Remédios e insumos desviados de hospitais foram apreendidos em um depósito na Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco, nesta quarta-feira (14)
A Polícia Civil descobriu um depósito clandestino usado para armazenar remédios e insumos possivelmente desviados dos hospitais do Acre. A ação ocorreu na Rua Eduardo Asmar, região da Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco, na manhã desta quarta-feira (14).
A polícia deve repassar mais informações da apreensão ainda na manhã desta quarta.
As equipes policiais cumpriram mandados judiciais no estabelecimento, que estava fechado e não tinha ninguém dentro. Não houve prisões. Os medicamentos e materiais hospitalares estavam armazenados em caixas de papelão e sacos de lixo.
Essa é mais uma fase da operação que apura supostos desvios de medicamentos e insumos hospitalares da rede pública do Acre. (Relembre abaixo)
Uma equipe da Rede Amazônica Acre acompanhou a ação. A reportagem apurou que havia sensor de glicose, caixas de luvas, ampolas de remédios, seringas, algodão, dentre outros insumos no depósito.
Havia várias caixas violadas, embalagens de insumos abertos e materiais espalhados no estabelecimento. Um caminhão foi usado para retirar as caixas do local e levar para um depósito da Polícia Civil para contabilização.
Da Gameleira, as equipes policiais se deslocaram para a Baixada da Sobral para cumprir mais mandados judiciais. O alvo da ação foi uma clínica do empresário e ex-vereador, Raimundo Correia da Costa, mais conhecido como Raimundinho da Saúde
Na clínica, os policiais fizeram uma revista no depósito de medicamentos, contudo, não encontraram nada de irregular e não houve apreensão. A polícia chegou até a clínica do ex-deputado após encontrar documentos em nome de um dos investigados, que já trabalhou com Raimundinho da Saúde.
À Rede Amazônia Acre, o empresário todos os materiais e medicamentos da clínica têm nota fiscais e são compradas de representantes legais
Farmácia clandestina
No dia 5 de janeiro, equipes do Departamento de Polícia Civil da Capital e do Interior (DPCI) cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma casa no Beco da Glória, região da Baixada da Sobral, e encontraram diversas caixas de remédios para tratamento contra câncer, para hemodiálise, controlados, dentre outros, além de gazes, luvas, fraldas descartáveis e outros materiais hospitalares.
O idoso de 74 anos que estava na residência foi preso e levado para delegacia. Ele acabou solto no dia seguinte durante audiência de custódia e aguarda o andamento das investigações usando tornozeleira eletrônica.
Após a prisão, a Polícia Civil informou que investiga o envolvimento de funcionários públicos no esquema e que o descaminho dos materiais começou em 2023, mas a investigação só começou há dois meses, no final de 2025.
Segundo a investigação, na casa funcionava uma farmácia clandestina e a pessoa presa seria o receptador da medicação.

“Acredita-se que o valor dos medicamentos ultrapasse até um milhão de reais. A Polícia Civil vai continuar a realizar o trabalho investigativo, as diligências para continuar a aprofundar a investigação”, explicou em entrevista coletiva o delegado Igor Brito.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) afirmou que há indícios de que foram desviados medicamentos do Pronto-Socorro, Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
No último dia 7, um servidor público foi levado à delegacia para prestar depoimento durante cumprimento de mandados de busca e apreensão da Polícia Civil. Ele teve o celular apreendido.
A polícia não divulgou detalhes sobre a revista na casa do servidor público, contudo, confirmou que foram encontradas provas no telefone sobre o desvio de remédios.
O g1 apurou que a polícia também esteve na casa do idoso preso no início da operação e apreendeu mais de R$ 20 mil em espécie, dólares e outras moedas estrangeiras, e morfina. A mulher do suspeito foi levada para a delegacia para prestar esclarecimento.
Início da apuração
Ao g1, a Sesacre informou que a operação ocorreu a pedido da pasta após ‘identificação de indícios de furto de medicações e insumos em unidades de saúde’.
Durante entrevista coletiva, no dia 5 de janeiro, o secretário Pedro Pascoal disse que os desvios tiveram impactos no atendimento ao público.
“O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente para as patologias, doenças, diagnósticos e, enfim, no consumo dos nossos pacientes, das nossas unidades de saúde. E isso deu um start [na investigação]”, afirmou.

Extensão do esquema
Enquanto apura o envolvimento de servidores, a polícia também tenta levantar informações de unidades de saúde do interior do estado para saber se os desvios chegaram aos municípios.
“Vamos agora fazer o levantamento da apreensão de todos os medicamentos. Quando fizermos toda essa discriminação de todos esses medicamentos, nós vamos levar para o secretário, levar, provavelmente, também às prefeituras — porque ali [casa onde ocorreu a apreensão] funcionava como um armazém — pode ser que tenha medicamentos de outras prefeituras, ou da prefeitura da capital. Fizemos a apreensão, e existia ali medicamentos que não foram comprovados a origem”, acrescentou o delegado geral.
Os investigadores também irão apurar qual era o fluxo dos medicamentos desviados, se eram comercializados e quem seriam os possíveis clientes.