Rio Branco, AC 7 de maio de 2026 06:03
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Após determinação judicial, casa de idoso que acumulava lixo passa por limpeza em Rio Branco

Equipes de diversas secretarias da prefeitura da capital começaram mutirão na casa do homem nesta quarta (6). Objetivo é terminar ação na quinta (7). Homem segue internado

Após a decisão judicial que determinou a limpeza da casa de um idoso que acumulava lixo e objetos em Rio Branco, equipes de diversas secretarias da capital iniciaram nesta quarta-feira (6) a operação de limpeza na residência do homem. O objetivo é que a ação seja concluída já na quinta-feira (7).

Moradores do bairro Jardim Tropical relatam problemas há pelo menos quatro anos. Segundo a vizinhança, o acúmulo de resíduos tornou o ambiente insalubre, com presença de animais peçonhentos e risco à saúde coletiva.

De acordo com o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Ivan Ferreira, a situação é acompanhada desde o ano passado junto ao Ministério Público do Acre (MP-AC).

Além da Assistência Social, a ação envolve ainda as secretarias municipais de Cuidados com a Cidade (SMCCI), Meio Ambiente (Semeia) e Saúde (Semsa). Conforme Ivan, o órgão dialogou com o proprietário do imóvel, além dos vizinhos dele, para iniciar o mutirão de limpeza.

“Apenas hoje [6] nós estamos aqui cumprindo uma decisão judicial. Mas, além disso, de chegar a esse momento foram feitos vários estudos de casos, o Ministério Público nos ajudou muito, além do Tribunal de Justiça”, disse.

Ainda de acordo com o secretário, o idoso não tem intenção de continuar morando em Rio Branco. O objetivo dele é vender o imóvel e seguir para o Rio Grande do Norte.

“Ele também está guardando a alta médica, pois fez uma cirurgia, para então seguir ao seu destino. Seguimos trabalhando e acompanhando […] para garantir os direitos fundamentais e a dignidade desse morador”, detalhou.

O secretário explicou também que a previsão de a limpeza ser feita em dois dias deve-se ao fato de haver muitos resíduos acumulados e, por isso, ser necessário fazer a separação adequada dos objetos.

“Então, prevemos que até amanhã [quinta, 7] possamos concluir a limpeza aqui do local, porque além de recolher os lixos, nós vamos também estar fazendo a limpeza com o caminhão pipa do local”, afirmou.

Objetivo é que limpeza de casa de idoso que acumulava lixo e objetos em Rio Branco seja concluída nesta quinta-feira (7) — Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre

‘Situação lamentável’

Raimundo Barros é amigo do idoso e afirmou que a situação na qual chegou a situação é lamentável. Segundo ele, o idoso contribuiu muito na época em que trabalhava para a Universidade Federal do Acre (Ufac).

“Porque ele é um profissional digno, chegou no Acre em 1975 […] infelizmente teve esse problema, que eu não sei te dizer qual é o diagnóstico, mas é uma pena, porque é uma pessoa digna, é um profissional muito importante, e deu muita contribuição para a universidade”, reiterou.

Raimundo Barros é amigo do idoso que acumulava lixo e objetos em Rio Branco — Foto: Reprodução

Decisão judicial

A decisão judicial que determinou a limpeza da casa do idoso foi publicada após ação apresentada pelo MP-AC no dia 22 de abril e estabelecia que o imóvel passasse por intervenção sanitária em até 72 horas, com a retirada de lixo, sucata e demais materiais.

Além disso, o idoso, que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro da capital, deverá ser acompanhado após a alta. O município deverá garantir acolhimento adequado, com encaminhamento para abrigo ou oferta de cuidador, caso ele retorne para casa em condições seguras.

A ação deve envolver órgãos como a Vigilância Sanitária, equipes ambientais e o controle de zoonoses, com apoio de profissionais da assistência social.

Morador acumulava lixo e entulho em casa — Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre

Relatórios técnicos que embasaram o pedido apontaram condições consideradas graves dentro da residência, incluindo risco de proliferação de doenças e até possibilidade de incêndio. O entendimento da Justiça foi de que há ameaça não apenas ao idoso, mas também à segurança dos moradores da região.

A prefeitura já acompanhava a situação antes da decisão, mas afirmava não poder entrar no imóvel sem autorização judicial por se tratar de propriedade privada. Com a medida, as equipes ficam autorizadas a fazer a intervenção e devem apresentar relatórios detalhados sobre as ações adotadas.