Ato em frente à sede da empresa marcou o início da paralisação no estado; categoria critica fechamento de agências, reestruturação e mudanças no plano de saúde
Os trabalhadores dos Correios no Acre aderiram oficialmente, nesta segunda-feira (14), à greve nacional da categoria, deflagrada na última sexta-feira (11). A mobilização foi marcada por um ato público realizado das 8h às 10h, em frente ao edifício-sede da instituição, no Centro de Rio Branco.
Durante o protesto, os trabalhadores apresentaram reivindicações e criticaram o modelo de reestruturação proposto pela empresa. Entre os principais pontos de discordância estão a redução da rede de atendimento, o fechamento de agências e possíveis mudanças no plano de saúde.
Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Acre (Sintect), Suzy Cristiny, duas agências já foram fechadas nos municípios de Porto Walter e Epitaciolândia. Outras duas unidades, no bairro Plácido de Castro e na região da João Eduardo, em Rio Branco, estariam sob risco de encerramento das atividades.
“Os trabalhadores, em ato público realizado no edifício-sede dos Correios, fizeram a denúncia contra o modelo de reestruturação que está sendo adotado, que reduz a rede de atendimento dos Correios com o fechamento de agências”, afirmou.

Categoria critica redução de pessoal e mudanças no plano de saúde
Além do fechamento de unidades, o sindicato contesta a diminuição do número de distritos postais e de atendentes. Para a entidade, a redução da estrutura pode prejudicar os trabalhadores e comprometer o atendimento à população, especialmente nos municípios do interior.
A greve ocorre em meio à campanha salarial da categoria. De acordo com Suzy, a proposta apresentada pelos Correios para um acordo de dois anos prevê apenas a reposição da inflação, sem aumento real nos salários.
A presidente do Sintect também criticou a proposta relacionada ao plano de saúde dos trabalhadores. Segundo ela, o documento prevê a manutenção do modelo atual por 120 dias e, posteriormente, a discussão de uma nova estrutura, com possibilidade de redução da cobertura médica.
“Há um ataque severo ao plano de saúde dos trabalhadores. Na proposta dos Correios teria uma garantia de manutenção por 120 dias e, depois, seria adotado um outro modelo a ser discutido, mas já com a perspectiva de uma redução desse atendimento médico do plano de saúde”, afirmou.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão:
- Preservação do plano de saúde;
- Manutenção do adicional de férias;
- Garantia do pagamento do repouso trabalhado;
- Preservação do ticket extra;
- Manutenção dos empregos;
- Melhores condições de trabalho;
- Reposição salarial considerada justa pela categoria;
- Investimentos em tecnologia e modernização;
- Manutenção da rede de atendimento;
- Participação efetiva do governo federal nas discussões sobre o futuro da empresa;
- Manutenção e ampliação das agências, especialmente nos municípios do interior.
O sindicato também se posiciona contra a redução do quadro de funcionários. A entidade afirma que o enxugamento da estrutura pode provocar sobrecarga de trabalho, demora no atendimento e precarização dos serviços.

Negociação com a empresa e o governo
A presidente do Sintect criticou ainda a possibilidade de mudanças nas liberações destinadas às lideranças sindicais. Segundo ela, a categoria busca ampliar o diálogo com o governo federal e com a direção dos Correios.
“Na última proposta, em retaliação ao movimento sindical, a empresa também apresentou já no Tribunal Superior do Trabalho uma proposta de dissídio, inclusive retirando as liberações das lideranças sindicais”, declarou.
Suzy afirmou que os trabalhadores não devem ser responsabilizados pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa e que o movimento sindical tem apresentado alternativas para contribuir com a recuperação dos Correios.
“Então o movimento sindical já vem apresentando algumas propostas para esse cenário que a empresa hoje tem de dificuldades financeiras, que na verdade não é culpa dos trabalhadores, mas estamos apresentando várias propostas viáveis e que precisamos ser ouvidos e ter nossos direitos respeitados”, afirmou.
O sindicato defende que os Correios permaneçam como empresa pública e mantenham a presença nos municípios brasileiros. A expectativa, segundo Suzy, é que o governo federal retome o diálogo com os trabalhadores para construir um modelo de reestruturação sem corte de direitos e sem fechamento de agências.
“A expectativa é que o governo dê mais atenção à situação dos Correios, volte a dialogar para que possa construir um modelo de reestruturação para os Correios ouvindo os trabalhadores, sem corte de direitos e também sem fechamento de agências”, disse.


