Rodovia foi desbloqueada às 17h do domingo (22) após negociação com a Polícia Rodoviária Federal. Moradores cobram melhorias e conclusão da obra do Hospital Geral de Feijó
Após três dias de bloqueio e protesto organizado por cerca de 50 moradores, a BR-364 foi liberada no km 490, em Feijó, no interior do Acre, no fim da tarde de domingo (22). A manifestação, iniciada na sexta-feira (20), cobrava melhorias na saúde pública e a conclusão da obra do Hospital Geral do município.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), negociações foram feitas com os manifestantes para desobstruir a via.
Durante os dias de interdição, apenas veículos prioritários, como ambulâncias e caminhões de carga viva, tinham passagem liberada. Os demais motoristas tinham que esperar até quatro horas para seguir viagem.
Em nota emitida nesta segunda-feira (23), a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informaram que o primeiro bloco da nova unidade hospitalar será entregue até abril deste ano.
O texto afirmou ainda que a obra soma investimento superior a R$ 5 milhões, com recursos estaduais e federais liberados nos últimos três anos após entraves burocráticos. (Confira a nota completa ao final da reportagem)
A mobilização foi motivada por denúncias de negligência médica e por pedidos de reforma e conclusão da nova estrutura do hospital da cidade.
Segundo os manifestantes, a unidade enfrenta problemas estruturais e dificuldades no atendimento à população.
Ainda de acordo com a PRF, a situação permaneceu controlada durante todo o ato, com liberações periódicas para evitar desabastecimento e garantir o transporte de pacientes.
Polêmicas no Hospital de Feijó
Em janeiro de 2024, a família de Maria Daiane Souza da Silva, de 25 anos, acusou a equipe médica da maternidade da unidade de negligência após a morte dela. Daiane foi submetida a uma cesariana para o nascimento do terceiro filho, apresentou hemorragia e sofreu uma parada cardíaca durante a madrugada, não resistindo.
Em fevereiro do mesmo ano, o Ministério Público do Acre (MPAC) abriu procedimento para apurar possível falha do hospital após a unidade se recusar a realizar aborto em uma gestante de feto anencéfalo.
O órgão recomendou que o hospital garantisse o procedimento, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que desde 2012 autoriza a interrupção da gravidez nesses casos.
Mais recentemente, em 19 de maio de 2025, a morte de Diogo Silva Albuquerque, de 12 anos, também gerou questionamentos. A família acusou a unidade de negligência. O adolescente morreu de sepse associada a celulite após um ferimento na perna. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) afirmou que não houve omissão ou demora no atendimento.
Nota sobre a conclusão da obra do Hospital de Feijó
A respeito da manifestação pública realizada em Feijó, o governo do Estado do Acre reafirma o seu compromisso com a conclusão da obra do Hospital e informa que o primeiro bloco da nova unidade será entregue até o mês de abril, o que ampliará significativamente a capacidade de atendimento à população local e regional.
Ressaltamos que a obra representa um investimento superior a R$ 5 milhões. Tais recursos são provenientes do Estado e de repasses federais, por meio do Ministério da Saúde, destinados ao Estado em 2013 e, em decorrência de entraves burocráticos e desafios com empresas e contratos, hoje devidamente solucionados, somente foram liberados nos três últimos anos. É fundamental esclarecer que estes recursos não são oriundos de emendas federais.
É lamentável que o processo eleitoral de 2026 contamine a execução de uma obra vital que beneficiará mais de 30 mil habitantes, fortalecendo a infraestrutura hospitalar da região.
A prioridade do governo do Acre é consolidar uma Saúde pública estruturada, moderna e funcional em todos os municípios. Nosso compromisso é garantir ambientes adequados para os profissionais de saúde e assegurar um atendimento digno e humanizado à população.