Rio Branco, AC 11 de março de 2026 17:10
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Cela onde “Sicário” de Vorcaro morreu na PF será vistoriada

Deputados querem inspecionar a superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte após morte de Luiz Phillipi Mourão, citado no caso Banco Master

A cela onde Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, esteve preso e se suicidou na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte vai passar por uma visita técnica da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. A vistoria foi aprovada na terça-feira (10).

“Sicário” foi preso em 4 de março, na operação contra o grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Ainda sob custódia da PF, Mourão atentou contra a própria vida dentro da cela. Ele chegou a ser socorrido pela equipe de plantão, foi levado ao Hospital João XXIII, na região Centro-Sul da capital mineira, mas morreu na noite de 6 de março, às 18h55.

O corpo passou por perícia no Instituto Médico-Legal (IML) no dia seguinte. O enterro ocorreu no domingo (8), no Cemitério do Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte.

O pedido de visita técnica foi apresentado pelo deputado federal E vair Vieira de Melo (PP-ES). No requerimento, ele afirma que a inspeção é necessária para verificar as condições da cela e entender quais protocolos de segurança e vigilância estavam em vigor no momento em que Mourão estava preso.

Na justificativa, o parlamentar argumenta que a morte de uma pessoa sob custódia do Estado é um fato de gravidade institucional, já que o poder público assume responsabilidade direta pela integridade física de quem está detido.

Além da vistoria, a comissão também aprovou na mesma sessão um convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues para acompanhar a visita. Os deputados querem que ele dê explicações sobre o que aconteceu em Belo Horizonte e sobre as medidas que serão adotadas pela corporação para apurar o caso.

Como se trata de um convite, Andrei não é obrigado a comparecer à Câmara.

Entenda o caso

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão aparece no inquérito como o “Sicário” de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, ele integrava o núcleo de segurança do grupo ligado ao banqueiro.

O empresário Daniel Vorcaro, fundador e principal nome por trás do Banco Master, é investigado em uma série de apurações conduzidas pela PF.

Em novembro de 2025, ele chegou a ser preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para fora do país. Na ocasião, a investigação tratava de suspeitas envolvendo a emissão de títulos considerados irregulares e manipulação de ativos financeiros.

Posteriormente, o empresário foi solto, mas passou a cumprir medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, restrições de contato com investigados e impedimento de atuar no setor financeiro.

As investigações avançaram ao longo de 2026. Em 4 de março, a Polícia Federal realizou uma nova fase da operação, que resultou novamente na prisão de Vorcaro.

Segundo a PF, a etapa mais recente da investigação apura possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente praticados por um grupo investigado.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo. Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.

Material apreendido em celulares e dispositivos eletrônicos do empresário passou a ser analisado pelos investigadores e por outras instâncias, como a CPMI do INSS, e tem revelado trocas de mensagens com empresários, políticos e pessoas próximas.

A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e afirma que o empresário sempre colaborou com as investigações, confiando no esclarecimento dos fatos no decorrer do processo.