Rio Branco, AC 17 de abril de 2026 21:44
HOME / ECONOMIA / Em manifesto, CNI alerta contra fim da tributação sobre remessas internacionais

Em manifesto, CNI alerta contra fim da tributação sobre remessas internacionais

Documento assinado por mais de 40 entidades foi encaminhado ao presidente da República; texto aponta riscos de retrocesso caso o governo decida suspender a chamada “taxa das blusinhas”

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) assinou manifesto em conjunto com mais de 40 entidades representativas do setor produtivo defendendo a manutenção da tributação de remessas internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”.

O documento, encaminhado esta semana ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, alerta que possíveis alterações na medida podem representar um retrocesso nos avanços conquistados nos últimos anos em direção à igualdade de condições concorrenciais entre empresas estabelecidas no Brasil e plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.

Confira a íntegra do documento:

As entidades destacam que a implementação de mecanismos de tributação sobre essas operações contribuiu de forma relevante para a recuperação do varejo e da indústria nacionais, com impactos positivos na criação de empregos, no aumento da massa salarial e no fortalecimento da arrecadação pública.

Dados do Ministério do Trabalho apontam que o setor de comércio criou, desde 2023, quando foi lançado o Remessa Conforme, até dezembro de 2025, 860 mil novos empregos diretos e outros 1,5 milhão de novas vagas na cadeia produtiva. Já na indústria, no mesmo período, foram criados 578 mil novos empregos diretos e outros milhares de indiretos.

“Indústria e varejo contribuíram, assim, para que o Brasil atingisse o menor desemprego da sua história: 5,1%, ao final de 2025. Trata-se de uma agenda que transcende setores específicos e reflete um esforço conjunto em favor da justiça tributária, da competitividade equilibrada e do desenvolvimento econômico do país”, destaca o documento.

Principais conquistas elencadas no manifesto com a implementação da tributação de remessas internacionais de baixo valor:

  • Novos empregos para os brasileiros no varejo e na indústria, contribuindo para o país atingir o menor desemprego de sua História;
  • Varejo e indústria voltando a crescer e investir, contribuindo para a maior massa salarial e renda média da História;
  • Ganhos diretos para o consumidor: maior oferta de produtos nacionais que prezam pela qualidade e segurança e com preços abaixo da inflação;
  • Contribuição para aceleração da arrecadação e equilíbrio fiscal, com R$ 42 bilhões adicionais por ano, apenas para a União;
  • Um país mais desenvolvido e mais justo.


Pesquisa realizada pela Nexus para a CNI, em 2025, revelou que aumentou de 13% para 38% o total de consumidores que desistiram de comprar em sites internacionais por causa do custo com o imposto de importação, e a desistência por causa da “taxa das blusinhas” fez subir de 22% para 32% o número de pessoas que foram atrás de um produto similar com entrega nacional.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, a implementação desse imposto, ainda que em patamar aquém do necessário, “contribui para dar mais justiça e competitividade à indústria nacional, fortalecendo a produção local, e amplia a oferta de produtos com qualidade assegurada, assistência técnica e conformidade com normas nacionais de segurança, trabalho, meio ambiente e saúde”.