Rio Branco, AC 7 de fevereiro de 2026 18:32
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Ficção


No início da semana, na abertura dos trabalhos legislativos de 2026, na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador André Kamai, do PT, fez duras críticas à mensagem governamental apresentada pelo prefeito da capital, Tião Bocalom (PT). Kamai afirmou que o prefeito, nas peças publicitárias que o paço municipal dispõe aos riobranquenses, apresenta uma cidade que não corresponde à realidade vivida pela população e questionou a falta de reconhecimento dos problemas enfrentados nos bairros.

Autismo

Segundo o parlamentar, ignorar a existência dos problemas impede qualquer solução. “Quando alguém é incapaz de reconhecer que os problemas existem, essa pessoa é absolutamente incapaz de enfrentá-los”, afirmou. Kamai disse que percorreu bairros durante o recesso parlamentar e não reconheceu, na fala do prefeito, a cidade que encontrou nas ruas.

Mundo paralelo

Para o vereador, os avanços descritos pelo Executivo não chegaram à periferia, à parte alta, à Baixada, à Cidade do Povo nem a regiões como Belo Jardim e Vista Linda. “Essa Rio Branco que o prefeito leu aqui não chegou nesses lugares”, declarou, ao criticar o distanciamento entre o discurso oficial e a realidade da população.

Maquiagem

Um dos principais alvos das críticas do edil foi a escolha do governo municipal de investir cerca de R$ 20 milhões em uma obra viária, enquanto ainda há moradores sem acesso à água. “Governar é fazer escolhas”, disse Kamai, ao afirmar que a gestão priorizou obras com impacto visual em detrimento de áreas básicas como saúde, saneamento, transporte público e pavimentação.

Factualidade

Finalizando sua fala na abertura do ano legislativo, Kamai externou que uma capital moderna não se mede por viadutos ou concreto. “Uma capital moderna é onde não tem fome, onde tem criança na escola, água na torneira e transporte coletivo de qualidade”, disse. Ele afirmou que a Câmara precisará seguir cobrando para que a cidade real — e não a apresentada nos discursos oficiais — seja, de fato, atendida pelo poder público.

Compreensão

A vice-governadora Mailza Assis (PP), candidata do grupo governista ao governo do estado em 2026, comentou ontem, 06, que o vice-prefeito de Rio Branco e correligionário, Alysson Bestene (PP), tem autonomia para decidir a possibilidade de pedir afastamento do Progressistas para poder apoiar a candidatura de Tião Bocalom (PL) ao governo nas eleições deste ano.

Pegadas

A análise decorre da possibilidade de Alysson pedir afastamento do PP, assim como o fez Gladson Cameli na campanha de 2020, quando pediu desligamento do PP para apoiar a então prefeita Socorro Neri, atualmente nos Progressistas e outrora no PSB, quando esta disputava a disputa de reeleição. A decisão de Bestene seria necessária para evitar uma expulsão por infidelidade partidária, já que o PP também tem uma candidatura colocada para o pleito, no caso o da vice-governadora.

História

Mailza Assis assume o comando do Palácio Rio Branco a partir de abril próximo. Mesmo reconhecendo a autonomia do vice-prefeito, Mailza afirmou que esperava ter o apoio do correligionário. A vice-governadora, em 2024, foi uma das maiores defensoras da candidatura própria do PP, representada pela candidatura de Alysson. Na época, o PP expulsou Bocalom, mas se aliou com o prefeito meses depois integrando a chapa majoritária na figura do atual vice–prefeito.

Reciprocidade

“O Alysson tem autonomia nas decisões políticas dele. Então, se essa for a decisão dele, é compreensível, ele é o vice-prefeito. É uma decisão dele, e a gente segue o nosso caminho. A decisão dele será resolvida com o prefeito Bocalom”, disse. “Claro que eu gostaria que ele não apoiasse Bocalom. Gostaria que essa força do Alysson e a permanência dele no partido fossem de apoio a mim. Mas, se a decisão dele for essa, realmente eu só posso concordar”, completou. Alysson deve assumir o comando da prefeitura de Rio Branco em abril, quando o prefeito Tião Bocalom se desincompatibilizar do cargo para disputar o governo.

