Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 21:25
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Aprofundamento

Uma nova operação da Polícia Federal sobre o suposto esquema de fraudes financeiras do Banco Master provocou tensão entre a PF e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que havia autorizado a ação. A PF fez buscas e apreensões em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e a parentes dele, além de outros nomes do mercado.

A grande família

Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando embarcava para os Emirados Árabes Unidos. Além disso, foram bloqueados bens que superam R$ 5,7 bilhões. A investigação aponta captação de recursos, aplicação em fundos e desvio de dinheiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. O celular do empresário foi apreendido. Também foram alvos o empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC.

Atropelos

Embora o próprio ministro Dias Toffoli tivesse autorizado a operação, ainda pela manhã o magistrado fez uma crítica dura à PF. Em despacho, ele acusou a corporação de atrasar a ação e descumprir o prazo fixado pelo Supremo. Segundo o ministro, a decisão que autorizava os 42 mandados de busca e apreensão foi assinada na segunda-feira às 14h52, com ordem de cumprimento em até 24 horas, o que não ocorreu.

Idas e vindas

Para Toffoli, a demora pode ter permitido a descaracterização de provas e eventual frustração das medidas cautelares seria resultado de “inércia exclusiva da PF”. Em um primeiro momento, Toffoli determinou que todo o material apreendido na quarta-feira fosse lacrado e enviado ao STF, o que provocou reações na PF. Os agentes temiam, por exemplo, que telefones celulares apreendidos fossem acessados remotamente e tivessem dados apagados.

Reconsideração

Mais tarde, no entanto, diante da repercussão negativa da decisão, Toffoli voltou atrás e decidiu que o material apreendido será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro reconsiderou sua decisão após pedido do procurador-geral Paulo Gonet, entendendo que cabe ao Ministério Público, como titular da ação penal, conduzir a extração e a perícia dos dados. Com isso, celulares, documentos e demais materiais apreendidos pela Polícia Federal serão remetidos à PGR, com a orientação de que os aparelhos fiquem preservados e fora de redes até a análise técnica.

Pontos de interrogação

A acusação de Toffoli sobre a suposta “inércia da PF” foi recebida com surpresa. Como conta a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, as medidas cautelares autorizadas na segunda-feira haviam sido pedidas pela Polícia Federal em outubro do ano passado, antes mesmo da liquidação do Master e da decisão de Toffoli de puxar para si todo o caso.

Blindagem

Enquanto isso… O também ministro do STF Alexandre de Moraes abriu de ofício (sem pedido da PGR ou da PF) um inquérito para apurar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram ilegalmente o sigilo fiscal de ministros da Corte e seus parentes. A determinação aconteceu após ser divulgado que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tem um contrato com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos.

Abracadabra

Do jornalista Vinicius Torres Freire, do jornal Folha de São Paulo de hoje, 15: “Certos negócios do Banco Master e suas ramificações são complicados até para quem trabalha no mercado financeiro. Requer conhecimento técnico de como fazer mágicas e milagres para driblar a regulação, inflar dinheiros ou fazê-los desaparecer em uma cartola. Não é coisa de amador pequeno. Quem são? Talvez venhamos a ter algumas respostas, agora que o empresário Nelson Tanure entrou na rede da investigação.”

Ajustes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na noite de quarta-feira o Orçamento para 2026, mas vetou R$ 393 milhões em emendas incluídas pelo Congresso na proposta original. Governo ainda remanejou mais de R$ 7 bilhões. Esse valor pode ser ajustado por meio de atos do Executivo, sem a necessidade de passar pelo Congresso, com aumento de recursos para áreas sociais e de saúde.

Termômetro

Levantamento da Genial/Quaest, divulgado na manhã desta quarta-feira (14/1) indica que a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece estável e dentro da margem de erro. O primeiro retrato da pesquisa da Genial/Quaest em 2026, no entanto, traz um sinal político negativo para o Planalto: hoje, 49% desaprovam a gestão Lula, enquanto 47% aprovam.

Estagnação

Em dezembro, o cenário era praticamente empatado, com 49% de desaprovação e 48% de aprovação. A variação reforça a leitura de estagnação nos índices de popularidade, com leve predominância da desaprovação no início do ano.

Cenários eleitorais

No cenário considerado mais provável pela pesquisa, na amostragem induzida, aquelas aonde os nomes dos candidatos são apresentado ao entrevistados, no primeiro turno, o presidente Lula aparece na liderança da corrida presidencial, com 35% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro ocupa um segundo lugar confortável, com 26%, enquanto Ratinho Júnior surge mais distante, com 9%.

Estabilidade

Em um cenário alternativo que inclui Tarcísio de Freitas, Lula mantém a dianteira, com 36%. Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 23%, seguido por Tarcísio, com 9%, e Ratinho Júnior, com 7%.

Disputa final

Nas simulações de segundo turno, o presidente venceria todos os adversários testados da oposição. As margens variam de acordo com o nome enfrentado: a vantagem é mais estreita contra Tarcísio de Freitas, de cinco pontos percentuais, e mais ampla contra Renan Santos, chegando a 20 pontos. Em disputas diretas contra Flávio Bolsonaro e Ratinho Júnior, Lula venceria por uma margem de sete pontos percentuais.

Resistência

Para 43% dos entrevistados, um candidato de oposição fora da família teria mais chances de derrotar Lula, enquanto apenas 34% acreditam que alguém com o sobrenome Bolsonaro conseguiria vencer a disputa. A escolha de Flávio como nome preferencial do grupo divide opiniões: 44% avaliam que Jair Bolsonaro errou ao indicá-lo, ante 43% que consideram a decisão correta. Os números representam uma queda relevante em relação a dezembro, quando 54% viam a indicação como equivocada.

Passado que condena

Quando questionados sobre temores políticos, 46% dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, contra 40% que afirmam temer mais a continuidade de um governo Lula.

Dados técnicos

A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 8 e 11 de janeiro, com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada com o número BR 00835/2026.