Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 22:50
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Cidade do AC cancela Carnaval e decreta situação de emergência por conta das chuvas

Medida foi anunciada nesta quinta-feira (29) pela Prefeitura de Brasiléia após enxurrada e elevação do nível do Rio Acre na região. Segundo a gestão, há mais de 500 famílias isoladas em comunidades rurais

A Prefeitura de Brasiléia, no interior do Acre, cancelou a programação de Carnaval, prevista para fevereiro, e decretou situação de emergência nesta quinta-feira (29) devido aos impactos das fortes chuvas e à elevação do nível do Rio Acre na região.

No município, o manancial marcou 9,34 metros nesta quinta e registrou uma subida de 6,04 metros após a enxurrada da última terça (27). Antes das chuvas, o rio estava em 3,30 metros. A cota de alerta no município é de 9,80 metros e a de transbordo 11,40 metros.

O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado (PP), afirmou que a decisão foi tomada diante dos danos causados pelas chuvas e da necessidade de priorizar ações emergenciais no município.

“A forte chuva atingiu toda a cidade, tanto a zona urbana quanto a rural. Foram mais de dez pontes levadas pelas águas e vários bairros alagados. Não é justo manter uma festa diante dessa situação”, disse.
O prefeito também destacou que há mais de 500 famílias isoladas em comunidades rurais e que o decreto de emergência vai permitir buscar apoio dos governos estadual e federal.

“Temos muitas famílias precisando de ajuda, principalmente na zona rural. Por isso vamos buscar recursos para conseguir atender essa população que está isolada”, completou.

Mais de 100 milímetros em 1h

Na última terça-feira (27), Brasiléia registrou uma das maiores chuvas do mês. Segundo a Defesa Civil Municipal, mais de 143 milímetros de chuva caíram em 24 horas, volume que era esperado para cerca de dez dias.

Em apenas uma hora, conforme o órgão, choveu mais de 100 milímetros. A enxurrada deixou ruas alagadas, causou transtornos no trânsito, provocou o transbordamento de igarapés na zona rural e derrubou pontes em ramais.

Houve um deslizamento na Rua Ayrton Senna e um carro quase foi levado pela correnteza das águas no bairro Marcos Galvão. Nas imagens, divulgadas pela prefeitura, os moradores tentam evitar que o

O coordenador da Defesa Civil de Brasiléia, subtenente Emerson Sandro, disse que o nível do Rio Acre ainda pode subir nos próximos dias devido ao volume de água que desce das cabeceiras.

“Nas cabeceiras o nível já começou a baixar, mas daqui para frente ainda está um pouco alto. Ainda vai descer mais água para nós. A Defesa Civil segue monitorando e acompanhando a situação”, explicou.

Ele informou também que ainda não há famílias desabrigadas ou desalojadas no município, mas o plano de contingência já foi ativado. “O nosso plano de contingência está em ação. A gente deixa a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros à disposição da população. Se houver necessidade, a intervenção será imediata”, acrescentou.

Cheia histórica em 2024

Em fevereiro de 2024, Brasiléia enfrentou a maior enchente da história do município, quando o Rio Acre atingiu 15,56 metros.

A cidade superou a marca registrada em 2015, de 15,55 metros, naquela que ficou conhecida como a pior cheia da história da cidade, quando as águas do manancial cobriram 100% da área urbana do local.

Na ocasião, a área urbana ficou inundada e quase 4 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas. A cheia também provocou o isolamento da cidade por via terrestre e a interdição da Ponte Metálica José Augusto, que liga Brasiléia a Epitaciolândia.

Na época, em todo o estado, 14.476 pessoas estavam entre desabrigados e desalojados. Além disto, 17 das 22 cidades acreanas decretaram situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Ao menos 23 comunidades indígenas no interior do Acre também sofrem com os efeitos das enchentes.