Pedra cantada

Flávio Bolsonaro (PL) subiu cinco pontos percentuais em um mês na pesquisa da Meio/Ideia divulgada nesta semana. É um crescimento rápido e relevante, que põe o ungido de Jair Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula (PT).

Conjuntura

Mesmo nas hostes bolsonaristas, onde os números já eram esperados, ninguém credita a subida dele aos predicados de candidato. Tampouco atribuem o resultado à sua ainda indistinguível plataforma de campanha — até o momento limitada a promessas de reduzir impostos e fazer do irmão Eduardo ministro das Relações Exteriores.

O ‘X” da questão

A subida de Flávio Bolsonaro significa que, no campo da oposição, o principal motor desta eleição continua sendo um velho conhecido dos brasileiros, o antipetismo — ou, em outras palavras, a ideia de que não importa a cor do gato, desde que cace o rato.

Moldura

A pesquisa Ideia/Meio deixa isso claro ao mostrar que, para o eleitor bolsonarista, tanto faz o nome de Flávio ou Michelle nas urnas. Os dois exibem índices quase idênticos de intenção de voto no primeiro turno, cerca de 33%, oscilando conforme o cenário. Da mesma forma, na simulação do segundo turno contra Lula, quando são apresentados ao eleitor as alternativas Michelle, Flávio ou Tarcísio de Freitas, os índices de intenção de voto são muito semelhantes: 42% para Tarcísio, 41% para Flávio e 40% para Michelle. É a prova de que muitos desses eleitores não votam para que seu candidato ganhe, mas para que o presidente petista perca.

Ponto nevrálgico

A leitura dos números é simples! Do ponto de vista das pesquisas, a diferença entre os três nomes está, como sempre esteve, no quesito rejeição, em que Flávio ocupa um desconfortável primeiro lugar. Segundo o Ideia, 34% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum, e 29% afirmam o mesmo de Michelle. A rejeição a Tarcísio, hoje considerado fora do jogo, é 15% — menos da metade que a de Flávio.

Conclusão

Presente que esse cenário está posto há tempos — e dada a importância da rejeição num pleito que pode ser decidido por diferença de um único e baixo dígito —, fica evidente que Bolsonaro não escolheu o candidato com maior probabilidade de ganhar, Tarcísio, mas o que lhe era mais conveniente. O nome que mais pareceu lhe oferecer chances de sobrevivência. Com Flávio candidato, Lula pode até ser reeleito, mas o clã Bolsonaro mantém na vitrine a marca da família, garante seu sustento e o bastão da oposição.

Dilema

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, quer lançar uma candidatura própria à Presidência da República neste ano, mas o partido vive uma divisão interna. Parte das bancadas estaduais, especialmente no Nordeste, já trabalha pela reeleição do presidente Lula (PT).

Alternativas

Kassab tem dito que o PSD lançará um candidato ao Planalto. Em declaração recente, o político prometeu decidir até abril entre os governadores Ratinho Junior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) —este último filiou-se recentemente ao PSD. O presidente do partido também fala na possibilidade de uma chapa pura. Kassab cita exemplos recentes dentro da sigla, como a reeleição do governador Ratinho Junior (PR), que concorreu com vice do próprio PSD, e a vitória do prefeito Eduardo Paes (Rio de Janeiro), que também formou chapa com outro nome do partido.

Estratégia

Kassab tem tentado se posicionar como fiador de uma “terceira via”. Nesta semana, fez o anúncio de que seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania vão, a partir de 4 de março, para seu partido. Também trouxe recentemente, além de Caiado, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, do União para o PSD. Ele ainda sinalizou apoio ao bolsonarismo. Em declaração recente, Kassab disse que em um eventual segundo turno em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteja, ele irá apoiá-lo. Jair Bolsonaro (PL) indicou o filho como pré-candidato do PL à Presidência.

Realidade

Apesar do esforço de Kassab em ampliar o poderio do PSD, já existem diretórios alinhados a Lula nos estados. A contradição expõe um racha entre a estratégia nacional e a prioridade local de reeleição com alianças regionais. No Nordeste, boa parte dos estados já sinaliza apoio ao petista, mesmo se o PSD lançar candidatura própria. A região é estratégica para Lula e é onde o PT tem peso eleitoral. Nos bastidores, dirigentes reconhecem que, mesmo com candidato próprio, o partido não teria unidade nacional para enfrentar Lula.