Defensoria Pública do Estado (DPE-AC) recebeu denúncias de que golpistas estão se passando por servidores para enganar clientes pelo WhatsApp. O órgão pede que a população desconfie de atendimentos que solicitem dados bancários via celular
Criminosos estão se passando por defensores públicos para aplicar golpes e cobrar por serviços gratuitos pelo WhatsApp à população acreana. A prática criminosa foi percebida pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AC) após clientes relatarem terem sido procurados pelos golpistas.
A DPE-AC confirmou que já repassou as informações à Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O órgão pede que a população desconfie de atendimentos que solicitem dados bancários via celular.
👉Contexto: No golpe da falsa defensoria, o modus operandi é sempre semelhante: estelionatários se passam por agentes públicos para extorquir e enganar quem utiliza os serviços da instituição. Após o contato inicial, o grupo criminoso pede pagamentos antecipados e até dados das vítimas.
Ao g1, a corregedora-geral da DPE-AC, Roberta de Paula Caminha Melo, explicou que os criminosos utilizam logomarcas institucionais nas fotos de perfil, números de processos e adotam linguagem jurídica para dar credibilidade ao contato com as vítimas.
“Criminosos estão se utilizando indevidamente do nome, da imagem e até de fotos de defensores públicos para aplicar golpes. É importante lembrar que a Defensoria Pública não cobra por serviços jurídicos e não solicita nenhum tipo de pagamento para atendimento ou liberação de valores”, destacou.
Ainda conforme a corregedora, os bandidos solicitam dados pessoais e bancários, com a desculpa de que falta algum dado, ocasião em que as informações pessoais eram capturadas e a fraude concluída.
“Inicialmente eles passavam informações a fim de conquistar a confiança do usuário, utilizando números de processos reais e, em seguida, diziam que tinham supostos valores a receber, momento em que solicitavam pagamentos por PIX sob a promessa de liberação de valores ou serviços”, disse.
Apesar dos relatos, Defensoria Pública do Acre ainda não tem o número de vítimas que caíram no golpe. “Temos recebido vários alertas e registros isolados de tentativas, mas não há estatística oficial consolidada sobre vítimas ou prejuízos. É um crime que tem se propagado em vários estados”, explicou.
⚠️Orientações
- Desconfie de mensagens de WhatsApp informando ganho de causa ou liberação de valores
- Nunca faça pagamentos, baixe aplicativos ou acesse seu banco a pedido de contatos não verificados;
- Sempre tratar assuntos jurídicos pessoalmente na Defensoria.
O atendimento pode ser feito pelo WhatsApp (68) 999275436, ou pelo telefone (68) 3215-4185. Caso ainda tenha dúvida, o atendimento presencial na DPE-AC, é feito de 08h às 12h e das 14h às 17h na avenida Antônio da Rocha Viana, próximo ao Horto Florestal.
Defensoria não cobra
Ainda conforme a corregedora, a Defensoria Pública não cobra por nenhum dos serviços jurídicos do órgão e, para esclarecer melhor a população, a DPE tem adotado uma série de ações preventivas com foco na proteção dos usuários e dos próprios servidores.
“É importante que a população esteja atenta e bem informada. Esses golpistas entram em contato com cidadãos que, muitas vezes, já possuem processos judiciais em andamento ou que estão em situação de vulnerabilidade. É fundamental deixar muito claro: isso é golpe”, explicou.
Ações da DPE contra o crime:
- Divulgação de alertas nas redes sociais, esclarecendo que a Defensoria não cobra;
- Orientação à população para que desconfie de mensagens e ligações;
- Reforço de incentivo para que qualquer dúvida seja confirmada na DPE;
- Orientação aos servidores que tenham sido vítimas que registrem um boletim de ocorrência.
Com o avanço e praticidade dos recursos de inteligência artificial, as fraudes virtuais vêm se tornando mais convincentes. Em 2024, o Acre registrou 464 casos dessa categoria. À época, a taxa geral de estelionatos a cada 100 mil habitantes ficou em 723,3 no Acre, estando abaixo da média nacional, que foi de 1.019,2.
“Nenhum servidor ou servidora da instituição está autorizado a pedir dinheiro, transferências, PIX ou qualquer tipo de pagamento aos usuários ou a terceiros”, finalizou a corregedora-geral.