Rio Branco, AC 9 de março de 2026 15:40
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Há mais de 4 anos em contrato emergencial na capital, Ricco alega prejuízo de R$ 8 milhões em 2025

À Rede Amazônica Acre, proprietário Ewerson Dias afirmou que companhia enfrenta prejuízo devido aos gastos com a manutenção do serviço, além da quantidade de gratuidades no sistema

Com transporte público de Rio Branco em crise desde 2020, usuários do serviço precisam enfrentar problemas com ônibus cheios e veículos com falhas mecânicas. À Rede Amazônica Acre, o proprietário da Ricco Transportes e Turismo, Ewerson Dias, afirmou que a companhia enfrenta prejuízo de R$ 8 milhões e defende a abertura de uma nova licitação para o sistema. (Veja detalhes mais abaixo)

👉 Contexto: Uma audiência pública chegou a ser pedida pela própria Ricco para a última sexta-feira (6), contudo, o proprietário informou que não participaria devido a problemas de saúde e então a sessão foi cancelada. A empresa teve o contrato emergencial renovado por mais seis meses em 20 de fevereiro. O g1 entrou em contato com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) e aguarda retorno.

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, deve anunciar nesta segunda-feira (9), às 8h30, o lançamento do Edital de Concorrência Pública nº 005/2026, que visa a concessão e operacionalização do transporte coletivo da cidade.

Com exclusividade à Rede Amazônica Acre, o empresário Ewerson Dias, dono da Ricco, disse que a empresa acumula prejuízos operando o sistema em Rio Branco. Segundo ele, os números devem ser apresentados na declaração de imposto de renda da empresa.

“Se pegar o que recebemos e o que gastamos, em 2024 foram cerca de R$ 7 milhões de prejuízo. Em 2025 fechamos em pouco mais de R$ 8 milhões”, disse.

Há quatro anos, a Ricco opera o transporte coletivo da capital por meio de contratos emergenciais de seis meses. A empresa assumiu 31 das 42 linhas em fevereiro de 2022, após o abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta.

Ainda conforme o empresário, a empresa opera com cerca de 50 linhas, tendo aproximadamente 100 veículos, contudo, algumas rotas têm baixa demanda de passageiros, o que afeta o capital financeiro. “Tem linha que transporta cerca de 1,8 mil passageiros por mês, então não paga o serviço prestado”, afirmou.

Outro ponto citado pelo empresário é o número de gratuidades no sistema. Segundo ele, quase metade dos passageiros utiliza algum tipo de benefício, como gratuidade ou meia-passagem estudantil. A tarifa na capital é de R$ 3,50. Já os estudantes, por exemplo, pagam apenas R$ 1.

“Novos investimentos dependem da licitação para definir quem vai operar o transporte público na capital. “Hoje temos mais de R$ 40 milhões investidos. Ninguém vai comprar 100 ônibus novos, algo em torno de R$ 95 milhões, sem saber se vai continuar operando”, explicou.

Para ajudar na manutenção do serviço, a Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio à empresa. Atualmente, o município paga R$ 3,63 por passageiro transportado, o que permite manter a tarifa em R$ 3,50 para os usuários, sob a justificativa de evitar reajuste no valor pago pelo usuário.

O quantitativo repassado pela prefeitura em 2021 às empresas de ônibus, que somou mais de R$ 2,4 milhões, foi usado somente para pagar parte dos salários atrasados do ano de 2020 dos funcionários.

Reclamações

Conforme a assistente escolar Eremita Gadelha, a situação é ruim tanto pela condição dos veículos quanto pela demora nas viagens. “É péssimo. Os ônibus são quebrados e demoram muito. Já aconteceu de o ônibus parar no meio do caminho e a gente ter que pegar carro por aplicativo ou esperar outro”, contou.

Já o autônomo Cleildon Henrique, que precisou usar o transporte público nos últimos dias, afirma que a situação está mais difícil do que antes. “A vida de quem depende do ônibus é mais sofrida. Sempre teve problema, mas ultimamente em Rio Branco está bem mais difícil”, disse.

Para o carpinteiro Francisco Nascimento, a situação envolvendo demora tende a piorar mais ainda quando é preciso pegar ônibus para regiões de zona rural da capital, como o da Transacreana. “A espera aqui fica entre 40 a 45 minutos, é nessa faixa. Sempre foi assim todos os dias e durante o final de semana a espera é ainda maior. Quando chega, a gente tem que ir correndo, senão perde”, disse.

Quem mora em bairros onde a frota é menor, o problema se assemelha. “Moro no [bairro] Jequitibá é lá só tem um ônibus. Na média eu espero uns 50 minutos, já virou costume”, relatou o aposentado Francisco de Sousa.