Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 22:50
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Alea jacta est

Cercado de empresários, capitaneados pelo presidente da Federação da Agricultura do Acre, Assuero Veronez e outros empresários, principalmente do ramo do agronegócio, o prefeito da capital, Tião Bocalom (PL), lançou na data de ontem, 19, sua candidatura ao governo do estado do Acre, escolha que ocorrerá em primeiro turno no próximo dia 04 de outubro e, se necessário, o segundo turno em 25 do mesmo mês.

Curiosidades

O ato de lançamento ocorreu no auditório da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agrícola do Acre (Acisa). Chamou atenção que poucos vereadores de sua base na Câmara Municipal de Rio Branco compareceram ao anúncio, assim como foi notada a ausência de deputados estaduais e lideranças de seu próprio partido, o PL. O senador Márcio Bittar e seu filho João Paulo, dirigentes da sigla no Acre, foram as ausências mais notadas. Bittar e o rebento também não se pronunciaram sobre a candidatura do prefeito.

Credenciais

Discorrendo sobre sua decisão de aventurar-se rumo ao Palácio Rio Branco, Bocalom dissertou que os resultados alcançados em Rio Branco o credenciam para a disputa. Disse que suas obras e investimentos são a prova da continuidade do seu projeto que, afirmou, é conhecido pela população, vez que mantém as mesmas diretrizes desde o início de sua trajetória pública.

Test drive

No ato, inquirido pela imprensa sobre a irredutibilidade de sua decisão em buscar o governo do Acre, Bocalom disse que sua pré-candidatura será avaliada ao longo dos próximos meses, de acordo com o cenário político e a aceitação popular. Sobre eventual recuo, diz que não vê problema em retroceder da disputa caso seu nome não esteja bem-posicionado nas pesquisas.

Osmose

Conquanto ao aceite de sua candidatura no âmbito de seu partido, o PL (Partido Liberal), que prioriza nos estados a disputa senatorial, e, presente que durante o anúncio este não contou com a presença da direção da sigla no estado, disse que é orgânico do partido e que um bom desempenho nas pesquisas o credenciará para a empreitada e que tudo é questão de tempo. “Lá no início de abril é que as coisas realmente vão se definir. Até lá, cada um lança seu nome, vai para cima, corre atrás”.

Tônico

Fiado no apoio popular para impulsionar sua candidatura, Bocolom recorre aos 5 anos de sua administração da capital para fornecer suporte à sua candidatura. Afirmou que Rio Branco hoje “é um canteiro de obras”, induzindo a crença que será embalado pelo eleitorado rio-branquense a partir desse entendimento que guarda. Enfim, deixou patenteado que os acontecimentos futuros definirão seu projeto político.

Efeitos imediatos

Os impactos e repercussões que o escândalo do Banco Master terão no mercado financeiro e no coração político da República ainda são imprevisíveis, mas já começaram. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo está estudando uma mudança profunda na fiscalização dos fundos de investimento, utilizados de forma ilícita nas fraudes do Master.

Arcabouço

Até agora, os fundos são regidos e fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, também responsável por fiscalizar a Bolsa de Valores. A proposta de Haddad e que está sendo analisada pelo corpo técnico da Fazenda é transferir as atribuições da CVM para o Banco Central. Na prática, caberia ao BC fazer a fiscalização dos fundos de investimento, amplamente utilizados em golpes financeiros nos últimos anos.

Raiz

Segundo Haddad, o uso dos fundos foi central nas fraudes investigadas pela Polícia Federal e que levaram à liquidação da instituição. Haddad também elogiou a atuação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e afirmou que o problema foi herdado da gestão anterior. “O Banco Master não cresceu na gestão atual. Mas neste ano o Galípolo descascou o abacaxi”, afirmou.

Frouxidão

A propósito, a direção do Master admitiu à Polícia Federal que não tinha informações sobre os fundos da gestora Reag que garantiam os empréstimos concedidos pelo banco. A Reag, também investigada por lavagem de dinheiro do tráfico, foi liquidada pelo BC na semana passada. A investigação apontou que um empréstimo de R$ 468,8 milhões foi concedido a uma empresa em nome do espanhol Juan Pedro Benali Hammou, técnico de futebol de um time indiano. Pelo contrato, 90% do valor deveria alimentar um fundo do Reag. Procurado, Benali disse que jamais teve alguma empresa no Brasil.

Reparação

Cerca de 600 mil ex-clientes do Master já pediram, até a noite de segunda-feira, ressarcimento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos investimentos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco. Os pagamentos, feitos em parcela única, têm um teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento.

Autismo

Depois de muita polêmica, o ministro do STF Dias Toffoli determinou o bloqueio de bens do empresário Nelson Tanure no mesmo valor já imposto a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República. A decisão se baseia em indícios apontados pela PF de que Tanure atuaria como sócio oculto do banco, o que o empresário nega. Toffoli, aliás, descarta deixar a relatoria do caso Master. O ministro avalia que nem a viagem de jatinho com um dos advogados da causa nem a sociedade entre seus irmãos e um fundo de investimentos ligado ao Master comprometem sua imparcialidade.

Memórias do cárcere

Em meio a uma intensa troca de farpas entre o núcleo familiar do bolsonarismo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, quer visitar o ex-presidente na prisão. Nesta segunda-feira a defesa de Jair Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para a entrada do governador de São Paulo no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, onde Bolsonaro está custodiado em Brasília.

Ciclo

Caso seja autorizada, a visita marcará o primeiro encontro entre Bolsonaro e o governador paulista desde que o ex-presidente formalizou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Regramento

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou nesta segunda-feira a proposta inicial de regras para propaganda eleitoral no pleito deste ano. Segundo especialistas, o texto, que ainda vai ser debatido, tem muitas lacunas, especialmente nas restrições ao uso de inteligência artificial. Para os ministros, porém, as regras em vigor, aprovadas em 2024, incluindo a proibição de deepfakes, já são suficientes.

Calendário

Donald Trump completa um ano de seu segundo mandato hoje tendo como principal trunfo a concentração de poder político. O modo como exerce essa força, no entanto, é apontado por analistas como o maior risco para a forma como concluirá o mandato.

Curto circuito

Na política externa, Trump elevou a tensão com aliados europeus ao ameaçar impor tarifas punitivas à Dinamarca e a outros sete países da Otan como forma de pressionar pela cessão da Groenlândia aos Estados Unidos. Analistas alertam que uma eventual tomada da Groenlândia pelos EUA teria consequências globais, incluindo o colapso da Otan e o reposicionamento de aliados estratégicos, como a Austrália, que passaria a reavaliar sua relação com Washington.

Balburdia

No plano doméstico, Trump iniciou uma batalha contra imigrantes, especialmente os hispânicos, e ações truculentas de sua polícia de controle de fronteiras, o ICE, inflamaram o país com protestos generalizados.

Chama

Uma carta enviada por Trump a líderes europeus reacendeu, nos bastidores de Washington, discussões sobre a aplicação da 25ª Emenda da Constituição americana, que trata da incapacidade do presidente para exercer o cargo. O documento, endereçado ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, mistura críticas à negativa do Prêmio Nobel da Paz com ameaças veladas envolvendo a Groenlândia e a atuação da Otan.

Fora da agenda

Na mensagem, Trump afirma não se sentir mais obrigado a “pensar puramente em paz” após não ter sido premiado. O teor da carta provocou reações em círculos políticos e jurídicos nos EUA, onde voltou a ser mencionada a possibilidade de acionamento da 25ª Emenda.