Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 23:17
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Extradição de Zambelli é adiada após pedido para troca de juízes

Defesa questiona imparcialidade da Corte de Apelação italiana; advogados têm três dias para formalizar solicitação, o que paralisa o processo de novo

audiência que decidiria a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil foi suspensa nesta terça-feira (20), em Roma, após a defesa pedir a mudança do colegiado responsável pelo caso.

O pedido interrompe a análise do mérito e adia, mais uma vez, o desfecho do processo.

Os advogados alegaram falta de imparcialidade dos magistrados da Corte de Apelação e agora têm prazo de três dias para formalizar a solicitação.

Até lá, a tramitação da extradição fica paralisada e sem nova data para julgamento.

Esta é a quarta vez que a Corte de Apelação italiana se reúne sem chegar a uma decisão sobre o pedido apresentado pelo governo brasileiro.

Nas sessões anteriores, o processo foi adiado por razões distintas, todas de ordem procedimental.

O adiamento imediatamente anterior ocorreu em 18 de dezembro, quando os magistrados afirmaram ter recebido apenas na véspera documentos enviados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações no Supremo Tribunal Federal (STF).

O que motivou o novo adiamento

Diferentemente das suspensões anteriores, o impasse desta terça decorre exclusivamente de uma iniciativa da defesa.

Ao questionar a imparcialidade do colegiado, os advogados acionaram um mecanismo previsto na legislação italiana, que obriga a Corte a interromper o julgamento até que o pedido de suspeição seja analisado.

Somente após a formalização e eventual rejeição da solicitação é que o processo pode voltar à pauta, seja com o mesmo colegiado, seja com outro.

Condenações no Brasil

Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos. No principal, recebeu pena de 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, episódio que envolveu a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fraudulento.

Em outra ação, foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

A ex-parlamentar está presa em Roma desde 29 de julho de 2025, após deixar o Brasil e ter o nome incluído em alerta internacional.

O pedido formal de extradição foi enviado pelo Ministério da Justiça brasileiro ao Ministério do Interior da Itália em 12 de junho do ano passado.

No plano político, Zambelli renunciou ao mandato em dezembro, depois que o STF determinou a perda imediata do cargo e fixou prazo de 48 horas para a posse do suplente.

O novo adiamento não encerra o processo, mas retarda novamente a decisão sobre a extradição.