Rio Branco, AC 5 de outubro de 2026 17:18
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Dólar fica abaixo de R$ 5 após primeiro turno das eleições

Expectativa de mudanças na política fiscal aumenta confiança dos investidores e favorece valorização do real, segundo economista

A cotação do dólar caiu mais de 4% na manhã desta segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Por volta das 9h40, a moeda norte-americana era negociada a R$ 4,985, abaixo da marca de R$ 5.

A queda é um reflexo das eleições de domingo (4), que abriram espaço para uma mudança na percepção dos investidores sobre a política econômica do país.

A economista Zeina Latif explicou que a queda do dólar não acontece apenas pelo resultado eleitoral em si, mas principalmente porque o mercado passou a enxergar uma possível mudança na política econômica e fiscal do Brasil.

Segundo ela, a possibilidade de uma renovação da agenda econômica, com foco no controle das contas públicas e das despesas obrigatórias, melhora as expectativas dos investidores. O mercado também pode antecipar uma eventual interrupção do ciclo de alta da taxa Selic, ainda que isso não aconteça no curto prazo.

“O mercado antecipa e constrói esse cenário. A possibilidade de uma renovação da agenda econômica, principalmente na questão fiscal, com esforços para controlar as despesas obrigatórias, pode fazer o dólar ficar abaixo de R$ 5, que era onde deveria estar”, disse a especialista em entrevista ao iG.

Segundo Zeina, o real vinha sendo negociado em um nível considerado depreciado em relação ao comportamento de outras moedas no mundo, inclusive de países emergentes. Essa diferença, segundo ela, aumentou principalmente a partir de 2025.

Nova agenda econômica

Um dos principais fatores responsáveis por essa desvalorização foi a piora da situação fiscal brasileira. No entanto, mais do que os números da dívida, o que pesa sobre o real é a falta de uma perspectiva clara de ajuste das contas públicas.

Com o resultado das eleições, o mercado passou a considerar a possibilidade de uma renovação da agenda econômica. Essa expectativa pode aumentar a confiança dos investidores e favorecer a valorização do real.

Para Zeina, caso as expectativas de ajuste se confirmem, a moeda norte-americana pode continuar em trajetória de queda. “O dólar pode cair muito mais ainda, a depender do que vier de agenda daqui para frente”, afirmou.