A queixa, realizada no Ministério Público de Versalhes, afirmava que uma família colombiana trabalhava entre 72 e 84 horas por semana
Um dos astros do elenco estrelado do PSG, da França, está no centro de uma investigação que apura tráfico de pessoas e trabalho ilegal. A denúncia foi feita por uma família colombiana, que trabalhou na casa do lateral-esquerdo Lucas Hernández e de sua esposa, Victoria Triay, de setembro de 2024 a novembro de 2025.
A queixa, realizada no Ministério Público de Versalhes, afirma que cada membro da família trabalhava entre 72 e 84 horas por semana, sem qualquer contrato formal. A família alegou condições de trabalho ilegais, com jornadas extemamente longas, de acordo com a revista ParisMatch.
Sem direitos
A primeira prestação de serviços ocorreu em junho de 2024, quando Marie, uma das denunciantes, foi convidada por Victoria para trabalhar na França, com a promessa de que sua situação migratória seria regularizada em até seis meses. Marie estava na Colômbia no momento em que foi convidada para trabalhar para a família de Lucas Hernández.
A jovem entrou na França sem visto de trabalho, portando apenas o passaporte, e alega ao Ministério Público que a sua situação, apesar das promessas, nunca foi regularizada.
Pouco a pouco, familiares de Marie passaram a serem incorporados à família, também sem contratos e recebendo cerca de 2 mil euros por mês, trabalhando de domingo a domingo. A primeira foi a mãe, que trabalhava também com os cuidados da casa, depois os homens foram adicionados a funções de segurança, atuando armados em alguns momentos.
Lola Dubois, advogada da família colombiana, afirmou que os membros atuavam recebendo apenas em dinheiro vivo, sem qualquer tipo de contrato. “Trata-se de uma privação total de direitos. O fato de um jogador profissional, assessorado por advogados, nunca ter fornecido contratos demonstra a intencionalidade da infração”, declarou.
Documentos falsos
A queixa também alega que membros da família teriam sido obrigados a assinar acordos de confidencialidade, recebendo documentos falsos de identidades da Espanha, para tentar apresentar situação legal no país.
Em outubro de 2025, a família recebeu contratos de forma retroativa, mas alegaram que as condições continuavam precárias e ilegais. O casal ainda não se pronunciou publicamente sobre as denúncias por parte da família colombiana. Porém, de acordo com a imprensa francesa, o agente de Lucas Hernández revelou que o jogador não tinha conhecimento do caso e que o jogador foi pego de surpresa com a acusação. O iG Esporte entrou em contato com Lucas Hernández através das redes sociais, mas não recebeu retorno até a última atualização desta matéria.
Campeão do mundo em 2018 pela França, Lucas Hernández começou a carreira no Atlético de Madrid, depois passou por Bayern de Munique antes de chegar ao PSG, em julho de 2023.