Rio Branco, AC 17 de março de 2026 14:36
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Banco Central manda liquidar banco do grupo Master

Decisão encerra regime especial aberto em 2025 e mantém bloqueio de bens após intervenção para tentar salvar empresa do mesmo conglomerado

O Banco Central determinou nesta terça-feira (17) a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo S.A. A medida encerra o regime especial que tentava manter a instituição em funcionamento desde novembro de 2025.

Na prática, a decisão significa que o banco deixa de operar e entra em processo de encerramento, com pagamento de credores e apuração de responsabilidades.

O regime havia sido criado por 120 dias para tentar preservar as atividades do grupo financeiro. Segundo o Banco Central, essa tentativa perdeu sentido depois que a principal empresa ligada ao banco, a Will Financeira, também entrou em liquidação em janeiro deste ano.

Sem essa estrutura, o relatório final apontou que não havia mais condições de continuidade.

O Banco Central informou que manteve o bloqueio de bens dos controladores e administradores. A autoridade também segue investigando possíveis irregularidades.

Entenda o que muda com a liquidação

A liquidação extrajudicial é uma medida usada quando o Banco Central conclui que a instituição não tem mais viabilidade.

Nesse modelo, o banco para de operar sob intervenção direta do regulador. Um liquidante passa a administrar o processo, que inclui vender ativos e pagar dívidas.

Como o Banco Master Múltiplo não captava depósitos do público, o impacto direto sobre correntistas tende a ser limitado. Ainda assim, credores e parceiros podem ser afetados pelo encerramento das atividades.

A decisão também é uma espécie de avanço das apurações sobre o grupo financeiro. O Banco Central afirmou que continua adotando medidas para identificar responsabilidades dentro dos limites legais.

Nos últimos meses, empresas do grupo passaram por intervenção e liquidação. A Will Financeira, considerada peça central na operação, teve a liquidação decretada em janeiro de 2026.

A partir dessa decisão, o Banco Central avaliou que não havia mais base para manter o regime especial no Banco Master Múltiplo.

Investigação do Banco Master

O nome do Banco Master aparece no centro de uma investigação federal sobre suspeitas de fraudes financeiras. A apuração envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, e investiga a possível comercialização de títulos de crédito considerados irregulares pelas autoridades.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Na ocasião, a Polícia Federal apontou risco de fuga quando ele tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A investigação ganhou novos desdobramentos com a Operação Compliance Zero. A ação resultou em prisões e mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado pode ter movimentado um esquema bilionário baseado em títulos de crédito supostamente falsos.

O banqueiro também era esperado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional. No dia da oitiva, porém, ele acabou preso novamente. Atualmente, Vorcaro está detido no Presídio Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.

Além das suspeitas de fraude financeira, os investigadores apuram possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A investigação segue em andamento.

Na última sexta-feira (13), o STF formou maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro.