aumento no preço dos combustíveis.
Pressão com aumento do diesel
Em meio ao cenário de alta dos combustíveis, caminhoneiros em Santa Catarina chegaram a anunciar uma paralisação na quinta-feira (19), também motivada pelo aumento do preço do diesel e pela dificuldade de repasse dos custos ao frete. No entanto, o movimento foi adiado, assim como a mobilização nacional prevista para a sexta-feira (20).
A pressão sobre a categoria acontece no contexto de valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Ataques a estruturas estratégicas de energia na região elevaram o risco de interrupção na oferta mundial, o que fez o preço do barril superar os US$ 115.
Ainda nesse cenário, a Petrobras anunciou reajuste que elevou em R$ 0,38 por litro o preço do diesel vendido às distribuidoras. Com isso, o valor médio passou a R$ 3,65 por litro, com impacto estimado de cerca de R$ 0,32 no preço final ao consumidor.
Apesar de medidas adotadas para conter os efeitos, como a zeragem dos impostos federais PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de um programa de compensação para distribuidoras, o custo segue pressionando o setor.
Segundo os caminhoneiros, os principais problemas são a dificuldade de repassar os aumentos ao valor final do serviço, devido a defasagem da tabela de frete nacional, e a ausência de fiscalização sobre preços abusivos das distribuidoras, o que reduz as margens de lucro e amplia o risco de paralisações.


