Rio Branco, AC 20 de outubro de 2026 17:44
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Suspeito de matar Maria Ramona é preso na Argentina após quase dois meses foragido

Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, foi localizado em um terminal rodoviário na província de Chaco; investigado também foi condenado por outro feminicídio em Roraima

O argentino Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, suspeito de assassinar Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi preso no dia 9 de outubro em um terminal rodoviário de Presidencia Roque Sáenz Peña, na província de Chaco, na Argentina. Ele estava foragido havia quase dois meses, desde a morte da jovem, encontrada com um corte profundo no pescoço em um apartamento no bairro Conquista, em Rio Branco, no dia 2 de setembro.

Segundo a Polícia Civil do Acre, o investigado deixou o Brasil após o crime e foi localizado por meio de cooperação internacional. A operação contou com o apoio da Polícia Federal (PF) e das autoridades argentinas.

O suspeito era procurado internacionalmente e tinha uma notificação vermelha da Interpol, expedida em 24 de setembro, que contribuiu para sua localização. De acordo com a Polícia Civil, ele deverá responder pelo caso na Argentina, sem extradição para o Brasil, em razão de sua nacionalidade.

Suspeito já foi condenado por outro feminicídio

Daniel Guzmán e Maria Ramona mantinham um relacionamento, e uma das linhas investigativas aponta o ciúme como possível motivação para o crime. Conforme a Polícia Civil, no dia do assassinato, o suspeito rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.

O investigado já foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa, a venezuelana Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses. O crime ocorreu em 2018, em Boa Vista, Roraima.

Após o assassinato, Guzmán foi localizado em setembro daquele ano no posto de imigração de Assis Brasil, no interior do Acre, quando tentava entrar no Brasil pela fronteira com o Peru. Em 2022, o Tribunal do Júri de Roraima o condenou pelo feminicídio.

Jovem havia realizado o sonho de ter a própria casa

Uma amiga de Maria Ramona, que preferiu não se identificar, contou ao g1 que a jovem havia realizado recentemente o sonho de ter o próprio espaço. Ela descreveu a estudante como uma pessoa alegre e de sorriso fácil.

“Ela tinha o sonho de ter seu cantinho e conseguiu. Ramona sempre será lembrada por ser uma menina alegre e de sorriso fácil”, afirmou.

Como o corpo foi encontrado

O corpo de Maria Ramona foi localizado no banheiro do apartamento onde ela morava, na Rua Vitória, no bairro Conquista, em Rio Branco. A Polícia Militar foi acionada depois que vizinhos sentiram um forte odor vindo do imóvel.

Ao chegar ao endereço, os policiais encontraram o portão aberto e entraram no apartamento, onde localizaram a jovem com um corte profundo no pescoço. Também foram encontrados sacos plásticos com pedaços de colchão sujos de sangue.

Conforme as informações da investigação, a suspeita é de que o crime tenha ocorrido entre os dias 30 e 31 de agosto, quando a jovem teria sido morta sobre a cama.

Uma semana após o caso, estudantes e integrantes da comunidade escolar da escola João Batista Aguiar, onde Maria Ramona estudava, realizaram uma passeata contra o feminicídio.

A jovem frequentava o turno noturno da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo o gestor da instituição, Wilson Guimarães, ela havia falado sobre seus sonhos durante o acolhimento escolar e era considerada uma aluna tranquila.

Acre registrou quatro feminicídios em 2026, segundo levantamento citado

O caso de Maria Ramona foi apontado como o quarto feminicídio registrado oficialmente no Acre em 2026, conforme o levantamento apresentado na reportagem original.

O primeiro caso mencionado foi o de Juliana Barbosa Cerqueira, de 44 anos, assassinada a facadas pelo ex-marido, Aldemir Abreu de Oliveira, em 5 de julho, no Ramal do Japãozinho, em Cruzeiro do Sul. Após o crime, o homem tirou a própria vida.

Ainda em julho, Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi morta a facadas pelo marido, Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos, bombeiro da reserva, no quilômetro 27 da rodovia entre Manoel Urbano e Feijó. O homem também morreu por suicídio após o assassinato.

O terceiro caso citado foi o de Reginaria Bandeira da Silva, de 22 anos, encontrada morta em uma área de mata às margens do quilômetro 15 da estrada de Porto Acre. O companheiro dela, José Silva dos Santos, de 31 anos, foi preso dias depois.

Importante: a contagem de feminicídios e a situação processual do investigado devem ser conferidas junto às autoridades antes da publicação, considerando a data de referência dos dados e a possibilidade de atualizações posteriores.