Rio Branco, AC 9 de abril de 2026 18:38
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Equipe

Edição extra do Diário Oficial veiculado na data de ontem, quarta-feira, 08, trouxe uma série de exonerações e nomeações na gestão da governadora Mailza Assis (PP). As alterações fazem parte da reorganização administrativa iniciada após a mudança no comando do Executivo, no último dia 2 de abril.

Exclusão

Entre os atos publicados, está a exoneração, a pedido, da esposa do ex-secretário da Sesacre, Pedro Pascoal, Patrícia Parente, que ocupava o cargo de Diretora de Empreendedorismo da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (SETE). Ela havia sido nomeada em fevereiro de 2025.

Rearranjo

A publicação traz, ainda, a nomeação de Madson de Castro Cameli, marido da governadora, para exercer o cargo de chefe do gabinete pessoal da governadora. De acordo com informações de interlocutores do Palácio, a escolha de Camelí foi motivada pela sua boa relação e capacidade de diálogo com os gestores das diversas secretarias da gestão estadual, fator considerado essencial para o fortalecimento da administração. Com a mudança, o advogado Jonathan Santiago, que havia sido anunciado anteriormente para a função, passa a ocupar o cargo de subchefe do gabinete.

Interlocução

Além das atribuições administrativas internas, Madson Cameli também terá atuação direta na articulação política do governo, especialmente nas relações institucionais com a Assembleia Legislativa do Acre.

Duto

A lista de poderosos que se beneficiaram do crescimento meteórico do Banco Master cresce a cada dia. Dessa vez, documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam repasses milionários da instituição controlada por Daniel Vorcaro a escritórios de advocacia e empresas ligadas a políticos, ex-ministros e um ex-presidente da República.

Aquinhoados

Segundo dados da Receita, o banco pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de Guido Mantega. Também foram registrados R$ 10 milhões ao escritório do ex-presidente Michel Temer e R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Antônio Rueda, presidente do União Brasil.

Mais do mesmo

Os documentos também indicam repasses a empresas do Grupo Massa, da família do governador Ratinho Jr. (PSD), incluindo R$ 21 milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos. Há ainda pagamentos de R$ 12 milhões à BN Financeira, ligada à nora do senador Jaques Wagner (PT-BA). Procurados, os citados afirmaram que os serviços prestados foram regulares.

Impacto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o caso do Banco Master tem impacto negativo sobre a imagem do Supremo Tribunal Federal e relatou ter tratado do tema diretamente com o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista ao portal ICL Notícias, Lula disse ter alertado o magistrado sobre os riscos à sua trajetória, citando o papel de Moraes no julgamento dos atos de 8 de janeiro, e sugeriu que ele esclareça eventuais vínculos e se declare impedido em casos que envolvam interesses relacionados. A esposa de Moraes firmou um contrato milionário com o Master.

Exclusão

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento à CPI do Crime Organizado que não há auditoria ou sindicância da autoridade monetária que aponte responsabilidade de Roberto Campos Neto (foto) no caso do Banco Master.

Alheio

Segundo ele, não há evidências formais de irregularidades na atuação do ex-presidente do BC em relação ao banco. A declaração ocorre em meio a críticas do presidente Lula, que tem associado o episódio à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Campos Neto ao comando do Banco Central.

Palpos de aranha

Ainda sobre o envolvimento de autoridades do Banco Central no caso do Banc Master, o ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza não sai tão bem na foto. Segundo as investigações, ele simulou a venda de um sítio ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e braço direito de Vorcaro, a fim de ocultar o recebimento de propina. Souza nega irregularidades, mas uma sindicância interna do BC já havia identificado sinais de enriquecimento ilícito.

Prudência

O ministro do STF André Mendonça disse a interlocutores que não pretende homologar automaticamente uma eventual delação premiada de Vorcaro no caso Master. Segundo relatos, o ministro planeja comparar o conteúdo da proposta com os achados da Polícia Federal nas investigações em curso e só validá-la caso traga elementos novos e relevantes. A expectativa é que tanto a proposta inicial de delação quanto a conclusão das apurações da PF sejam apresentadas até meados de maio.

Baliza

Sobre delação, o ministro Alexandre de Moraes enviou ao plenário do STF uma ação do PT de 2021 que questiona os limites para acordos de delação premiada. Relator do caso, Moraes liberou o processo para julgamento, cabendo ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data da análise pelos demais ministros. A ação, apresentada em 2021, busca estabelecer parâmetros constitucionais para o uso do mecanismo, podendo resultar na fixação de regras ou restrições para acordos desse tipo. A decisão da ação pode impactar a delação premiada de Vorcaro.

Bamburrando

O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes recebeu dez vezes mais que outras bancas de advocacia para defender o Banco Master em 2025, mostram documentos apresentados à Receita Federal pela instituição financeira de Daniel Vorcaro. O material, obtido pelo jornal O GLOBO, revela que o Master contratou os serviços de 61 escritórios no ano passado, ao custo de R$ 265 milhões. O maior montante foi repassado ao escritório Barci de Moraes no mesmo ano: R$ 40,1 milhões.

Fonte

O levantamento foi feito levando em consideração CNPJs registrados na categoria de “Serviços Advocatícios” na Receita. Esse filtro é feito com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, ou CNAE: cada empresa, ao ser registrada, indica um CNAE principal e CNAEs secundários, indicando seu ramo de atuação.

O outro lado

Procurado, o escritório Barci de Moraes disse não confirmar “essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. No mês passado, a banca divulgou nota na qual disse ter realizado reuniões e produzido pareceres para o banco.

Saídas

No ano passado, enquanto tentava viabilizar uma solução para a sua crise, o Master intensificou a contratação de advogados. O banco chegou a negociar a venda para o BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025, e a instituição de Vorcaro foi liquidada pelo BC dois meses depois. Além disso, Vorcaro aumentou em 27 vezes os pagamentos para a contratação de autoridades, como ex-ministros dos governos Lula e Bolsonaro. O movimento ocorreu enquanto o banqueiro buscava ampliar a influência política.

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