Rio Branco, AC 16 de março de 2026 16:49
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Professora e DJ, acreana concilia sala de aula com pistas de festas em Rio Branco: ‘Não é só dar play’

Aldine Montenegro é DJ desde 2017 e também leciona aulas de história. Ao g1, ela conta que é necessário sentir o ‘feeling’ do evento para montar os sets no final de semana

Professora de História durante a semana e DJ nos fins de semana, a acreana Aldine Montenegro equilibra duas rotinas que, para ela, têm algo em comum: a troca com o público. No embalo do Dia Mundial do DJ, celebrado no último dia 9 de março, o g1 conta a história da profissional que mistura música, sala de aula e uma trajetória construída, principalmente, na prática.

A relação de Aldine com a música começou cedo, dentro da própria família. A DJ contou que cresceu cercada por músicos, o que influenciou diretamente sua formação artística e na profissão que segue desde 2017.

“Desde que eu me entendo por gente, eu sou envolvida com música. Meu avô tinha uma banda com os filhos e eu cresci no meio de músicos. Meus tios tocavam, um deles é muito conhecido aqui em Rio Branco e também era professor”, relembrou.

Na fase da adolescência, o interesse pela música ficou ainda mais forte. Aldine compartilhou que era apaixonada por rock e começou a se aprofundar no estilo, recebendo o apoio da família para seguir esse caminho.

Com 15 anos, a acreana ganhou sua primeira guitarra e decidiu formar uma banda formada apenas por meninas. Tempos depois, no entanto, o grupo foi desfeito e cada integrante seguiu um caminho diferente.

Contudo, ela continuou atuando no meio musical e passou a colaborar na produção de diferentes eventos. Foi neste período que Aldine teve a oportunidade de mudar sua trajetória e, em 2015, começou a produzir, em Rio Branco, uma festa de uma produtora de São Paulo que promovia eventos em diversas cidades do país.

Durante a organização, a acreana teve dificuldades para encontrar DJs disponíveis. A partir disso, ela decidiu inovar e começar a estudar para tocar em suas próprias festas.

“Eu tinha muita dificuldade de encontrar DJ porque, às vezes, eles já estavam tocando em outra festa. Então, comecei a cogitar aprender a tocar para tocar nas próprias festas que eu produzia”, disse.

Pontapé inicial e adaptações

A decisão de aprender a tocar foi concretizada em 2017. No começo, seu repertório era mais alternativo e voltado para o indie e o rock, estilos estes das festas que costumava produzir. Entretanto, conforme ganhava mais experiência, ela começou a ampliar seu repertório musical.

“Depois comecei a produzir outras festas, inclusive uma chamada Baile de Favela, que tinha muito funk. Aí comecei a estudar o estilo, ver o que a galera estava ouvindo e montar meus sets. Conforme fui fazendo isso, fui pegando o feeling do negócio. A gente aprende muito na prática”, destacou.

A acreana compartilhou que costuma conversar com os contratantes para entender o clima da festa e, assim, poder preparar um set personalizado. “Não é só chegar e colocar qualquer música. Dependendo do que você faz, você muda completamente o evento de alguém”, explica.

Atualmente, Aldine diz que é uma DJ versátil, capaz de tocar diferentes estilos musicais e que está sempre se adaptando ao perfil de cada evento para o qual é contratada.

“Para mim não tem tempo ruim. Eu toco desde brega até metal pesado. Ser DJ não é só dar play em uma música, você está ali para mudar a noite de alguém, a festa de alguém”, defendeu.

Aldine Montenegro conta sobre desafios da profissão de DJ — Foto: Arquivo pessoal

Conciliação entre os dois mundos

Aldine possui uma agenda de apresentações que precisa conciliar com a sala de aula. “Normalmente eu só faço tocadas sexta ou sábado. Durante a semana fica complicado porque no outro dia eu preciso estar em sala de aula”, detalhou.

A paixão pela música, inclusive, também já começa a atravessar as próximas gerações de sua família. “Meu filho já está no caminho da música também, ele é baterista”, contou.

Para a acreana, trabalhar com música é mais do que uma profissão: é uma forma de viver e compartilhar momentos especiais com outras pessoas.

“Eu amo música. Acordo ouvindo música e vou dormir ouvindo música. É muito prazeroso fazer parte de momentos especiais das pessoas e receber o carinho delas”, concluiu.

DJ Aldine faz sets musicais conforme o perfil do evento em que é contratada em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal