Tem sido destaque na imprensa local o posicionamento da vice-governadora Mailza Assis (PP), candidata do grupo governista à sucessão de Gladson Cameli (PP). Mailza cobra reciprocidade do prefeito Tião Bocalom (PL) em sua corrida rumo ao Palácio rio Branco sob o argumento que na última década sempre emprestou apoio irrestrito às disputas políticas que envolvem o prefeito, destacando com maior ênfase a disputa de 2018 e a de 2024, momentos esses que a vice entende ter exercido papel decisivo e fundamental.
Contraponto
Em entrevista ao radialista Almir Flores, da rádio Boas Novas em Acrelândia, Tião Bocalom afirmou que é ele que consideraria uma ingratidão não ter sido apoiado por Mailza Assis nos períodos citados e garante que quem colocou a vice-governadora na política foi ele. “Seria muita injustiça ela não me apoiar porque quem colocou eles (Mailza Assis e James Gomes) na política fui eu”, frisou.
Remember
Bocalom afirmou, ainda, que considera justo o apoio que sempre recebeu de Mailza posto que também já lhe emprestou ajuda. “Eu fui um monte de vezes em Senador Guiormard organizar o PSDB, na campanha dele (James Gomes) eu deixava minha campanha na capital e ia cuidar da dele. Eu botei dinheiro da minha campanha de Rio Branco na campanha deles, então uma mão lava a outra. Seria muita injustiça se ela não tivesse apoiado minhas campanhas em Rio Branco porque quem botou eles na política fui eu”, frisou.
Fatura
Bocalom também afirmou que foi o responsável pela não retirada da candidatura de Mailza ao Senado em 2014, emprestando apoio na condição de dirigente regional do PSDB. “Eu ajudei em tudo que pude, inclusive colocando dinheiro lá. Ela não pode esquecer quando eu ajudei eles lá. Também fui o único que ficou do lado dela quando queriam que ela retirasse a candidatura (a suplência do Senado). Eu defendi isso na reunião da nacional”, salientou.

Cerco
Aumenta a cada dia a pressão sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por causa de sua atuação no caso Master, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades na condução de operações do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Fora da curva
Além das críticas ao método incomum que ele usa para conduzir a investigação e o processo no âmbito do STF, têm sido aprofundados pela imprensa os vínculos entre familiares do ministro e fundos de investimento que aparecem na teia investigada pelo Master no Resort Tayayá, no Paraná.
Ligações perigosas
Segundo reportagens da Folha de S. Paulo em edições recentes, documentos oficiais revelaram que empresas ligadas a irmãos e a um primo de Toffoli tiveram como sócio, até pelo menos maio de 2025, o Arleen Fundo de Investimentos, que aparece nas investigações sobre as fraudes do Banco Master. O Arleen fez aportes no Tayayá Administração e Participações, responsável pelo Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento que chegou a ter a família de Toffoli entre seus sócios.
Polo irradiador
Outro dos sócios desse fundo era Fabiano Zettel, advogado e pastor que é cunhado de Daniel Vorcaro, o empresário ligado ao Banco Master que está no centro da investigação. Por sua vez, Zettel, que é o maior doador eleitoral de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, tinha participação por meio de outro fundo (chamado Leal), que se conectava ao Arleen e, consequentemente, aos investimentos no resort.
Laços
Reportagem do Estadão, mostrou que a Maridt Participações, empresa dos irmãos de Toffoli que chegou a ter um terço de participação no Tayayá, tem sede em uma casa em Marília, interior de São Paulo. O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que figura como diretor-presidente da empresa. Ao repórter do jornal, Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, negou que sua casa tenha sido sede da Maridt e disse não ter conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.
Saída
Diante dessas revelações, são cada vez mais frequentes os comentários de que o ministro poderia ser considerado suspeito ou impedido de atuar como relator no processo, alegando potenciais conflitos de interesse. Reportagem da Folha de S. Paulo, baseada em informações em off, informa que para amenizar a crise, ministros do STF estariam defendendo o envio da investigação à primeira instância como uma “saída honrosa” para Dias Toffoli. Ele, no entanto, estaria resistindo a deixar a condução das apurações.
Suspeição
Um dos principais pontos de contestação da atuação do ministro diz respeito a decisões consideradas atípicas ou excessivamente restritivas. Toffoli determinou a imposição de sigilo amplo sobre os autos, o que reduziu a transparência de um caso de grande interesse público e alimentou especulações sobre os envolvidos.
Ação direta
Além disso, o ministro interveio em etapas operacionais da investigação, como a redefinição de prazos para depoimentos e mudanças no cronograma de oitivas sugerido pela Polícia Federal, medidas que foram interpretadas por investigadores como interferência direta na condução do inquérito.
Esgarçamento
Essas decisões acabaram provocando um desgaste institucional entre o STF e a Polícia Federal. Integrantes da PF manifestaram, nos bastidores, incômodo com o que consideram limitações impostas à autonomia investigativa, especialmente em relação à forma de coleta de provas, à escolha de peritos e à condução de depoimentos considerados estratégicos para o avanço das apurações.
Comissão investigativa
Nesse contexto, senadores chegaram a protocolar pedidos de impeachment contra Dias Toffoli, alegando crime de responsabilidade e violação de princípios como a imparcialidade e a separação dos Poderes. Os pedidos se baseiam na avaliação de que o ministro teria extrapolado suas atribuições ao interferir excessivamente na investigação e ao adotar decisões que, na visão dos críticos, beneficiariam indiretamente os investigados.
Saídas
Para superar o desgaste, analistas entendem que existem saídas jurídicas claras. A mais imediata seria a redistribuição da relatoria a outro ministro, solução já adotada em diversas situações análogas. Outra alternativa que vem sendo estudada seria o próprio Toffoli remeter de volta o caso à primeira instância, sobretudo diante da ausência de prerrogativa de foro que justifique sua permanência no STF e do próprio entendimento recente da Corte.
Sutura
Para sustentar as saídas propostas, argumentam que não é sustentável a manutenção do status atual, reforçando a percepção de que o Supremo reluta em agir quando o problema envolve um de seus integrantes. Lembrando que o caso também resvalou em Alexandre de Moraes, cuja mulher detém um contrato com o Master.
Prudência aconselhável
Fechando o raciocínio, esses analistas concebem que afastar Toffoli da relatoria do caso Master não é punição nem juízo antecipado de culpa. É medida de prudência. Ao permitir que o ministro permaneça no comando do processo, o STF aceita que a suspeição se projete sobre suas decisões. E, nesse ponto, o dano já deixou de ser individual. É coletivo.