Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 21:26
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Histórico

O MDB, outrora PMDB, marcou sua história por abrigar adeptos que levantavam barricadas contra o regime militar, instaurado no país a partir de 1964 e encerrado em 1985, com a eleição de Tancredo Neves/José Sarney. Sabe-se que o período militar terminou quando esse último tomou posse diante da internação e falecimento do titular, na antevéspera da posse. A história descreve com minúcias aqueles dias de convalescência e morte de Tancredo Neves e crava que no período o partido era uma urna incubadora da ação democrática.

Mutilação

Com a redemocratização do país, emergiu dessa passagem uma agremiação partidária guiada por princípios democráticos, pautada pela defesa intransigente dos interesses nacionais e uma linha reta acerca das posturas políticas de seus militantes. Cá no Acre, todo esse acervo de princípios nos dias atuais foi jogado no lixo, quando o assunto vem a ser a posição política que será adotada pela agremiação nas eleições estaduais do presente ano. A constatação vem à guisa dos rumos que a direção estadual ora conduz a sigla.

Quem dá mais?

A executiva regional do partido, guiada por um grupo denominado ‘Cabeças Brancas’, colocou o azimute político em leilão, condicionando os rumos da sigla àqueles que apresentarem melhores condições econômico/financeira ao quadro partidário, mirando tão somente a empreitada eleitoral que seus filiados serão submetidos em outubro próximo.

Hasta pública

Vê-se diariamente na imprensa acreana que o partido está conversando com a vice-governadora Mailza Assis (PP), com o senador Alan Rick (Rep) e agora com o prefeito Tião Bocalom (PL), que no início da semana lançou sua candidatura ao governo, buscando destes lhes auscultar sobre ofertas, na perspectiva de buscar quem apresenta melhor proposta ‘estrutural’ visando a adesão da sigla a uma das candidaturas. Se vivo fosse, e em sendo candidato, por certo o folclórico Tijolinho também seria inserido no cardápio para apresentar seu lance.

Reminiscências

Resta a constatação que o partido sucumbiu, por completo, a qualquer vestígio que direcione a sigla para analisar as propostas programáticas que venham ao encontro dos interesses do Acre, vigorando, tão somente, os vetores que atendam aos interesses particulares do grupo e de alguns apaniguados que comandam a agremiação. Saudades do MDB e dos valores do partido construído por Raimundo Melo, Ruy Lino, Nabor Júnior, Geraldo Fleming, Edson Cadaxo e tantos outros.

Bombeiro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, antecipou a volta a Brasília por conta da repercussão negativa de decisões do ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master. Fachin, que só retornaria à capital para a abertura do ano judiciário no dia 2 de fevereiro, vem conversando com colegas para discutir saídas institucionais para a crise de imagem do tribunal e convencê-los a apoiar sua proposta de um código de conduta para o STF. Apesar do retorno, a Corte segue em recesso.

Fogueira

Mas as polêmicas envolvendo o Master e o Supremo não devem arrefecer. Como conta Malu Gaspar, do jornal O Globo, o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, representa o banco de Daniel Vorcaro no processo que investiga o empresário Nelson Tanure por insider trading em operações da Gafisa. A pedido da defesa deste, o caso subiu para o Supremo e ficará sob a relatoria de Toffoli devido a conexões com as suspeitas de fraudes financeiras no Master.

Lupa

Enquanto isso… A ideia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de transferir ao Banco Central a supervisão dos fundos de investimento e retirá-lo do escopo da CVM está sendo discutida por Jorge Messias, da AGU, e pela ministra Esther Dweck, da Gestão.

Indefinição

A minuta deve seguir para a Casa Civil, mas o presidente Lula ainda não decidiu se prioriza o plano. Nos bastidores, também há desconforto com a escolha de Otto Lobo para presidir a comissão, nome que não agrada Haddad nem parte do Senado. Em resposta, a CVM divulgou nota nesta terça-feira, 19, reafirmando que sua competência para regular os fundos de investimento “é estabelecida em leis”.

