Rio Branco, AC 12 de fevereiro de 2026 17:13
HOME / JAMAXI / Agitação

Agitação

A passagem do senador Alan Rick (Rep) pelo município de Sena Madureira, ocorrida na data de ontem, 11, causou turbulências no condado. Recepcionado pelo prefeito da cidade, Gerlen Diniz (PP), a visita teve o condão de precipitar o rompimento político do governo de Gladson Cameli (PP) com o gestor do município, que também é progressista.

Retaliação

O rompimento, tomado de forma unilateral pelo governo, é uma retaliação pela proximidade do prefeito com o senador Alan Rick, candidato que faz oposição a vice-governadora Mailza Assis (PP) na disputa pelo governo do Estado em outubro próximo.

Asfixia

Como resultado da proximidade de Gerlen com o senador, a articulação política do Palácio Rio Branco, a partir de apurações feitas pelo site Contilnet, informou que o governo do estado irá demitir todos os cargos comissionados ligados ao grupo político de Diniz e também do seu irmão, o deputado estadual Gene Diniz (Rep).

Contraposição

Ainda no início da noite de ontem, a Executiva Regional do Partido Progressistas (PP) no Acre publicou uma nota de repúdio contra o prefeito apresentando a versão de infidelidade partidária, ao acusar o gestor de adotar uma postura de rompimento político com a legenda e de atuar em apoio a grupos adversários.

Fatos e versões

O roteiro que se apega o governo para justificar o rompimento com o prefeito é que numa visita de Gerlen (PP) acompanhado do senador e pré-candidato ao governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), e da pré-candidata ao senado Mara Rocha (Republicanos) a uma obra pública que está sob a responsabilidade do governo do Acre, por meio do Deracre, houve uma invasão ao espaço, posto que não havia autorização para tal visitação.

Imbróglio

O fato desencadeou a troca de acusações do governo com o prefeito, vez que o governo argumenta invasão do espaço e o prefeito, anfitrião dos visitantes, argumenta que o espaço pertence ao município gerido por ele e Alan e partidários estava na visita usando as prerrogativas de mandato senatorial.

Fora do compasso

No texto emitido pelo PP, o partido afirma que Gerlen tem feito “reiterados movimentos de apoio e promoção de grupos políticos adversários”, em clara discordância com o PP. A nota também diz que, ao divulgar e promover políticos que se autodeclaram “inimigos do governo”, o prefeito estaria “dando as costas” ao grupo político que o acolheu e apoiou, citando ainda que esse trabalho interno foi determinante para sua eleição em 2024.

Punição

“A política é feita de escolhas. Cada liderança é livre para fazer as suas. Mas a boa política acrescenta valores como ética, gratidão e respeito ao grupo. Em respeito a esses princípios, a executiva declara que irá abrir processo disciplinar interno para averiguar a postura de Gerlen Diniz e tomar as medidas cabíveis, num claro sinal que não aceitará movimentos de traição e desrespeito’, registra a nota.

O outro lado

Pivô do desentendimento que irrompeu no seio dos progressistas, o senador Alan Rick também lançou comunicado anotando seus posicionamentos. “Diante de informações inverídicas, esclarecemos que a Pousada do Agricultor é um bem público do Município de Sena Madureira. A visita ao local teve caráter institucional, com a presença do prefeito Gerlen Diniz, para vistoriar obra executada com recursos de emenda parlamentar, já concluída, conforme demonstra vídeo divulgado pela empresa contratada’.

Posição

E segue: “Não houve arrombamento, violação de fechaduras ou acesso irregular. As entradas estavam intactas, fato que será comprovado por perícia técnica oficialmente solicitada. Manifestamos solidariedade ao prefeito Gerlen Diniz diante de tentativas de distorção dos fatos. A apuração técnica esclarecerá a verdade. Reafirmamos o compromisso com a transparência e o correto uso dos recursos públicos”, finaliza Rick.

Convite

Instalado o imbróglio e após as idas e vindas em torno da visita, o senador Alan Rick foi às redes sociais convidar o prefeito Gerlen a filiar-se ao seu partido, o Republianos: “@gerlendiniz, meu prefeito! O Republicanos e todos os nossos amigos e filados estão de braços abertos para você! Venha ser feliz no 10”.

Nitroglicerina

Temido como “uma bomba”, o desbloqueio do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, explodiu primeiro no Supremo Tribunal Federal (STF). No aparelho, apreendido em novembro do ano passado, quando Vorcaro foi preso, a Polícia Federal encontrou uma série de conversas entre ele e o ministro Dias Toffoli, que depois viria a ser relator no Supremo da investigação sobre as suspeitas de fraude do Master, liquidado pelo Banco Central.

No olho do furacão

Como revelaram Daniela Lima e Fábio Serapião, repórteres do portal UOL, o material foi entregue diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues. As conversas descobertas no celular, conta Malu Gaspar, tratavam entre outros assuntos, de um convite a Vorcaro para uma festa de aniversário de Toffoli e menções do banqueiro a pagamentos relacionados ao resort Tayayá, administrado pela empresa dos irmãos do ministro, da qual Toffoli era sócio oculto.

Rito

Fachin intimou o colega a se manifestar sobre as informações passadas pela PF, e a situação provocou grande desconforto no Supremo. A PF não confirmou ter pedido o impedimento de Toffoli no caso Master, mas técnicos do STF já estão analisando caminhos jurídicos para a Corte afastá-lo do processo. Em nota, o gabinete de Toffoli disse que o documento apresentado pela PF é baseado “em ilações” e que a corporação não teria legitimidade para pedir seu afastamento.

Protagonismo

Conta a jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, que o ministro confirmou a interlocutores ter sido pago quando a Maridt, empresa administrada por seus irmãos, vendeu sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado à rede do Master em 2021. É a primeira vez que Toffoli admite ser sócio anônimo da empresa, mas ele afirma que todas as transferências de recursos foram legítimas e declaradas à Receita Federal.

Blindagem

Enquanto isso… O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), restringiu o acesso do Banco Central do Brasil ao processo que analisa a atuação do órgão na liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada às vésperas da conclusão do relatório final da auditoria. Ele passou de “sigiloso” para um grau ainda mais restrito, que exige autorização específica para consultar os documentos. Nos bastidores do TCU, integrantes da Corte afirmam que a medida não é comum.