Aluísio Veras de Almeida Neto responde processo por estupro e cárcere privado contra um jovem de 18 anos. Ele também é investigado pela morte de um homem no mesmo local, em 2025
Preso em flagrante na última segunda-feira (16) por suspeita de estupro e cárcere privado dentro de um motel de Rio Branco, o advogado Aluísio Veras de Almeida Neto, de 42 anos, teve o cadastro suspenso na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC).
Na quarta-feira (18), a entidade havia divulgado uma nota de esclarecimento onde destacava que havia instaurado um processo ético-disciplinar a fim de apurar possíveis infrações à conduta profissional do advogado. O g1 não conseguiu contato com a defesa do suspeito. (Veja no final da reportagem)
A OAB destacou ainda que o procedimento seguirá o Estatuto da Advocacia e garantirá ao investigado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
“Paralelamente — e com igual seriedade — a OAB/AC adotou as providências internas para uma apuração responsável dos fatos e de suas eventuais implicações ético-disciplinares”, destacou.
Aluísio foi preso após um jovem peruano, de 18 anos, acionar a Polícia Militar (PM-AC) afirmando que estava sendo impedido de sair do quarto e que havia sido abusado sexualmente. A prisão preventiva foi decretada em audiência de custódia na terça (17).
Segundo o delegado Samuel Mendes, ao chegar no local, a PM-AC encontrou o rapaz e o advogado trancados no banheiro.
“Chegando ao local, os policiais foram constatar a situação, conversar com a gerência e perguntaram se estava tudo ok. A priori estava, mas, por segurança, foi feito contato em cada um dos quartos e quase todos atenderam, exceto um. A porta estava aberta. Não viram ninguém, mas perceberam que a porta do banheiro estava trancada”, contou.

Ele relatou ainda que a equipe tentou negociar a abertura da porta mas não houve sucesso. A porta precisou ser arrombada e os policiais encontraram o rapaz chorando dentro do box do banheiro e Aluísio próximo à pia.
A vítima contou à polícia que marcou de encontrar com Aluísio no motel por um aplicativo de encontros. De acordo com o jovem, a proposta inicialmente era para consumir bebidas alcoólicas, contudo, o advogado tentou manter relações sexuais.

Morte suspeita
Além do caso mais recente, o advogado já havia sido indiciado pela Polícia Civil pela morte de David Weverton Matos Araújo, ocorrida em julho de 2025, no mesmo motel. O inquérito foi concluído e enviado ao Judiciário ainda no ano passado.
Segundo o delegado Leonardo Ribeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Aluísio alegou à época que não se recordava do que teria acontecido com a vítima.
A atendente de loja Lucileila da Silva Matos, de 51 anos, mãe de David, decidiu falar e pedir justiça pela morte do filho. Ela contou que ele foi encontrado morto no pátio do mesmo motel onde Aluísio foi preso. Leia a reportagem completa aqui.
“Quando vi a prisão, entendi que era minha vez de falar e, mesmo que não vá trazer mais meu filho de volta, sinto que a justiça de Deus está sendo feita. Quero que ele pague pelo que fez com meu menino”, disse.

Veja na íntegra a nota da OAB-AC
A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Acre (OAB/AC) vem a público prestar esclarecimentos acerca de fatos amplamente noticiados pela imprensa envolvendo advogado regularmente inscrito nesta Seccional que fora preso em flagrante em decorrência da possível prática de crime sexual.
Desde a primeira comunicação formal sobre a ocorrência, a OAB/AC atuou de maneira imediata e institucional para assegurar a observância das prerrogativas profissionais, nos termos da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia).
Paralelamente — e com igual seriedade — a OAB/AC adotou as providências internas para uma apuração responsável dos fatos e de suas eventuais implicações ético-disciplinares.
Assim, após criteriosa análise do conjunto de informações e elementos disponíveis em sede preliminar, a OAB/AC instaurou processo ético-disciplinar contra o advogado envolvido, onde lhe será garantido o contraditório e a ampla defesa.
Por fim, a OAB/AC reafirma seu compromisso indissociável com a moralidade, a verdade, a responsabilidade institucional e o respeito incondicional à Constituição, atuando com equilíbrio: garantindo prerrogativas quando necessário e, com igual rigor, adotando as medidas institucionais indispensáveis à proteção da advocacia e da sociedade.
Rio Branco – AC, 18 de fevereiro de 2026.
Rodrigo Aiache Cordeiro
Presidente da OAB/AC
Thais Silva De Moura Barros
Vice-Presidente da OAB e Coordenadora de Defesa de Prerrogativas
Carlos Roberto Lima de Medeiros
Presidente da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas