Rio Branco, AC 11 de março de 2026 15:22
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Banco Master levou ministros do STF a evento que custou R$ 31 mi

Documentos da Polícia Federal enviados à CPMI do INSS indicam gasto em encontro em Londres com autoridades brasileiras e shows internacionais

Um evento patrocinado pelo Banco Master reuniu ministros do Supremo Tribunal Federal e autoridades brasileiras em Londres, na Inglaterra, em abril de 2024. Documentos da Polícia Federal (PF) enviados à CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que o encontro custou cerca de US$ 6 milhões. Na cotação atual, o valor chega a aproximadamente R$ 31 milhões.

Participaram do encontro, de acordo com o Estado de Minas, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Ao todo, cerca de 40 autoridades brasileiras viajaram à capital britânica entre 24 e 26 de abril. Elas participaram do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, patrocinado pelo Banco Master.

A empresa British American Tobacco e o grupo Voto também participaram da organização do evento. Documentos da organização mostram que a programação incluiu seminários, jantares e encontros privados. Parte das atividades ocorreu em clubes exclusivos e espaços culturais de Londres. O evento recebeu cerca de 60 convidados.

Um dos encontros ocorreu no George Club, um clube privado da cidade. O local recebeu uma degustação do whisky escocês Macallan. O custo do evento chegou a US$ 640.831,88. No câmbio da época, o valor ficou perto de R$ 3 milhões.

No mesmo encontro, os aperitivos custaram 1.770 euros, valor que corresponde a cerca de R$ 12,2 mil. A apresentação de DJ custou 720 euros, cerca de R$ 5 mil.

Os documentos também registram outras despesas. A segurança dos convidados custou US$ 466 mil, mais de R$ 2,40 milhões. A banda que tocou em um dos jantares recebeu US$ 220 mil, cerca de R$ 1,14 milhões. O evento também incluiu apresentações de artistas internacionais.

Entre eles estavam o grupo Keinemusik, o cantor britânico Seal e o dançarino ucraniano Nikita Kuzmin. Os shows custaram cerca de US$ 1 milhão, mais de R$ 5 milhões. Somados, os gastos do encontro chegam a aproximadamente R$ 31,4 milhões.

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Evento apareceu em relatório da Polícia Federal

Os dados, citados em reportagem do Estado de Minas, aparecem em documentos ligados à agenda internacional do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Polícia Federal citou o encontro em relatório sobre a relação de Vorcaro com o ministro Dias Toffoli. O episódio apareceu em uma sessão reservada do STF realizada em 12 de fevereiro. O tribunal discutiu nessa ocasião a suspeição de Toffoli no caso que investiga o banco.

Na sessão, Alexandre de Moraes afirmou que a presença de Toffoli no evento não justificaria impedimento na relatoria. Ele afirmou: “Nesse encontro (em Londres), vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan”.

Autoridades participaram de debates

A programação do fórum incluiu cinco painéis de debates. Os encontros discutiram segurança jurídica para investimentos, processo eleitoral e impactos da Inteligência Artificial nas eleições. Outro tema tratado foi o papel do Judiciário na estabilidade democrática.

Ministros de tribunais superiores, parlamentares e integrantes do Executivo participaram das discussões. Entre os nomes listados estavam Gilmar Mendes, Jorge Messias, Ricardo Lewandowski, Michel Temer, Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre.

Cada convidado teve cerca de 10 minutos para apresentação antes do início das discussões. Os documentos do evento não detalham quais autoridades participaram de cada atividade específica.

Investigação do Banco Master

O nome do Banco Master aparece no centro de uma investigação federal sobre suspeitas de fraudes financeiras. A apuração envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, e investiga a possível comercialização de títulos de crédito considerados irregulares pelas autoridades.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Na ocasião, a Polícia Federal apontou risco de fuga quando ele tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A investigação ganhou novos desdobramentos com a Operação Compliance Zero. A ação resultou em prisões e mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo. Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado um esquema bilionário baseado em títulos de crédito supostamente falsos.

O banqueiro também era esperado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional. No dia do depoimento, porém, ele acabou preso novamente. Atualmente, Vorcaro está detido no Presídio Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.

Além das suspeitas de fraude financeira, os investigadores apuram possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A investigação segue em andamento.