Rio Branco, AC 16 de fevereiro de 2026 18:07
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Base e oposição reagem a homenagem a Lula na Sapucaí, no Rio

Parlamentares governistas celebraram a narrativa sobre a trajetória do presidente no samba-enredo; adversários classificaram espetáculo como campanha

O brilho das lantejoulas deu lugar ao fogo cruzado da político na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, neste domingo (15). Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula o operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói transformou a Marquês de Sapucaí em um campo de batalha ideológico. Enquanto a escola narrava a trajetória do presidente, a internet se tornou um campo de batalha à parte: Políticos da base e opositores do governo reagiram em tempo real.

As reações evidenciaram que o Carnaval 2026 é um verdadeiro abre-alas eleitoral que se avizinha. O presidente Lula acompanhava dos camarotes junto a aliados, o desfile. Veja a seguir os posicionamentos que pautaram o debate nas últimas horas:

Oposição aponta a “Propaganda antecipada e escárnio”

Para opositores do governo, parlamentares de direita classificam a homenagem como um uso indevido da máquina cultutal para fins eleitorais, focando especialmente nas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em carros alegóricos.

Damares Alves (Senadora – Republicanos): “A tentativa de canonizar um político em pleno ano eleitoral ultrapassa todos os limites da arte. Já acionamos nossos mecanismos jurídicos para que a Justiça Eleitoral avalie esse claro abuso de poder”.

Sérgio Moro (Senador – União Brasil): “Foi digno da Coréia do Norte. Um desfile de escola de samba financiado pelo próprio governo federal, enaltecendo o Lula, omitindo os vários escândalos de corrupção: Mensalâo, Petrolão e agora desse próprio governo como o do INSS, do próprio Banco Master. Não pode usar o dinheiro público, desfile de escola de samba para atacar adversário político. Esse foi um dos episódios mais baixos de abuso de poder político, na história da nossa República”.

Nikolas Ferreira (Deputado Federal – PL): “Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inegibilidade vitalícia”, disparou Nikolas em suas redes na noite de domingo, após o início do desfile”.

A voz da base: “Reparação histórica e cultura popular”

Do outro lado, aliados do governo afirmam que o desfile foi uma exaltação legítima de uma figura que personifica a ascenção social no Brasil.

Anielle Franco (Ministra – PT): “Ver o combate à fome e a força da mulher nordestina, representada por Dona Lindu, no Centro da maior festa do mundo é um ato de afirmação política e cultural necessária. O samba é, por essência, um espaço de denúncia e celebração do povo”.

Gleisi Hoffmann (Deputada Federal e Presidente do PT): “Homenagear a trajetória de um operário que virou presidente é celebrar a própria história do povo brasileiro e sua resiliência. A Niterói fez cultura, história e arte, não campanha. Tentar calar o samba é o verdadeiro ato antidemocrático”.

Lindbergh Farias (Deputado Federal – PT): “A emoção que vimos na Avenida ontem prova que o povo se reconhece na figura do Lula. Foi um desfile histórico, que lavou a alma de quem acredita em um Brasil inclusivo. A Sapucaí cantou a esperança que voltou”.

Blindagem e “Areia Movediça”

Nos bastidores da Sapucaí, o clima entre a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) foi de uma “euforia vigiada”. Ciente de que cada metro do desfile seria analisado por lupas jurídicas e políticas, o diretório nacional do partido emitiu, na última semana, uma “cartilha” rígida de comportamento para militantes e autoridades. O documento vetou explicitamente qualquer menção eleitoral à Lula ou que configurasse pedido de voto. A mensagem foi clara: enquadrar o desfile como uma “manifestação cultural e resgate histórico”, na tenttando desarmar acusações de propaganda antecipada.

O cenário do desfile foi comparado pela ministra Carmém Lúcia a “areia movediça” jurídica, alertando para sanções caso o samba virasse palanque. Com o desfile concluído, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), deve analisar as imagens para decidir se limites foram ultrapassados e a quem responsabilizar, caso comprovado.