A crise no transporte coletivo de Rio Branco ganhou mais um capítulo grave nesta semana, após decisão da Justiça que determinou o bloqueio de bens da empresa Ricco Transportes. A medida atinge diretamente a já fragilizada operação e escancara o colapso de um sistema sustentado por um contrato emergencial que se arrasta há quatro anos, sem licitação definitiva.
Para o vereador André Kamai, a situação ultrapassou todos os limites. “A Ricco, além de prestar um péssimo serviço, caríssimo, coloca a vida das pessoas em risco. Já tivemos eixo sendo arrancado, vidro estourando e ferindo passageiros, e agora mais um acidente grave. Eu repito: eu não sei com o que a empresa gasta dinheiro, porque não paga funcionários, não mantém os veículos e segue recebendo milhões do povo”, criticou.
Mesmo diante de um histórico de falhas, denúncias trabalhistas, atrasos salariais e precariedade na frota, a empresa já recebeu centenas de milhões em recursos públicos ao longo dos últimos anos. Ainda assim, a qualidade do serviço só piora, com ônibus quebrando, superlotação e constantes paralisações.
Kamai também denunciou o tratamento dado aos trabalhadores. “A relação da empresa com os funcionários é degradante. Hoje, se um motorista cai num buraco e quebra o ônibus, ele é quem paga. Ou seja, é vítima da empresa e da prefeitura, que não cuida da cidade. Eles estão paralisando porque querem apenas o básico: receber seus salários e direitos”, afirmou.
O parlamentar responsabiliza diretamente a gestão do prefeito Tião Bocalom pela manutenção do modelo atual. Segundo ele, a insistência em renovar um contrato emergencial ilegal transformou o transporte público em um sistema caro, ineficiente e inseguro.
“O que existe hoje é um escândalo. Um contrato que deveria durar seis meses virou regra, sustentando uma empresa que não entrega o mínimo. E agora, com bens bloqueados pela Justiça, quem sofre mais uma vez é a população”, concluiu.
A crise segue sem solução concreta, enquanto milhares de usuários continuam reféns de um sistema em colapso.


