Ex-presidente deixa quadro de sócios após votação do Conselho Deliberativo no Parque São Jorge; torcida protesta e comemora decisão
O ex-presidente Andrés Sanchez foi expulso do quadro de associados do Sport Club Corinthians Paulista após decisão do Conselho Deliberativo tomada na noite desta segunda-feira, no Parque São Jorge. A punição foi aprovada por ampla maioria em razão do uso indevido do cartão corporativo do clube para despesas pessoais.
Dos 167 conselheiros presentes, 112 votaram pela expulsão de Andrés, o equivalente a 67,1% dos votos. Outros 49 foram contrários à medida, enquanto seis se abstiveram. O comparecimento representou 58,8% do total de conselheiros aptos.
A decisão seguiu parecer da Comissão de Ética, elaborado pelo presidente em exercício do Conselho, Leonardo Pantaleão, que recomendava a exclusão do ex-mandatário do quadro social.
Após a votação, Pantaleão explicou que Andrés será formalmente comunicado para que a punição passe a valer oficialmente.
“O procedimento dentro do clube está esgotado. Eventualmente, caso ele entenda levar essa questão para discussão judicial, é direito dele”, afirmou.
A defesa do ex-presidente não se pronunciou até a última atualização da reportagem.
Clima tenso e protestos no Parque São Jorge
O dia foi marcado por forte mobilização de torcedores e esquema reforçado de segurança na sede social do Corinthians. Policiais militares, civis e centenas de seguranças acompanharam a movimentação durante toda a tarde.
Torcedores organizados chegaram ao local com faixas exigindo punição ao ex-presidente. Entre as mensagens exibidas estavam frases como “quem prejudica o clube não nos representa” e “não há mais espaço para tolerância”.
Antes da reunião, também surgiram manifestações em defesa de Andrés, com faixas pedindo que o ex-dirigente não fosse expulso. Parte do material acabou retirada por torcedores.
Um caminhão de som estacionado na entrada do clube tocou o hino corintiano e músicas provocativas durante a votação. Após a confirmação da expulsão, houve comemoração com fogos de artifício e espuma de sabão em frente ao Parque São Jorge.
Defesa tentou barrar votação aberta
Durante a sessão, o ex-presidente Mario Gobbi solicitou que a votação fosse realizada de forma secreta e questionou a ausência de punições alternativas, como suspensão.
Apesar do pedido, Pantaleão manteve o modelo de voto aberto, com registro individual do posicionamento de cada conselheiro.
O relatório final da Comissão de Ética foi apresentado pelo conselheiro Rodrigo Bittar. Na sequência, a defesa de Andrés teve direito à manifestação antes do início da votação.
Acusações envolvem gastos pessoais e itens de luxo
A investigação interna apontou que Andrés utilizou o cartão corporativo do Corinthians para despesas particulares entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021.
Segundo o Ministério Público, os gastos indevidos somariam R$ 480 mil, já corrigidos com juros e inflação. Entre as despesas listadas aparecem compras de relógios de luxo, gastos em farmácias, churrascarias, lojas de roupas, hospital, laboratório clínico, barbearia, além de hospedagens e passeios turísticos.
Também foram identificadas despesas em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, destino onde Andrés costuma passar o Réveillon, além de gastos em restaurante de Fernando de Noronha sem compromissos oficiais do clube.
O ex-presidente admitiu parte do uso irregular, alegando ter confundido o cartão corporativo com o pessoal. Andrés afirmou ainda que não houve dolo ou má-fé e que parte das despesas tinha relação institucional. Segundo sua defesa, houve ressarcimento parcial ao clube.
Ex-dirigente também responde na Justiça
Além do processo interno no Corinthians, Andrés responde judicialmente a denúncias do Ministério Público relacionadas ao caso.
Em uma das ações, ele é acusado de apropriação indébita. Já outra denúncia, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e crime tributário, acabou rejeitada em primeira instância.
O caso também atingiu o ex-presidente Duílio Monteiro Alves, que se tornou réu por apropriação indébita após denúncia aceita pela Justiça.
Já em relação a Augusto Melo, o Ministério Público pediu o arquivamento da investigação por não identificar irregularidades no uso do cartão corporativo entre 2024 e 2025.