Reação

Depois de semanas de ameaças, acusações e promessas de aumento de tarifas se não conquistar a Groenlândia, o presidente americano, Donald Trump, viu a Europa, enfim, reagir de forma concreta.

Suspensão

Ontem, terça-feira, 20, o Parlamento Europeu decidiu suspender a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos. O congelamento foi liderado pelos principais grupos políticos do parlamento. O acordo suspenso, fechado em julho depois de negociações difíceis, previa a redução de tarifas sobre produtos industriais americanos.

Adiamento

A votação para avançar com o pacto estava prevista para as próximas semanas, mas foi adiada. Trump ameaçou sobretaxar seis países da União Europeia, incluindo França e Alemanha, por não apoiarem suas demandas sobre a Groenlândia. As informações foram veiculadas pelo periódico francês Le Monde.

Rompantes

Trump, aliás, parece ter tido um ataque de fúria na madrugada de terça. Começou o dia publicando nas redes sociais uma montagem — aparentemente gerada por IA — em que aparece fincando a bandeira americana na Groenlândia. Já ao ser informado de que Emmanuel Macron não participará do conselho liderado pelos EUA para Gaza, Trump desqualificou o presidente francês e ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

Descontrole

Também atacou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticando a decisão do Reino Unido de devolver o arquipélago de Chagos a Maurício, incluindo a ilha de Diego Garcia. Em tom agressivo, acusou Londres de agir por “nenhuma razão” e classificou a medida como “grande estupidez”.

Balizas

Em resposta, Macron afirmou que a soberania de territórios europeus não é negociável e sinalizou que a União Europeia deve reagir de maneira firme caso as ameaças americanas se convertam em ações concretas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adotou um tom mais estrutural ao afirmar, em discurso em Davos, que a Europa não pode mais se orientar pela expectativa de que a antiga ordem internacional será restaurada.

Ambiente

Foi nesse clima que Trump embarcou para Davos, na Suíça, onde ele vai anunciar a ampliação do escopo do chamado “Comitê da Paz”, criado inicialmente para tratar da reconstrução de Gaza, mas que atuaria ainda em conflitos ao redor do mundo. Trump também deve usar o evento para defender sua política de pressão sobre a Europa, após ameaçar impor tarifas à Dinamarca e a outros países da Otan caso não haja acordo para a transferência da Groenlândia aos EUA até 1º de fevereiro.

Atropelos

A viagem de Trump começou tumultuada. O avião presidencial precisou voltar à base aérea de onde havia decolado devido a problemas elétricos. O presidente foi transferido para outra aeronave, mais usada para voos domésticos, e seguiu para a Suíça no início da madrugada de hoje, 21.

Retrato

A propósito do governante americano, resta a constatação que Donald Trump não formou uma seita, mas uma coalizão. Uma pesquisa do instituto More in Common indica que o presidente dos Estados Unidos voltou à Casa Branca em 2024 à frente de uma base eleitoral diversa.

Esboço

O levantamento, que ouviu mais de 10 mil eleitores, identifica quatro perfis que compõem o mosaico de seu eleitorado: os MAGA hardliners (29%), núcleo radical do MAGA; os republicanos tradicionais e moderados, maioria da coalizão (30%); os conservadores anti-woke (21%); e a chamada direita relutante (20%), decisiva para a vitória, mas pouco entusiasmada.

Apesar das diferenças internas, há um eixo comum que atravessa quase toda a coalizão: a rejeição ao movimento woke, visto como ameaça por 75% dos eleitores de Trump.

Multifacetas

Sobre a sensação de que o mundo virou um hospício dividido entre dois times que se odeiam e que ninguém mais pensa fora de uma dessas bolhas, essa imagem está quase toda errada, mostram dois levantamentos: o relatório Beyond MAGA, da More in Common, que abre o capô da base de eleitores de Trump, e a pesquisa Mapa das Ideologias Brasileiras, do Meio/Ideia. Eles revelam um mix de visões de mundo que se unem em torno de lideranças extremistas, mas que não se resumem a blocos monolíticos ou estáveis.