Rio Branco, AC 21 de setembro de 2026 14:42
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Alinhamento de Flávio Bolsonaro com Trump seria bom ou ruim para o Brasil?

O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) dedica três páginas para descrever como seria a sua política externa. Em termos econômicos, o foco está na abertura comercial, na atração de investimentos, na retomada da adesão à OCDE e na integração tecnológica com outros mercados. Em contradição com gestos e palavras do candidato nos últimos meses, porém, o texto afirma que a diplomacia não será guiada pela ideologia e que negociará com todos os parceiros, entre os quais a China, a União Europeia e os Estados Unidos, de acordo com a defesa do interesse nacional, não com a “simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”. Certamente é o que a maioria dos eleitores gostaria de escutar.

O próprio Flávio, contudo, já externou sua convicção de que terá, com Trump, uma relação privilegiada, por conta da afinidade ideológica. Em 2025, o bolsonarista comemorou tarifas e sanções dos Estados Unidos contra o Brasil como instrumentos de pressão para evitar o destino penal de seu pai, Jair Bolsonaro. Depois, reformulou sua posição, dizendo-se contrário ao tarifaço. Primeiro, porque beneficiaria Lula nas eleições. Segundo, porque, segundo Flávio, uma vez na Presidência, ele poderá negociar as questões comerciais “de igual para igual” com Trump.

Esse argumento parte do princípio de que na origem das tensões atuais entre Estados Unidos e Brasil estão apenas as diferenças políticas entre Trump e Lula, e nada mais. Se assim fosse, é de se inferir que Flávio não teria dificuldade em ceder às condições de ordem econômica contidas na lista de 21 exigências que os Estados Unidos fizeram ao Brasil no ano passado, conforme revelou o Estadão: mudanças na gestão do Pix, ingerência nas exportações de soja, preferência na exploração de terras raras, entre outras. Em troca, Trump pouparia o Brasil das tarifas proibitivas e os dois países viveriam felizes para sempre.

Não é tão simples. A afinidade ideológico-partidária como parâmetro para a aproximação entre dois países encontra limites quando há outras variáveis por exemplo, a nova conjuntura geopolítica ou a influência dos interesses empresariais. Por conta dessas variáveis, o plano de governo de Jair Bolsonaro em 2022 enfatizava a atuação do Brasil no Brics. Já seu filho, Flávio, cogita deixar esse grupo de países emergentes, que enfrenta a antipatia de Trump.

O presidente americano está disposto a exigir mais de governos alinhados. O Brasil está disposto a ceder?

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