Vítima segue internada no Pronto-Socorro de Rio Branco nesta sexta (27) se recuperando do corte. Geovane Souza dos Santos, de 21 anos, passou por audiência de custódia e segue preso
A adolescente de 16 anos esfaqueada no pescoço durante uma tentativa de feminicídio em Capixaba, no interior do Acre, está consciente, já consegue se comunicar e respira sem ajuda de aparelhos. O g1 apurou nesta sexta-feira (27) que a vítima ainda sente dores no pescoço.
De acordo com informações médicas obtidas pela reportagem, a paciente não precisa de medicamentos para manter a pressão, não está sedada e consegue caminhar. Ela segue internada no Pronto-Socorro de Rio Branco e o quadro de saúde é considerado regular com sinais vitais controlados.
O suspeito do crime e ex-marido da adolescente, Geovane Souza dos Santos, de 21 anos, passou por audiência de custódia nessa quinta-feira (26) e teve a prisão mantida pela Justiça. Ainda na delegacia, ele tentou tirar a própria vida com um canivete dentro da cela.
Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na delegacia.
O ex-casal ficou junto por mais de um ano e terminou há cerca de duas semanas. À polícia, o suspeito contou que a mulher já estava em outro relacionamento e não aceitava o fim do casamento com ela.
Tentativa de feminicídio
O crime ocorreu na casa da ex-cunhada da adolescente quando ela foi buscar alguns pertences que tinham ficado após a separação na quarta-feira (25). No local houve uma discussão e a vítima foi atingida com um golpe no pescoço.
Ela foi socorrida por uma testemunha, levada inicialmente a uma unidade de saúde do município e, devido à gravidade dos ferimentos, transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a capital.
A PM-AC informou que foi chamada pela equipe médica do hospital. No relato, os profissionais alertaram que o suspeito do crime estava rodeando a unidade de saúde e pediram ajuda.
A polícia, então, iniciou as buscas e encontrou Geovane em um posto de combustível. Ao avistar a viatura, o homem levantou as mãos e se entregou. Ainda segundo a PM-AC, o suspeito estava com as roupas sujas de sangue.
“O conduzido foi algemado e submetido a busca pessoal, ocasião em que nada de ilícito foi encontrado em sua posse. Indagado sobre a arma utilizada, informou tê-la jogado em um buraco próximo à rotatória”, destacou a polícia no boletim de ocorrência.
Os policiais foram até o local indicado por Geovane e acharam a arma usada no crime. “O preso foi conduzido à delegacia sem lesões aparentes, reclamando apenas de ter recebido uma ripada no braço por alguém que tentava defender a vítima”, diz o relato.

Investigação
Ao g1, o delegado Aldízio Neto explicou que Geovane alegou em depoimento que não tinha intenção de atingir a ex-mulher, mas sim o atual namorado dela. Contudo, a polícia não acredita nessa versão.
“Disse que foi uma briga com o namorado dela, que feriu ela sem querer, mas não é verdade. O crime foi dentro da casa da irmão dele. O casal morava juntos na zona rural e quando ele ia trabalhar em outro local deixava a mulher na casa dessa irmã, onde ocorreu os fatos”, detalhou o delegado.
Aldízio disse que a vítima foi na casa da ex-cunhada buscar alguns pertences que tinham ficado após a separação. No local houve a discussão e o suspeito tentou degolar a ex-mulher. “Quero crer que foi um golpe por trás, pegou de uma ponta a outra do pescoço dela”, finalizou.
A PM disponibiliza os seguintes números para que vítimas peçam ajuda:
- (68) 99609-3901
- (68) 99611-3224
- (68) 99610-4372
- (68) 99614-2935
Veja outras formas de denunciar casos de violência:
- Polícia Militar – 190: quando a vítima está correndo risco imediato;
- Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
- Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
- Qualquer delegacia de polícia;
- Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.
- Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
- Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
- Ministério Público;
- Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).


