Produção reúne histórias de agricultoras que preservam saberes tradicionais, sementes e práticas sustentáveis no estado. Documentário foi lançado na quinta (26) em Rio Branco
Um documentário que reúne histórias de mulheres agricultoras da região da Transacreana, em Rio Branco, evidencia o protagonismo feminino na agricultura familiar e na preservação de saberes tradicionais no Acre.
A produção apresenta o cotidiano, os desafios e as conquistas de quem atua diretamente no cultivo de alimentos, no uso de plantas medicinais e na conservação de práticas passadas de geração em geração e foi lançada na última quinta-feira (26).
A obra, construída de forma colaborativa com mais de 300 integrantes do movimento de mulheres camponesas, mostra como essas agricultoras contribuem para a segurança alimentar e a manutenção da agrobiodiversidade na região.
Uma das participantes é a agricultora Maria Oliveira, que viu sua rotina ganhar visibilidade a partir da produção.
Ela conta que a experiência trouxe um sentimento de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no campo.
“Me sinto realizada, né, que nunca tinha aparecido a minha produção na televisão”, afirmou.
Maria também espera que a repercussão do documentário contribua para valorizar ainda mais o que é produzido na região. “Agora as pessoas vão poder ver os os produtos e reconhecer”, completou.
A idealizadora do projeto, Rosana Cavalcante, explica que a iniciativa surgiu inicialmente como parte de um estudo acadêmico voltado à compreensão do papel das mulheres na preservação da agrobiodiversidade.
Segundo ela, a proposta era investigar os quintais produtivos, os cultivos e a transmissão de conhecimentos entre gerações.
“No começo, era um projeto de pós-doutorado para entender o que elas cultivavam, o que vinha das mães e avós e como isso chegava até elas hoje”, disse.

‘Sementes da Resistência’
No entanto, durante o processo, o foco mudou a partir das próprias agricultoras. “Quando eu cheguei para conversar, elas queriam contar as histórias. Aí eu parei tudo e, durante seis meses, eu só escutei”, relatou.
A partir dessa escuta, surgiu a ideia de transformar o conteúdo em um documentário. Para Rosana, não fazia sentido que as narrativas ficassem restritas ao meio acadêmico.
“Eu disse: não é justo que isso fique só para mim. Foi daí que surgiu o Sementes de Resistência’’, explicou.
Rosana destaca que o título faz referência às iniciativas de preservação de sementes agrícolas e práticas agroecológicas desenvolvidas pelas mulheres da região.
O trabalho mostra ainda como essas ações garantem a soberania alimentar e contribuem para a conservação da biodiversidade.
Além de registrar o cotidiano das agricultoras, o documentário também ressalta o papel fundamental das mulheres na sustentabilidade das comunidades rurais e na continuidade de práticas tradicionais na Amazônia.


