Rio Branco, AC 14 de fevereiro de 2026 17:25
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Acre registra seis amputações de pênis por câncer em cinco anos, diz pesquisa

Especialistas alertam que doença pode ser evitada com a higiene adequada na região íntima, vacinação contra o HPV e cirurgia de remoção do prepúcio. Quatro homens morreram devido à doença no Acre entre 2021 e 2025

Seis homens tiveram o pênis amputado no Acre entre 2021 e 2025 em decorrência de câncer, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Conforme o levantamento, nos últimos cinco anos quase três mil homens amputaram o pênis no Brasil.

No Acre, quatro homens morreram com a doença, sendo dois em 2022, um em 2023 e o último em 2025, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Considerado um tipo de tumor raro, é associado à má higiene íntima, sobretudo quando o homem tem fimose [estreitamento ou excesso de pele no prepúcio] ou infecção pelo HPV, afetando principalmente homens acima de 50 anos.

Ainda segundo a pesquisa, a região Norte está entre os locais mais preocupantes devido ao acesso limitado à informação e os serviços de saúde.

De acordo com Fernando de Assis Ferreira Melo, médico e coordenador do serviço de Urologia da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco, as amputações podem ocorrer não apenas pela má higiene, mas também por outros fatores.

“Esse tipo de câncer, infelizmente, é muito frequente, é relacionado ainda as infecções penianas por fungos e em outros casos, quando o homem faz a prática da zoofilia, que é o sexo com animais. Contudo a maioria dos casos está ligada à falta de higiene adequada”, contou.

Ainda segundo o médico, o câncer de pênis é o único em que a inflamação pode ser tratada simplesmente com o uso de água e sabonete. “Se o homem lavar o membro todo dia, expondo a pele do prepúcio para mostrar a glande, nunca terá problema quanto a essa doença”, explicou.

Confira quatro ações que ajudam na prevenção:

🧼 Limpeza adequada do pênis com água e sabão puxando o prepúcio para higiene da glande. A limpeza deve ser feita todos os dias e após as relações sexuais;

💉 Tomar a vacina do HPV (no SUS, ela está disponível para alguns públicos. Na rede privada, qualquer pessoa pode tomar);

🏥 Realização da postectomia (retirada do prepúcio) quando essa pele que encobre a cabeça do pênis não permite a higienização correta;

⚕️ Uso de preservativo para evitar contaminação por ISTs, como o HPV.

Sintomas iniciais

O câncer de pênis é mais frequente em homens acima dos 50 anos, contudo, também pode ocorrer em crianças e jovens. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis;
  • Sangramento sob o prepúcio;
  • Secreção com forte odor;
  • Espessamento, irregularidade ou alteração na cor na pele da glande;
  • Aparecimento de nódulos (ínguas) na região da virilha.

Dados Nacionais

Mesmo sendo considerado um tumor amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações e mortes no Brasil. Dados da pesquisa indicam que, entre 2021 e novembro de 2025, foram registradas mais de 2,9 mil amputações do órgão relacionadas à doença em todo o país.

No período, também foram registradas 2.359 mortes devido a doença. A maior concentração de casos ocorreu nas regiões Norte e Nordeste, onde fatores como baixa condição socioeconômica, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e falta de informação contribuem para o diagnóstico tardio.

“As mortes que ocorrem todos os anos são evitáveis, principalmente pelo desconhecimento, estigma e diagnóstico tardio”, afirma na pesquisa o presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes.

Ainda segundo o pesquisa, quando o tumor não é diagnosticado nos estágios iniciais, pode ser necessária amputação parcial ou total do órgão, dependendo da extensão da lesão, contudo, quando identificado no início, o câncer de pênis apresenta altas taxas de cura.

Em fases avançadas, pode atingir gânglios da virilha e abdômen, exigindo tratamentos mais complexos, como cirurgias extensas, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia.

“Nenhuma ferida no pênis deve ser ignorada ou tratada com remédios caseiros. Quanto mais cedo o homem procurar atendimento, maiores as chances de cura e de preservação do órgão”, orienta a diretora de comunicação da SBU, Dra. Karin Anzolch.